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As rupturas das barragens das mineradoras é o retrato de um país: enquanto a multinacional Vale leva o minério e o lucro, deixa para trás a morte de pessoas e do meio ambiente. Por que essa tragédia mostra o que é o Brasil?

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Por: PSTU Brasil

As rupturas das barragens ocorrem porque a Vale não investe em segurança, para aumentar o lucro dos acionistas à custa da morte das pessoas. Esse mesmo motivo explica o desabamento de pontes e viadutos país a fora; o desemprego recorde; o desabamento de edifícios; a morte de centenas nas filas dos hospitais públicos; o corte nas verbas das universidades paralisando pesquisas; a insegurança pública e as chacinas; as enchentes que matam pessoas e mostram o caos da infraestrutura urbana.

Já não é somente o futuro incerto que paira sobre a vida das pessoas, mas a sua própria sobrevivência em meio a um caos. O que aparece como caos ou desordem tem uma causa profunda: a falência do sistema capitalista que já não consegue garantir sequer as condições de sobrevivência da maioria da população. No Brasil, isso se agrava pela subordinação da classe dominante ao capital financeiro internacional.

A sensação de que o país retrocede é pura realidade. Há 30 anos, o Brasil exportava produtos industrializados. Hoje, igual aos tempos da colônia, especializou-se na exportação de soja, minério de ferro e carnes, que não garante emprego para a maioria. Enquanto as cidades vão caindo aos pedaços, desabando na cabeça do povo, um punhado de capitalistas parasitas ganham rios de dinheiro.

Quem está trabalhando é submetido a uma exploração brutal, com rebaixamento de salários e mais horas de trabalho. Mas isso não é suficiente para aumentar o lucro de capitalistas. Por isso, a ordem que vem lá do imperialismo é para saquear tudo e destruir o país.

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SÓCIO-MENOR

Um degrau abaixo

No gráfico abaixo, você pode ver a decadência da indústria brasileira: como sua participação na indústria mundial vem retrocedendo muito rápido, ao mesmo tempo em que a exportação da agroindústria se acelera. As multinacionais que puxavam o investimento na indústria nacional se deslocaram para a Ásia, e as que aqui ficaram impõem a importação de insumos para produzir e produzem com tecnologia que substitui os trabalhadores por máquinas cada vez mais modernas.

O capital financeiro internacional reservou ao Brasil outro papel no mercado mundial: ser exportador de produtos em recursos naturais. Os governos de FHC, Lula e Dilma não somente aceitaram essa localização como a impulsionaram. Por isso, deram rios de dinheiro à JBS, aos plantadores de soja e isenções de impostos para montadoras.

Aumentaram a subordinação do país e sua dependência. Quando os preços dos produtos primários estavam altos, dava a aparência que o país se desenvolvia. Puro engano: não existe país no capitalismo que se desenvolva sem uma indústria forte. Com a desaceleração da economia capitalista na China, os preços dessas mercadorias despencaram, e o Brasil entrou numa recessão da qual até agora não consegue sair.

O rebaixamento do Brasil é imposto pelos Estados Unidos e foi aceito pela classe dominante brasileira porque ela entra como sócia minoritária das novas empresas que seriam o carro-chefe do capitalismo no Brasil.

BURGUESIA BRASILEIRA

Uma classe dominante submissa e covarde

Os donos da Vale mostram toda a covardia da classe dominante brasileira. Estão dispostos a vender o país e jogar a população na lama, contanto que ganhem rios de dinheiro. A Vale era uma estatal. Quando começou a ter muito lucro, foi privatizada, ou melhor, entregue de bandeja aos tubarões de Nova Iorque.

Hoje, eles têm 51% das ações contra 21% dos capitalistas brasileiros. Mais da metade do lucro extraído das minas brasileiras é enviado ao exterior. Aqui fica só a morte e a destruição.

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A trajetória da Vale reflete o que ocorre no país: o Estado constrói uma empresa com o dinheiro dos impostos pagos pela população. Quando a empresa começa a ter lucro, eles vendem a preço de banana. E se o lucro for muito grande, a maior parte vai para o capital internacional, enquanto a burguesia nacional recebe sua parte como sócia minoritária.

Buscas em Brumadinho (MG). Foto Romerito Pontes

MARCHA A RÉ

Estancamento e retrocesso

O capitalismo brasileiro não sai da recessão porque é subordinado ao imperialismo. Com a paralisia dos investimentos das multinacionais e com os preços da agroindústria mais baixos, o lucro dos grandes empresários é menor no período recessivo.

Se não há lucros aumentando, eles não investem e não precisam de novos trabalhadores para explorar. Tudo indica que estamos diante da mais longa recessão do capitalismo brasileiro.

Isso significa que a arrecadação do Estado vem diminuindo, enquanto a falsa dívida pública aumenta. Os investimentos nos serviços prestados à população são paralisados, e o que já era ruim fica ainda pior.

O país vai retrocedendo em tudo. Quem sofre com isso é a população trabalhadora e sem emprego. Os bairros são inundados pelas tragédias da falta de investimento na infraestrutura urbana, no transporte ruim e caro, na falta de moradia e saneamento básico.

UMA DÍVIDA FALSA

Dívida pública é saque do orçamento

Para aumentar o lucro sem investir, começaram com a reforma trabalhista. Obrigam as pessoas a trabalharem mais com menos salários e menos direitos. Querem eliminar todos os direitos trabalhistas e acabar com a carteira de trabalho. É isso que significa a tal da carteira verde e amarela de Bolsonaro. A ordem é terceirização para todos.

Além disso, tem o saque do Estado por meio do pagamento da dívida pública, uma dívida falsa que já foi paga dezenas de vezes.

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Esse roubo dos impostos, pagos pela maioria da população trabalhadora, é a forma como os grandes bancos nacionais e estrangeiros levam o dinheiro da maioria do povo. Mas como a crise se aprofunda e tem menos dinheiro de impostos, eles agora querem levar também a Previdência pública.

Entregando tudo
Não fica por aí. A venda dos campos de Libra do Pré-Sal por Dilma foi somente um tira gosto do que viria pela frente. Bolsonaro prepara a entrega das refinarias e a diminuição da produção de combustíveis num país autossuficiente. Faz isso para que os produtos derivados sejam importados dos EUA. Isso representa o fim de uma longa pesquisa científica sobre refino e extração do petróleo desenvolvida pela Petrobras.

Roubo de terras

Na medida em que os preços dos produtos agrícolas exportados baixam, os empresários não vão querer investir no aumento da produtividade para aumentar a produção na mesma área plantada. Querem terras novas, frescas e férteis. Expandem a fronteira agrícola, destruindo o que resta do cerrado e entrando na Amazônia.

A consequência é a expulsão e o assassinato de camponeses, quilombolas e indígenas, acabando com a possibilidade de que a biodiversidade da região seja cientificamente conhecida.

Chegamos a um estágio na crise do capitalismo brasileiro em que o lucro é sinônimo de destruição. Não existe regra para saqueadores, além do roubo puro e duro.

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