Uma série de políticos e líderes militares israelenses fizeram declarações públicas nas últimas semanas sobre a necessidade de armar o regime de Bashar al-Assad para “salvá-lo”. A possível queda do regime sírio provocaria a “desestabilização da zona”, especialmente na fronteira sírio-israelense das Colinas de Golã.

Uma das vozes favoráveis ao apoio israelense a Assad é a do General Azer Tsfrir, citado pelo Middle East Monitor1, que alertou sobre as graves consequências da vitória dos “extremistas” e a possível desestabilização da Jordânia, um dos principais aliados de Israel e dos EUA no Oriente Médio. “A vitória dos extremistas também repercutiria no equilíbrio político do Líbano”, acrescentou o general sionista.



Ainda segundo Tsfrir, Israel deve ignorar o fato de que Assad recebe apoio do Irã e da milícia xiita Hezbollah, do Líbano, financiada pelo Irã e considerada por muitos no Oriente Médio como inimiga de Israel.



O Hezbollah se transformou em uma das grandes referências para as massas árabes na sua luta contra Israel por tê-lo derrotado militarmente em dois momentos, em 1982 e em 2006,  quando o Estado sionista invadiu o Líbano. Entretanto, o Hezbollah é uma milícia fundamentalista islâmica que não propõe a transformação radical do Estado capitalista, mas sim a criação de um regime reacionário baseado em uma interpretação equivocada e extremista do islã.



Quando se trata de manter suas posições e suas zonas de influência no Oriente Médio, o Hezbollah não vacila em se aliar inclusive ao Estado genocida de Israel para derrotar um levantamento popular como o do povo sírio.



A preferência aberta de Israel por Assad vem à tona no contexto dos acordos entre EUA e Irã para estabilizar a região. O acordo cria as bases para a ação conjunta entre o Estado sionista e o regime dos Aiatolás, apesar dos ataques mútuos nos meios de comunicação. Tanto Israel como o

Irã veem com preocupação as revoluções no mundo árabe.



O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajará a Moscou na semana que vem para dialogar com o presidente Vladimir Putin sobre a decisão da Rússia de ampliar seu apoio militar a Bashar al-Assad. Depois dessa viagem, Netanyahu seguirá para os EUA, onde falará com Obama sobre este tema.



A eclosão da crise migratória na Europa, produzida majoritariamente pelos bombardeios e cercos de Assad contra a população civil na Síria, pressiona as principais potências globais a acelerar as negociações para encontrar uma solução para a guerra civil que entrou em seu quinto ano.



Enquanto isso, a luta do povo sírio continua incessantemente. Nos últimos dias, ocorreram protestos em Aleppo contra Jabbat al-Nusra (vinculada à Al-Qaeda), assim como nos subúrbios de Damasco contra o regime e o Exército do Islã. Na localidade drusa de Sweida, no sudeste do país, têm sido realizadas importantes manifestações contra o regime.



Os principais líderes políticos das potências ocidentais utilizam o argumento da luta contra os islamitas para justificar seu apoio ao regime de Assad. Neste aspecto, os discursos de Netanyahu e de Assad convergem para encobrir o verdadeiro motivo pelo qual podem colaborar: derrotar a luta dos povos da região contra as tiranias instaladas no Oriente Médio e no Norte da África. O Estado Islâmico e todos os grupos de ideologia reacionária devem ser derrotados. Sua derrota, no entanto, é parte da luta contra os regimes de Israel, do Irã, da Síria, da Arábia Saudita, da Jordânia, do Líbano, entre outros, e seus aliados internacionais como a Rússia, os EUA e a União Europeia.



Nota:



Tradução: Samanta Wenckstern