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Após treze meses de uma intensa mobilização política do partido e da LIT-QI  junto com numerosas organizações houve um grande triunfo popular: Daniel Ruiz está em liberdade. Neste jornal, no qual não deixamos nem um minuto de exigir sua liberdade, não podiam faltar suas palavras, agora já em Comodoro Rivadavia, onde pôde visitar sua família, amigos e companheiros.

Por: PSTU-Argentina

Avanzada Socialista (AS)-Dani, Como você se sente após um ano preso? Que mudanças você vê?

Daniel Ruiz (DR)- Surpreendido pela questão econômica, tudo está muito caro. Me impactou muito que no centro de Comodoro há muitos locais fechados. A crise econômica afetou bastante e me doeu ver que em um dia de feriado muitos companheiros não tem nem uma moeda. Temos que continuar lutando, a província está em luta e muitas pessoas não receberam seu salário.

AS- Como se organizaram e o que conquistaram na penitenciária?

DR- Estive lá com um movimento genuíno de reivindicações devido à superpopulação carcerária. A partir de reivindicações pontuais um movimento genuíno começou a se desenvolver e tive a oportunidade de ser parte dele, o que fez com que minha situação melhorasse. Havia um horizonte pelo qual lutar. Conquistamos muitas coisas: em março havia só 8 companheiros afetados pelo trabalho, conseguimos mobília para o salão de visitas, que tivéssemos mais tempo nesse espaço, que todo o pavilhão fosse pintado e que as instalações elétricas fossem melhoradas. Vamos continuar lutando pelas reivindicações dos companheiros nas penitenciárias.

AS- Como você viu a campanha nacional e internacional por tua liberação e que perspectivas você vê para o julgamento?

DR- É impressionante tudo o que foi feito. Dava muita força saber que não estava sozinho. A grande campanha que oi feira pela LIT e a Rede Sindical Internacional nos deu mais força. Aqui a campanha não foi levada só pelo PSTU, minha família e amigos,  como também organizações foram se somando, organismos de Direitos Humanos, sindicatos, organizações estudantis e movimentos sociais. Pouco a pouco foi conseguindo uma força que acabou pressionando para que eu fosse libertado. O que nos resta, não apenas daqui até o julgamento (que foi postergado para 25 de novembro), é ir construindo estes laços que são os princípios do movimento operário em toda sua história. O que temos que derrotar é o estado capitalista, que nos governa e suas instituições. Com o estado capitalista, para os trabalhadores, só há fome, desemprego, morte e prisão. A partir daí construir uma organização de luta dos trabalhadores, um partido revolucionário de acordo com as necessidades históricas que a classe tem, operária em nível mundial.

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AS- Quer fazer algum comentário sobre as rebeliões populares que estão surgindo?

DR- Tanto no Equador como no Haiti há uma situação de protesto, e também em Hong Kong. Quero destacar a força que os povos que se revoltam dão, mas também vejo que há muitas detenções e mortos, nós trabalhadores temos que nos defender e dar um passo a mais. Não é suficiente só marchar. Os sindicatos tem que começar a votar para que seus membros comecem a se defender. O 18 de dezembro demonstrou o que os políticos que representam a classe capitalista estão dispostos a fazer: repressão, prisão, perseguição. Temos que discutir a necessidade da autodefesa e isso tem que ser parte dos sindicatos. Aquele que vai à luta e não instrui isso, está deixando os trabalhadores enfraquecidos e temos que ganhar, não sair enfraquecidos.

AS- Você é candidato a deputado nacional pela província de Chubut. Que tipo de campanha eleitoral vão enfrentar?

DR- Sempre a serviço das lutas. Não queremos ter deputados só por querer ter deputados. A campanha está a serviço de que a principal luta do povo chubutense seja vitoriosa. É verdade que a burocracia petroleira enviou bandidos. Mas também é verdade que a direção do MUS também não está organizando os trabalhadores, porque tem que tirar Arcioni, enquanto estiverem ele e a patota, tem que tirá-los. Os dirigentes sindicais não vão a fundo com a reivindicação. A campanha estará a serviço disso. Somos claros com os trabalhadores de que a tarefa principal é a vitória dos estatais de Chubut e para que triunfem Arcioni tem que ir embora e refundar a província sobre outras bases, essa é a tarefa central e é o combate que temos que dar. Desde já agradecendo o apoio pela minha liberdade e pedindo para libertar os outros presos políticos como Milagros Sala ou Jones Huala.

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AS- Quer deixar alguma mensagem para os leitores de Avanzada Socialista e para Sebastián Romero?

DR- Em relação aos leitores de nosso jornal, dizer-lhes que continuem colaborando, que assinem. O jornal revolucionário tem que ser uma ferramenta e um guia, não só para saber de uma ou outra luta, mas para nossas próprias lutas, em uma escola, em um bairro, em um sindicato. O jornal tem que servir para isso e se nos falta melhorá-lo, que nos digam, falta aqui, falta isto e com a participação de todos construir uma ferramenta que é a única que nos pode fazer avançar. Ficou demonstrado que a grande mídia mente e faz uma campanha, mas nós também temos nossa ferramenta e podemos construir a partir disso.

Quanto a Seba, onde estiver, e à sua família toda a força e apoio incondicional, dizer-lhe que fique tranquilo que já não vão pressioná-lo com minha detenção. Continuaremos lutando para que a perseguição acabe e dizer-lhe que agora tem um soldado a mais, que sou eu, lutando do lado de fora para acabar com sua situação e possa estar com os seus e decida como continuar. Estou grato a ele porque foi o ícone da ação do dia 18. A mim coube lutar para que continuasse livre e onde for preciso aí estarei. Orgulhosamente lhe digo que o fiz por ele. Agora é festejar e continuar lutando por ele, logo estaremos juntos.

Tradução: Lilian Enck