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A derrota esmagadora de Macri abriu uma nova conjuntura política, desencadeando uma crise que ainda está em curso. Através das urnas, os trabalhadores e o povo disseram que Macri tem que sair, não se importando muito se era uma eleição primária (prévias).

Por: PSTU Argentina

A raiva acumulada se expressou em milhões de votos nas listas de Alberto Fernandez e na Frente de Todos, que foi a ferramenta escolhida para atingir o governo, com maior ou menor expectativa. Algo previsível que não deixa de ser um problema para os trabalhadores, e que já está começando a ser colocado em prática, com o papel que eles estão cumprindo, chamando a sustentar Macri até dezembro, enquanto a situação dos trabalhadores não pode mais ser suportada.

Lavagna e o Consenso Federal ficaram para trás depois do seu boom inicial, ficando como terceira força com pouco mais de 8% dos votos. Também conseguiram superar as PASO[1], com resultado perto de 2%, o Despertar (Frente de Partidos) com José Luis Espert (com um resultado muito menor do que o esperado) e o NOS (Frente de partidos) de Juan José Gomez Centurión, apoiado pelas igrejas evangélicas que organizam a campanha dos lenços azuis que lutam para manter o aborto na clandestinidade.

A FIT UNIDAD ficou como a quarta força nacional com um resultado próximo a 3% dos votos, e será a única proposta política que levanta a independência de classe e a ruptura com o FMI nas eleições de outubro.

TCHAU MACRI

Os números foram contundentes. Macri perdeu em todo o país, só conseguiu ganhar na província de Córdoba e na Capital, mas reduzindo significativamente a diferença de votos. Nos bairros operários, a diferença foi abismal, com verdadeiras surras que, em alguns casos, excederam a diferença de 40%%. E, por sua vez, também perdeu nos setores médios, o que não lhe dá chance de superar isso até outubro.

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As pesquisas pagas, a grosseira campanha da mídia de massa e a pressão do mercado não adiantaram. Até arrastou para a derrota catastrófica a governadora de Buenos Aires María Eugenia Vidal, supostamente a figura com a melhor imagem do macrismo, que obteve pouco mais de 33% dos votos contra 50% de Axel Kicillof.

Ficou confirmada a disposição dos trabalhadores e do povo de derrubar o governo, e a impossibilidade deste de continuar governando.

OS FERNANDEZ E A CGT FORAM AO SALVAMENTO DA “TRANSIÇÃO”

A desvalorização e o ajuste programados para depois de outubro foram antecipados abruptamente e os mercados marcaram seu espaço para jogar a crise nas nossas costas.

Diante disso, Fernandez já disse que parece razoável que o dólar vá para 60 pesos. E disse que seria o principal defensor de que Macri fique até dezembro. Algo similar disse a CGT e foi vergonhoso ver os dirigentes chamando a não se mobilizar diante desta brutal desvalorização de nossos salários e dessa nova corrida de preços que começou nesta semana.

A campanha do PSTU e da FIT Unidad alertando que a Frente de Todos não era uma saída favorável para os trabalhadores já começa a ser demonstrada nos fatos.

Não é algo novo, porque ficou evidente que Macri conseguiu chegar até aqui, aplicando seus ajustes, pela cumplicidade dessas direções políticas e sindicais que, em sua maioria, replicam ao lado dos vencedores nessas PASO.

E depois de domingo, Macri só se sustenta porque os Fernandez e o FMI querem que ele fique para que possa fazer o trabalho sujo e implementar, ainda mais, os ajustes sobre os trabalhadores antes de sair sem ter que começar, eles mesmos, a mostrar sua verdadeira cara com ajustes e começar a perder a base social que votou neles com alguma expectativa.

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Cada dia a mais com Macri no governo será um respiro para os que querem os ajustes e um maior sofrimento para a família trabalhadora. Como sempre, será nossa luta nas ruas que pode conseguir derrotar essa manobra antioperária, e é agora que isso está em jogo.

Ao contrário do que pensam os PJ e os traidores dos dirigentes sindicais, o movimento operário e popular deve ganhar as ruas para defender suas condições de vida e assim frear esse saque dos bancos e dos patrões, derrubando o governo e o FMI. Só assim teremos melhores condições para preparar a batalha que está chegando e dar uma saída operária e popular para a crise.

[1] Eleições primárias, também chamadas Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASO)

Tradução: Lena Souza