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A América Latina está em pé de guerra contra os governos e suas políticas neoliberais. O acirramento da polarização da luta de classes no continente tem seu ponto alto no Equador, onde uma insurreição indígena e popular tomou conta do país.

Por: Diego Cruz

Na Argentina, o governo Macri teve uma importante derrota eleitoral e vê cada vez mais distante uma reeleição em novembro. Macri é um morto-vivo que vê sua popularidade despencando, ao mesmo tempo em que o movimento de massas vai às ruas contra a fome e a crise social. A recente libertação do preso político Daniel Ruiz é expressão desse novo momento.

Já o Peru vive uma instabilidade política crescente, fruto de uma luta entre a burguesia, que provocou a queda do Congresso Nacional liderado pela direita fujimorista e a convocação de novas eleições legislativas.

No Brasil, Bolsonaro vê sua popularidade caindo. A última denúncia é de que sua campanha eleitoral recebeu caixa 2 do laranjal do PSL, o mesmo que irrigou o caixa 2 do ministro do Turismo. Para fugir da denúncia, Bolsonaro está implodindo a sigla e procurando montar outro partido.

Essa divisão dos de cima é reflexo dessa crise e da luta encarniçada pelo espólio das estatais, do Orçamento e dos recursos naturais como o petróleo. A reforma da Previdência, que os senadores querem votar nos próximos dias, está atrasada para que barganhem parte da fatia da venda do pré-sal.

A tão propagada retomada da economia que Paulo Guedes prometeu vai revelando-se uma miragem. A economia só piora, o desemprego não diminui e o que era otimismo da burguesia vai transformando-se em ceticismo e decepção. Situação que vem causando rusgas entre Guedes e o próprio Bolsonaro.

Guerra social se aprofunda

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Essa crise no andar de cima, porém, não faz cessar os ataques e a guerra social contra os trabalhadores e o povo pobre. Ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, às liberdades democráticas (com o avanço da censura), entrega do país, desmatamento da Amazônia e genocídio indígena. Agora, Bolsonaro quer aprovar uma reforma administrativa para acabar com a estabilidade dos servidores e atacar os serviços públicos, como o SUS.

As privatizações e a entrega do país não param. Enquanto fechávamos esta edição, o governo acabava de entregar parte do pré-sal ao capital estrangeiro, desta vez para a espanhola Repsol.

Como no Equador, o governo Bolsonaro mostra sua face autoritária dando aval ao aumento do genocídio da juventude negra e criminalizando os movimentos sociais. Situação tal que possibilita casos como o que ocorreu no dia 9 em Belo Horizonte, quando um professor municipal, diretor do sindicato e militante do PSTU, foi agredido de forma brutal e detido enquanto protestava contra o projeto Escola sem Partido na Câmara Municipal.

Por baixo, resistência e luta

Se o governo e a burguesia aumentam a carga de seus ataques, por baixo os trabalhadores não aceitam isso passivamente. No primeiro semestre, vimos o levante da Educação. Recentemente, os trabalhadores dos Correios realizaram a primeira greve nacional contra o governo Bolsonaro.

Os petroleiros dão mostras de disposição de luta contra a venda da estatal e por seus direitos. Os metalúrgicos da Embraer, em São José dos Campos (SP), fizeram uma greve que só foi sufocada pela repressão da PM e podem fazer outra. Os povos indígenas também lutam e resistem à política genocida e pró-agronegócio de Bolsonaro. Enquanto fechávamos esta edição, os petroleiros do Litoral Paulista acabavam de votar, por ampla maioria, recusar o acordo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e começar greve a partir do dia 16.

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Petroleiros do Litoral Paulista aprovam greve a partir do dia 16

Assim como apontou o 4º Congresso da CSP-Conlutas, o caminho é a unidade para lutar e a ação direta contra o governo e seu projeto. Infelizmente, as direções das grandes centrais sindicais fazem corpo mole e negociam, como no caso da reforma da Previdência, ou apresentam uma reforma tributária alternativa que não ataca a grande propriedade. Desviam as lutas para o jogo eleitoral ou para as negociações dentro dos gabinetes, traem as mobilizações e se tornam obstáculos para o desenvolvimento das lutas.

Para virar o jogo contra Bolsonaro, é preciso unificar as lutas de petroleiros, Correios, eletricitários, metalúrgicos, Educação, funcionalismo, indígenas, quilombolas. Todos têm de se posicionar contra a entrega da Embraer à Boeing, a privatização da Eletrobras, dos Correios e da Petrobras. Também têm de defender os povos indígenas e o meio ambiente. Vamos derrotar Bolsonaro e seu projeto já! O povo do Equador está mostrando o caminho.

Luta do povo equatoriano é exemplo para derrotar Bolsonaro e seu projeto

Precisamos derrotar o projeto de destruição, superexploração e entreguismo de Bolsonaro e colocar outro projeto em seu lugar. Um programa dos trabalhadores que reverta as privatizações, a reforma trabalhista, os cortes sociais e o desemprego. Que proíba as demissões e reduza a jornada sem diminuir os salários, que seja bancado pelos lucros das empresas. Que pare de pagar a dívida aos banqueiros e invista este dinheiro em Saúde, Educação, emprego e moradia. Precisamos de um projeto socialista.