Como se já não bastasse a atuação nefasta do incompetente governo do presidente Filipe Nyusi da Frente de Libertação de Moçambique – FRELIMO, os desastres naturais continuam a destroçar Moçambique.

Por: Américo Gomes

O povo ainda não se recuperou do ciclone Idai, e o país agora foi atingido pela tempestade mais forte já registrada em sua história: o ciclone Kennetha, com ventos contínuos de 225 quilômetros por hora e rajadas de 270 quilômetros por hora. Isso provocou pelo menos mais um morto oficial, na cidade de Pemba, norte do país.

Mas os estragos, novamente, são elevados: casas destruídas, levadas pelo vento e famílias ao relento no arquipélago das Quirimbas, na ilha do Ibo (com famílias deixadas sem comida ou abrigo), distritos do continente de Quissanga, Mucojo, junto à costa, e Macomia, um pouco mais para o interior, onde 80% dos lares foram destruídos ou parcialmente destruídos e vivem mais de 90 mil pessoas, segundo o Unicef.

A meteorologista Eric Holthaus, que trabalhou muitos anos no leste da Africa afirma que “Em todo o mundo, as chuvas estão ficando mais intensas” e que são causadas pela mudança climática.

As consequências são o aumento de doenças como cólera e malária, assim como da fome, já que o Kenneta atingiu o pico da safra, o que significa um período de seis meses sem comida.

Não são apenas os efeitos imediatos de alguém perder sua casa, são também os efeitos de longo prazo, do aumento dos preços dos alimentos e a falta de uma colheita para os agricultores“, disse Matthew Carter, da Cruz Vermelha. “O que essas pessoas vão comer nos próximos três a seis meses?”

Moçambique teve de contrair um empréstimo de US $ 118 milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional só por causa dos estragos do Idai. Mais uma demonstração escandalosa de como atua o imperialismo. Depois de séculos de exploração e colonialismo na África ao invés de envio de “doações de emergência” seus banqueiros garantem empréstimos.

Para fazer uma comparação, em menos de 24 horas a França arrecadou 2 bilhões em doações para reconstrução da Catedral de Notre Dame.  A mesma França que desde 1957 (ou seja, depois da independência), cobra de suas ex-colônias milhões de suas reservas e depósitos bancários para administrar o franco CFA e vende milhões em armamentos militares. A mesma França de Emmanuel Macron que reprime violentamente os Jalecos Amarelos e não satisfaz suas reivindicações.

Assim atua o imperialismo, para “os seus” doações caridosas. Para os trabalhadores, repressão e, para a África, empréstimos, dívidas, fome e miséria.

Temos que ajudar nossos irmãos na África, com doações e solidariedade, mas também lutando contra seus governos corruptos e os governos imperialistas que ainda são seus opressores.