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Assim como o povo chileno vem fazendo, precisamos ir às ruas derrotar o projeto de entrega, semiescravidão e ditadura do governo Bolsonaro

Na manhã desta quinta-feira, 31, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou com suas inaceitáveis ameaças autoritárias ao defender “um novo AI-5”.

Por: PSTU Brasil

O Ato Institucional nº 5 foi o instrumento pelo qual a ditadura militar fechou definitivamente o Congresso, cassou as liberdades democráticas e recrudesceu a repressão, a perseguição, o assassinato e a tortura de opositores políticos. A ameaça do ex-escrivão da Polícia Federal ocorreu durante entrevista à jornalista Leda Nagle.

Reclamando sobre as críticas ao desgoverno do seu pai, o deputado disse que “se a esquerda radicalizar a esse ponto a gente vai precisar ter uma resposta; e uma resposta pode ser via um novo AI-5“. No dia 29, o “03” já havia subido à tribuna da Câmara ameaçar um novo golpe militar. Referindo-se aos protestos no Chile discursou que “se eles começarem a radicalizar do lado de lá, a gente vai ver a história se repetir”, disse, depois de afirmar que “se (os protestos) vier pra cá, vai ter que se ver com a polícia“.

Diante das críticas às ameaças, o aspirante a ditador postou ainda nas redes sociais um vídeo em que seu pai, o então deputado Jair Bolsonaro. exalta a ditadura militar e o torturador Brilhante Ustra.

Essas ameaças precisam ser fortemente repudiadas, sendo ou não uma bravata a fim de desviar a atenção das recentes notícias e áudios de Queiroz, o funcionário da família Bolsonaro acusado de corrupção e envolvido com os milicianos que, por sua vez, são acusados pela execução de Marielle Franco e Anderson Gomes. Mostra bem o caráter autoritário de Eduardo Bolsonaro e do governo, que atenta contra as liberdades democráticas, ameaça com repressão qualquer tipo de protesto e criminaliza os movimentos sociais.

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Não é por menos os frequentes elogios a ditadores e torturadores como Ustra, ou Pinochet no Chile. Ou mesmo o ditador saudita com quem o presidente Bolsonaro acabou de se encontrar e por quem declarou ter grande “afinidade”.

O projeto de Bolsonaro é acabar com as liberdades democráticas, o direito à organização, manifestação e protesto, e mesmo o direito à crítica e oposição. Querem tratar protestos no Brasil como Piñera vem fazendo no Chile: com repressão.

Assim como o povo chileno vem fazendo, precisamos ir às ruas derrotar o projeto de entrega e semiescravidão do governo Bolsonaro. O governo acaba de aprovar uma reforma da Previdência que significa o fim do direito à aposentadoria de milhões de trabalhadores. Impõe uma verdadeira guerra social contra a população pobre em benefício dos lucros dos banqueiros e grandes empresas. Para os ricos, ataca os trabalhadores, os pobres, os indígenas e o meio ambiente. E para garantir isso, deixa evidente que não descarta uma ditadura.

Eduardo Bolsonaro fala pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro. Não se pode tolerar que o filho do presidente, e o próprio, continuem ameaçando com golpe militar.

Todas as organizações da classe trabalhadora, mas também as organizações da sociedade civil que se reivindicam democráticas, precisam rechaçar essas ameaças autoritárias. Precisamos dar um basta nisso! Ditadura nunca mais!