COMPARTILHAR

Com adesões em 108 unidades do Sistema Petrobrás, em 13 estados brasileiros, os petroleiros completam nesta quarta-feira (12) o décimo segundo dia de greve no país contra demissões, privatização e por direitos.

Por: CSP Conlutas

A mobilização nacional se dá pela suspensão das demissões na Fafen-PR (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná), por direitos previstos no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho), bem como contra o desmonte da empresa, com a possibilidade de fechamento de unidades e mais demissões, contra a precarização das condições de trabalho e a privatização.

Já são 50 plataformas em cinco estados, 18 terminais, 11 refinarias e mais outras 20 unidades operacionais e 3 bases administrativas com trabalhadores em greve por todo o país. São cerca de 20 mil petroleiros mobilizados. Os trabalhadores enfrentam os ataques, vindos tanto por vias sindicais e patronal aos petroleiros, quanto os do governo contra o conjunto da classe trabalhadora.

Mobilização no Rio de Janeiro

Para esta quinta-feira (13), a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) e a CSP-Conlutas, junto a outras diversas entidades, faz um chamado para uma passeata em apoio à Greve Nacional Petroleira.

A manifestação tem concentração marcada para as 16h na Candelária. Neste protesto, que será um momento para fortalecer a solidariedade de classe junto a categoria, ainda terá a participação do bloco de carnaval “O Petróleo é Nosso”.

Apoio internacional

A Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, organização da qual a CSP-Conlutas faz parte e que reúne organizações sindicais e sociais em todo o mundo, enviou mensagem de apoio aos petroleiros mobilizados. Em moção de apoio, a entidade destaca que enfrentando o principal e atual inimigo, o governo de Bolsonaro, os petroleiros estão defendendo, tendo em vista um histórico de ataques à categoria e à Petrobras, mais uma vez “a companhia do povo brasileiro e a soberania nacional.”

Leia também:  Alta do dólar e queda das bolsas: Lucros para os ricos e perdas para os trabalhadores em tempos de Coronavírus

Repressão

O TST (Tribunal Superior do Trabalho), via o ministro Ives Gandra Martins Filhos, obrigou que 90% dos trabalhadores mantenha produção habitual, estabelecendo ainda multa de diária de R$ 500 mil para sindicatos de base territorial com mais de 2.000 empregados em caso de descumprimento da decisão. Outras entidades sindicais podem ser multadas em R$ 250 mil.

Nesta quarta-feira (12), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, manteve a decisão do TST, em favor da Petrobrás e contra a greve dos funcionários da estatal.

A Reman [bem como a Replan] emitiu carta sobre o aceite de liminar da Petrobrás que visa impedir a mobilização da categoria.

Sucatear para privatizar

Eduardo Henrique, da FNP e da CSP-Conlutas-RJ, ressalta que “esta luta, que não é somente dos trabalhadores, mas é de toda população brasileira, seguirá firme em defesa de direitos, contra as demissões e a privatização da Petrobrás“.

Na segunda (3), a Petrobrás iniciou de divulgação de oportunidade para venda de parcela de sua participação de blocos exploratórios, pertencentes às concessões BM-PAMA-3 e BM-PAMA-8, localizadas na Bacia do Pará-Maranhão.

Conforme explica o petroleiro Eduardo, a Petrobras é operadora dos blocos, com 100% de participação na concessão BM-PAMA-3 e 80% de participação na concessão BM-PAMA-8, em parceria com a Sinopec Exploration and Production Brazil (Sinopec), que detém os demais 20%.

Nesse cenário, o desinvestimento será de até 50% na concessão BM-PAMA-3 e de até 40% na concessão BM-PAMA-8. Assim, a Sinopec poderá exercer direito de preferência na concessão BM-PAMA-8 para adquirir a participação da Petrobrás.

Entre as empresas que estão na lista de privatização de Paulo Guedes, além da Petrobrás, há Correios, Serpro e Telebras, Dataprev, Casa da Moeda, Lotex, Trensurb e Eletrobras.

Leia também:  Parar o Brasil para barrar o vírus

Veja o quadro nacional de greve atualizado logo abaixo

Quadro nacional da greve – 12/02

50 plataformas
11 refinarias
23 terminais
7 campos terrestres
5 termelétricas
3 UTGs
1 usina de biocombustível
1 fábrica de fertilizantes
1 fábrica de lubrificantes
1 usina de processamento de xisto
2 unidades industriais
3 bases administrativas

A greve em cada estado:

Amazonas
Terminal de Coari (TACoari)
Refinaria de Manaus (Reman)

Ceará
Plataformas – 09
Terminal de Mucuripe
Temelétrica TermoCeará
Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor)

Rio Grande do Norte
Plataformas – PUB-2 e PUB-3
Ativo Industrial de Guamaré (AIG)
Base 34 e Alto do Rodrigues – mobilizações parciais

Pernambuco
Refinaria Abreu e Lima (Rnest)
Terminal Aquaviário de Suape

Bahia
Terminal de Candeias
Terminal de Catu
UO-BA – 07 áreas de produção terrestre
Refinaria Landulpho Alves (Rlam)
Terminal Madre de Deus
Usina de Biocombustíveis de Candeias (PBIO)

Espírito Santo
Plataforma FPSO-58
Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR)
Terminal Aquaviário de Vitória (TEVIT)
Unidade de tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC)
Sede administrativa da Base 61

Minas Gerais
Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité)
Refinaria Gabriel Passos (Regap)

Rio de Janeiro
Plataformas (34) – PCH1, PCH2, P07, P09, P15, P18, P19, P20, P26, P31, P32, P35, P37, P43, P47, P48, P50, P51, P52, P53, P55, P56, P61, P62, P63, P56, PNA2, P12, P54, PGP1, P25, P74, P76, P77
Terminal de Cabiúnas, em Macaé (UTGCAB)
Terminal de Campos Elíseos (Tecam)
Termelétrica Governador Leonel Brizola (UTE-GLB)
Refinaria Duque de Caxias (Reduc)
Terminal Aquaviário da Bahia da Guanabara (TABG)
Terminal da Bahia de Ilha Grande (TEBIG)
Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)

São Paulo
Terminal de São Caetano do Sul
Terminal de Guararema
Terminal de Barueri
Refinaria de Paulínia (Replan)
Refinaria de Capuava, em Mauá (Recap)
Refinaria Henrique Lages, em São José dos Campos (Revap)
Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (RPBC)
Plataformas (04) – Mexilhão, P66, P67 e P69
Terminal de Alemoa
Terminal de São Sebastiao
Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA)
Termelétria Cubatão (UTE Euzébio Rocha)
Torre Valongo – base administrativa da Petrobras em Santos
Terminal de Pilões

Leia também:  Um mês depois: São Paulo no epicentro do surto de Coronavírus

Mato Grosso do Sul
Termelétrica de Três Lagoas (UTE Luiz Carlos Prestes)

Paraná
Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)
Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)
Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FafenPR/Ansa)
Terminal de Paranaguá (Tepar)

Santa Catarina
Terminal de Biguaçu (TEGUAÇU)
Terminal Terrestre de Itajaí (TEJAÍ)
Terminal de Guaramirim (Temirim)
Terminal de São Francisco do Sul (Tefran)
Base administrativa de Joinville (Ediville)

Rio Grande do Sul
Refinaria Alberto Pasqualini (Refap