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Uma guerra social que se aprofunda

O texto lido com dificuldade por Bolsonaro, que espremia os olhos para enxergar o teleprompter enquanto mantinha uma fala robótico, foi escrito pelo ministro Augusto Heleno (GSI), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo (a ala mais maluca do governo ligada a Olavo de Carvalho), Eduardo Bolsonaro e, evidentemente, revisada pelo estrategista da ultradireita internacional, Steve Bannon.

Por: Diego Cruz

O texto pode indicar o aprofundamento da política de Bolsonaro de manter e coesionar sua base de apoio, daí o fato do elogio a Sérgio Moro, ministro que está sendo sistematicamente fritado há meses pelo governo, mas que personifica parte significativa de sua base, a ala lavajatista. E também um aceno ao setor evangélico. Coesionar o setor duro do bolsonarismo mesmo que isso possa significar mais instabilidade pela frente, com a perda de apoio popular e, inclusive, de setores da própria burguesia que não são exatamente alinhados a essa política de ultradireita, ainda que tenham acordo com o programa ultraliberal levada a cabo pelo governo.

O que de mais grave aponta o discurso de Bolsonaro, porém, é o aprofundamento da sua política de terra arrasada, de destruição da Amazônia e genocídio das populações indígenas e dos povos da floresta. Sua intenção de privatizar todas as estatais e entregá-las ao grande capital estrangeiro. De recrudescer a violência policial, tal como Witzel, que produz cenas de barbárie como a execução da pequena Ágatha (de olho em 2022, Bolsonaro e Witzel competem para ver quem produz mais cadáveres). Sua política de aprofundar a guerra social contra os trabalhadores e os pobres, que vem provocando o caos no país. Isso tudo dito às claras, sem meios-termos, ao mundo inteiro.

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Isso coloca a necessidade urgente de derrotá-lo, e não esperar seu desgaste até 2022 para contrapor o mesmo projeto conciliatório dos governos do PT. Uma que, até lá, danos incontáveis e irreversíveis já terão sido feitos, tanto em termos de meio ambiente, quanto de direitos, empregos, serviços públicos e sobretudo, vidas humanas. De jovens negros da periferia, de indígenas, enfim, dos setores mais oprimidos e vulneráveis à sanha destrutiva e assassina do capital e deste governo.

E para derrotar Bolsonaro e seu projeto só há um caminho: a unificação das lutas. Unir as lutas dos indígenas, quilombolas e dos povos da floresta aos dos trabalhadores do campo e da cidade, dos trabalhadores das estatais contra as privatizações, aos dos professores, funcionários e estudantes em defesa da Educação, numa grande luta contra a guerra social aos pobres, a destruição dos serviços públicos e dos direitos, em defesa do meio ambiente e da educação. Unir as lutas para derrotar Bolsonaro e o seu projeto de guerra social e barbárie.