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Nas PASO (Eleições Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias) Macri recebeu uma surra que o deixou “tonto”. Uma diferença de mais de 15 pontos com Alberto Fernández o deixou praticamente sem chances de um segundo turno e longe de qualquer disputa. De fato, Macri não pode governar o país.

Por: PSTU-Argentina

Não somos só nós que dizemos isso, milhões de trabalhadores sentados à mesa familiar dizem o mesmo. E não só eles. Também diz o FMI, o “círculo vermelho” do poder, os editorialistas, consultores, partidos e dirigentes de todo tipo, etc.

Por isso as declarações e a mobilização do 24A passado, para recuperar em outubro são só para poder conseguir o objetivo de chegar a dezembro e negociar a impunidade para o dia depois de deixar a Casa Rosada.

Isto ele pode fazer porque em que pese estar encurralado, com um governo que estava por um fio após a crise desatada em11 de agosto, Macri ainda não caiu. Quem o sustenta? Quem deixa que persistam estes ataques brutais contra os trabalhadores quando outubro está longe e dezembro muito mais?

A resposta é evidente: Alberto Fernández, Cristina e a Frente de Todos, os grandes ganhadores das primárias. Para além de suas intenções, são os que agora têm o poder real na Argentina, e junto com o FMI, os partidos patronais, os sindicatos e as organizações sociais afins garantem a paz social e prolongam a fome, a miséria, as demissões e suspensões para conseguir esta transição do ajuste.

 BANCOS, EXPORTADORES E AS LELIQS FORAM OS QUE PROVOCARAM A CRISE

As Letras de Liquidez (Leliq) foram criadas pelo governo macrista em janeiro de 2018 para beneficiar seus sócios financeiros, captando pesos do “mercado” e evitando que fossem ao dólar. São de prazos mais curtos (7 dias) e exclusivas para que somente os bancos tenham acesso beneficiando-se com taxas de mais de 70%. Um negócio com ótimo resultado bancário, já que captam dinheiro por Prazos Fixos com 40 e 50% e o colocam a taxas 30 pontos mais altas com lucros colossais.

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Após as PASO, as Leliqs que estavam vencendo totalizavam $257 bilhões e o Governo só pôde renovar uma parte. Onde pensam que foram parar os pesos da diferença que dispunham os bancos? Obviamente no dólar, levando a divisa a mais de $60.- por dólar. Em apenas uma semana, houve uma fuga de mais de 15 bilhões de dólares das reservas do país. E é seguro que grande parte do endividamento feroz durante o macrismo financiou a fuga de capitais dos banqueiros e das multinacionais. Esta é a razão principal que explica outra imensa desvalorização.

Novamente os bancos e especuladores financeiros, com a aprovação de Macri e Fernández, fazem outro negócio milionário à custa dos trabalhadores e do povo, que deverão suportar uma inflação que chegará, com sorte, até 60% anual ou mais.

Tradução: Lilian Enck