COMPARTILHAR

Foi apresentada a Frente de esquerda e dos Trabalhadores – Unidade, a FIT mais o MST, Poder Popular e nosso partido. Na conferência de imprensa, foi aclamada a candidatura a deputado por Chubut de nosso companheiro Daniel Ruiz. O canto “Liberdade, Liberdade, aos presos por lutar” foi o momento mais entusiasta.

Por PSTU-Argentina

A FIT será a ferramenta para a batalha eleitoral contra o governo e contra a fórmula Fernández-Fernández. Defende a independência operária contra as alternativas patronais, e coloca no centro de seu programa a necessidade de deixar de pagar a dívida externa como condição para avançar em uma saída operária à crise.

Temos diferenças com os demais partidos de esquerda que compõem a Frente. Não vamos ocultá-las. Mas a unidade é um avanço que permite uma melhor resposta nestas eleições.

Derrotar Macri, enfrentar uma nova frustração peronista

O FMI aperta, e Macri obedece e ajusta. O próximo governo, seja qual for, fará o mesmo se não romper com o Fundo e deixar de pagar a dívida. Não haverá “renegociação” que valha a pena, porque isso requer o acordo do FMI. E o FMI nunca aceitará renegociar em favor do povo argentino.

A maioria da classe operária votará pela fórmula F-F. Em primeiro lugar, porque não suporta mais o macrismo, e quer derrotá-lo nas urnas. Em segundo lugar, porque tem alguma expectativa em recuperar algo do que perdeu, manter ou recuperar o emprego e o salário, ou defender suas conquistas.

Respeitamos essa opinião, mas não a compartilhamos. F-F já disse que honrarão os acordos com o FMI e nada dizem de nacionalizar as empresas de serviços ou expropriar empresas que fecham. Tampouco comprometeram-se com a reivindicação do aborto e demais direitos da mulher. Ao contrário, querem manter tudo como está. Isto é, seu programa é administrar a crise, não mudar profundamente as coisas.

Leia também:  O PSTU exige seu direito a réplica: La Nación e #LANATA se somam à campanha de mentiras contra Daniel Ruiz

Propomos aos trabalhadores, mulheres e jovens uma saída operária e socialista, de independência nacional e defesa das liberdades democráticas. Debateremos este programa com nossos companheiros em cada fábrica ou empresa, escola, universidade e bairro. Será uma campanha para semear a consciência de que existe outra saída. E para preparar-nos para a decepção que, seguramente, sofrerão esses milhões que votarão em Cristina e Alberto Fernández.

Chamamos com força a votar na FIT – Unidade. E ainda que não os convençamos, lhes diremos que nos comprometemos a lutar unidos, agora e depois das eleições, para romper com o FMI, terminar com a decadência de nosso país, recuperar o emprego e o salário, enfrentar as patronais, a fome, a pobreza. Que terão em nós um companheiro de luta, votem em quem votarem.

Uma campanha diferente: operária, socialista e de combate

Faremos uma campanha para mostrar um caminho de luta revolucionária pelo socialismo. Propomos à FIT uma campanha completamente diferente às que está acostumada. O programa socialista deve estar acompanhado por uma explicação constante de como alcançar esse programa.

Dizer com clareza que não serão as eleições a maneira de tirarmos de cima a exploração e a humilhação que sofremos. Que temos que derrotar toda esta forma podre de fazer política a que chamam de “democracia”.

Que isso só pode se conseguir com a luta, com uma revolução para derrotar o capitalismo e impor um governo dos trabalhadores, assentado na democracia direta das bases operárias. Fazer como fizeram nossos heróis há 200 anos: uma nova revolução que conquiste uma nova e segunda independência de nosso país, a liberdade para todo o povo.

Não vamos entrar na hipocrisia dos meios de difusão e seus programas políticos. Temos que aproveitar cada espaço para dizer na cara ao FMI, a todos os patrões, que a classe operária tem que se pôr de pé e acabar com eles. Que para isso, não servem suas “pacíficas” instituições, que escondem a violência dos poderosos contra os que lutam e protestam. Ou a violência da fome e da miséria.

Leia também:  Argentina | Derrubar Macri e seu governo já!

Uma campanha que reivindique a raiva dos trabalhadores, e o direito de defender nossas lutas e organizações e conquistas, com todos os meios ao nosso alcance. Se os de cima semeiam violência, os trabalhadores temos que responder-lhes. Como fizemos em 18 de dezembro de 2017 quando se meteram com nossos velhos.

A campanha de Daniel e Sebastián

Talvez a FIT não aceite nossa proposta de fazer uma campanha diferente, revolucionária, de ruptura. Façam o que fizerem, o PSTU a encarará deste modo. É a forma que os revolucionários devemos participar na democracia mentirosa dos ricos: para desmascará-la.

Na nossa boca, não serão somente palavras. Nosso partido demonstrou que banca com o corpo o que diz ou escreve. Ali estivemos naquele 18 de dezembro. E ali estavam nossos companheiros Sebastián Romero, o “homem do morteiro”, que teve que fugir para não cair nas garras da Justiça patronal. Ou Daniel Ruiz, preso há 9 meses em uma cela comum, como se fosse um delinquente quando é um lutador operário petroleiro, dirigente socialista e revolucionário.

Faremos campanha com a bandeira de Sebastián e Daniel. A bandeira que combina um programa eleitoral correto – que compartilhamos com o conjunto da FIT – com uma prática revolucionária, de combate pelas ideias que defendemos. Sebastián e Daniel será nosso programa e nossa bandeira.

Tradução: Lilian Enk