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O macrismo sofreu uma derrota esmagadora. A classe trabalhadora e os setores humildes, juntamente com a classe média empobrecida, votaram maciçamente para expulsá-lo, com mais ou menos confiança nos Fernández. Ele não tem mais a capacidade de governar.

Por: PSTU-Argentina

Diante disso, o dólar disparou, as ações de empresas (multinacionais e nacionais) operando na Argentina caíram e a feroz remarcação de preços começou. Atrás virá outro tarifaço e uma nova espiral inflacionária.

Acontece que tanto o FMI quanto os mesmos “mercados” estavam artificialmente sustentando a economia doente, para tentar colaborar com a candidatura de Macri. Antes de sua derrota, o “salve-se quem puder” e a fuga do capital começaram. O Banco Central continuará oferecendo dólares, que vão continuar saindo do país. A hipoteca via durar décadas.

Isso é produto de que o “mundo não confia nos Fernández”, como disse Macri? Não. O próprio Alberto Fernández disse dias atrás que “o valor do dólar estava atrasado”. Os mercados deram atenção.

Macri, em seu discurso, reafirmou o rumo econômico. Daqui até dezembro (data de entrega da presidência), o país e nosso povo sofrerão um ataque brutal que reduzirá ainda mais seu padrão de vida. Mais fome, desemprego e miséria. Não podemos permitir que o cadáver de Macri destrua o pouco que resta!

Macri tem que ser derrubado já!

Se ele fica, todos os dias veremos novas fábricas fechadas, mais desemprego, preços e taxas violentas, as reservas cairão e as dívidas com o FMI vão crescer. O desastre será enorme. É necessário derrubá-lo. Temos que ir às ruas pedindo sua renúncia! Como em 18 de dezembro de 2017, a caminho de um novo Argentinazo como 2001!

A CGT e os sindicatos têm que romper seus acordos com a patronal e o governo, declarar uma greve geral e um plano de luta para acabar com essa situação. E convocar uma mobilização para a Plaza de Mayo.

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Plano econômico operário de emergência

Os trabalhadores têm que sair em defesa do nosso povo, das nossas famílias. A CGT, a CTA e todos os sindicatos têm a responsabilidade de formular um Plano Econômico de Emergência que enfrente essa situação.

1) Proibição de demissões e de fechamento de empresas. Apoio a todas as lutas contra as demissões.

2) Aplicação da Lei do Abastecimento, para que os alimentos chegue a um preço congelado para o povo. Congelamento de tarifas por um ano. Proibição do corte de serviços essenciais para famílias trabalhadoras.

3) Aumento salarial geral e cláusula de indexação mensal de acordo com a inflação real.

4) Intervenção e nacionalização de bancos e estruturas financeiras, para impedir a fuga de divisas.

5) Congelamento dos pagamentos da dívida externa e rescisão de todos os acordos com o FMI. Dinheiro para as pessoas, não para os usurários.

6) Liberdade para Daniel Ruiz, Milagros Sala e todos os prisioneiros por lutar. Chega de perseguição a Sebastián Romero e outros processados

Greve Geral e plano de luta

Este programa de emergência, que inclui a saída de Macri, deve ser imposto por meio de uma greve geral e um plano de luta. NÓS NÃO PODEMOS DEIXAR QUE OS GRANDES CAPITALISTAS SE  BENEFICIEM ÀS NOSSAS CUSTAS. As centrais sindicais precisam convocar um Congresso operário e popular para enfrentar a crise, elaborar um Plano Econômico de Emergência e impô-lo com a luta.

Tomar o destino em nossas mãos

Não podemos esperar que líderes políticos e sindicais façam o que não fizeram até hoje. De cada empresa em conflito, de cada fábrica que fecha ou despede, a partir de cada bairro que luta pela moradia, contra o tarifaço ou por comida, temos que fazer assembleias, organizar, mostrar solidariedade com os trabalhadores em luta, e reivindicar a CGT e os sindicatos – que pouco e nada fizeram para confrontar Macri antes – que pelo menos agora enfrentem a catástrofe.

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É necessário sair às ruas , como fizemos naquele heroico 18 de dezembro de 2017, quando defendemos nossos aposentados e começamos a derrotar Macri: TODOS ÀS  RUAS PARA DERRUBÁ-LO. As organizações sociais, sindicais, estudantis, políticas, temos que marcar uma data para uma grande mobilização na Plaza de Mayo para expulsá-lo.

POR UMA SAÍDA DOS TRABALHADORES: NÃO PODEMOS ESPERAR ATÉ DEZEMBRO

Mas Macri não pode governar um único dia, se ele não tiver o apoio de Alberto e Cristina. Eles têm o poder de segurá-lo ou fazê-lo cair. Exigimos que os vencedores da eleição reivindiquem a renúncia imediata do governo. Se Macri chegou até aqui, é porque a oposição e a CGT se recusaram a derrubá-lo antes. E se continuar até dezembro, será culpa deles. No entanto, Alberto Fernández já disse que Macri deve continuar até o final do mandato. Nós não podemos aceitar isso! FORA MACRI JÁ.

Exigimos a saída de Macri, não porque acreditamos que um novo governo Kirchner vá resolver nossos problemas. Apenas um governo dos trabalhadores, baseado em suas organizações democráticas de luta, pode tomar as medidas de fundo e definitivas que os trabalhadores precisam. É um debate que vamos continuar até as eleições, e depois também.

Mas a queda desse governo pela mobilização nos deixará em melhores condições para enfrentar o que está por vir, a necessidade de romper com o Fundo e enfrentar todos os ataques que ele quer impor ao nosso povo.

Tradução: Nea Vieira