Policiais que pouco se lembram, que não viram nada do denunciado. Um Procurador sem provas que apesar da sua alegada “convicção” do uso de um “morteiro” nunca pediu uma perícia para provar e um Juiz que foi cúmplice da grotesca farsa que deveria declarar nulo o julgamento.

Por: PSTU-Argentina

Na última audiência desta segunda-feira, dia 2, o Ministério Público apresentou como testemunha um Delegado de Polícia de Unidade que participou da repressão ao 18D, e seu depoimento foi mais uma verdadeira fraude com as já que estamos acostumados. Outro policial que não lembra, que não viu “isto” nem viu  “aquilo”, policiais que leram seus depoimentos porque foram tão armados que temem errar,  “testemunhas” da chamada Ouvidoria, que é preciso esclarecer, faz exatamente o contrário, eles não podem dizer que viram outra coisa a não ser a repressão brutal por parte da polícia, etc.

Conclusão? Não há uma única prova até agora. 13 meses de prisão sem poder justificar. Se já têm a resolução do julgamento que digam, o palco político dessa farsa está muito evidente. E se não a têm, o que se mostra audiência atrás de audiência, o circo montado, que o Juiz Ríos, atualmente responsável, declare a anulação deste processo.

Em uma antecipação, o Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, o Ministério Público e em particular Maximiliano Russo pedem que Sebastián Romero seja julgado por enfrentar a repressão do 18D. Russo é um policial que denuncia lesões, mas como com certeza vai acontecer, os horários não vão coincidir e ele não vai se lembrar de detalhes.

Apesar da demonização de Sebastián pelo fato de se defender, ninguém mudará nossa convicção de resistir e exercer a legítima defesa diante da repressão que o Estado exerce para avançar com o roubo, o ajuste e a entrega do país. E assim como no julgamento de Daniel, o relato da suposta “arma caseira” se desfaz.

Trata-se de educar o movimento operário

Há poucos dias, um trabalhador municipal de Córdoba se defendeu da repressão policial também com fogos de artifício, vendidos livremente. O direito à autodefesa deve se tornar cada vez mais consciente e massivo. Não há julgamento justo ou justiça real, eles despejam Guernica, mas o Lago Escondido continua nas mãos de Lewis. Daniel e Sebastián vão a julgamento, mas Macri, que evadiu bilhões de dólares, reconhecido pelo Estado que era ilegal, está livre. Aceitar cortes, despejos, demissões e repressão ante qualquer protesto é tão grave quanto não nos defender.

Eles fazem suas regras, nós precisamos das nossas. Comitês de autodefesa, organização para enfrentar ajustes e coordenação na luta.

Continuaremos denunciando este Processo e cada uma de suas audiências, exigindo sua anulação. Chega dessa farsa. Liberdade para Sebastián Romero e nenhuma condenação para Daniel Ruiz!

Tradução: Lena Souza