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Aos trabalhadores e ao povo. Às organizações operárias e populares. Às federações e entidades internacionais.

Por: Daniel Ruiz

Meu nome é Daniel Ruiz, desde o dia 12 de setembro estou na prisão pelo simples fato de me manifestar em dezembro passado contra a Reforma Previdenciária e Fiscal, promovida pelo Governo Nacional de Mauricio Macri.

Minha detenção em 12/09 responde a um único objetivo: criminalizar as lutas sociais, que os trabalhadores vivam com medo. Por essa razão o governo e seus tribunais escolheram essa data para a minha detenção, no “Dia Nacional de paralização da ATE” (Associação dos Trabalhadores do Estado).

Eles pensaram que me manter como refém iria intimidar os trabalhadores.Quão errados eles estão! Por se tratar de um governo de empresários, administradores de empresas e gerentes subestimam o operário. Não só ninguém se intimidou, como foi uma das paralizações gerais mais fortes, com mobilização e piquetes em todo o país e muitos deles reivindicaram a minha liberdade.

Como eles subestimam ao povo! Continuamos de pé e essas ações me deram mais força para continuar nossa luta contra a fome em todos os lares.

Não foi o suficiente perseguir Sebastián Romero, prender e processar Arakaki e Ponce, extraditar Jones Huala, manter Milagro Sala como refém, perseguir e processar sindicatos e dirigentes sociais como Juan Grabois, assassinar Santiago Maldonado e Rafael Nahuel pelas costas.

Me mantêm na prisão, prendem por 200 mil pesos porque “o juiz tem convicção e continua a investigar”, economizo o trabalho aos cavalheiros de gravata que seguem ordens do poder de turno.

Sou de Comodoro Rivadavia, nascido e criado lá, onde o petróleo foi descoberto em 1907 e quase 40 anos se passaram para que o Estado Nacional pagasse royalties por todo o petróleo que levaram, royalties que são de apenas 12% e que durante os primeiros 40 anos anos de saque de nossos recursos, o Estado nacional e as multinacionais não pagaram um centavo, isto é, nos devem 40 anos de royalties!

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Juiz Torres: fui para a Escola Secundarista 731 e como não tinha nome, os alunos decidiram votar para dar-lhe um nome e, entre os nomes propostos, ganhou por maioria “Gran Malvina”, em homenagem aos nossos direitos soberanos sobre nossas Ilhas Malvinas. Lógico, você não olhou para isso, porque na linha do Presidente Macri, você desistiu da luta para recuperá-las e homenageiam os piratas.

Toda a minha vida trabalhei e quando o barril de petróleo chegou a 8 dólares, juntamente com meus vizinhos e os trabalhadores petroleiros desempregados, fundamos os movimentos piqueteros para ter trabalho genuíno.

Saiba sr. Torres que entre 1998 e 2002, com a luta, conseguimos 1800 postos de trabalho na Bacia do Golfo de San Jorge. Isso foi conseguido com união, solidariedade e organização e saiba que foi assim que entrei na indústria petroleira, da qual tenho orgulho de ser um trabalhador, delegado sindical e acima de tudo amigo e companheiro dos meus pares da classe trabalhadora e que cedo ou tarde teremos que impor um novo sistema político, econômico, científico e social, onde as principais alavancas da economia sejam controladas pelo operário, pelo bem-estar e desenvolvimento dos setores comunitários e populares.

Se continua esse capitalismo selvagem, devemos construir nosso socialismo internacional.

Da minha cela eu só tenho gratidão por tantas expressões de apoio e solidariedade, tanto no meu bairro, escola, cidade, quanto no país e no mundo.

Agradeço à minha família, ao meu partido o PSTU, à LIT, às organizações, aos meus advogados, mas especialmente àqueles trabalhadores que assinam minha petição, especialmente meus antigos petroleiros da Bacia do Golfo de San Jorge.

A quase 100 anos da primeira greve petroleira. A quase 100 anos da greve dos peões rurais. A quase 526 anos do genocídio dos povos originários!

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Continuamos resistindo! Fora Macri!

As Malvinas são argentinas!

Por um governo operário e popular!

Filha: em breve nos veremos em casa!

Atentamente

DANIEL RUIZ

27020957

Preso político por lutar

2 de outubro de 2018

Tradução: Nea Vieira