No dia 17 de julho realizamos o Primeiro Encontro de Mulheres Trabalhadoras da Mesa Coordenadora Sindical, cumprindo a resolução do II Congresso da MCS.

A realização do encontro configurou-se num verdadeiro sucesso, apesar de ter feito um dos dias mais frios do ano e ter chovido copiosamente durante o dia todo – 45 mulheres de 18 sindicatos, 2 organizações camponesas e 1 indígena– reuniram-se com o duplo objetivo de debater sobre a situação da mulher trabalhadora e sobre a importância de sua plena participação nas organizações sindicais.

Como primeiro ponto debateu-se a conjuntura, a situação do conjunto da classe trabalhadora e do movimento sindical e nesse contexto, o encontro de mulheres reivindicou plenamente a criação da Nova Central, da mesma forma que, também, comprometeu esforços para trabalhar a partir da base uma central que seja uma poderosa ferramenta para a luta pelos interesses da classe trabalhadora.
 
Em seguida, foi feita a análise da Situação da Mulher Trabalhadora, dos principais problemas do setor, que é o mais afetado pelo desemprego, o subemprego, o trabalho informal e a precarização com salários inferiores, além da carga da dupla jornada de trabalho e do assédio sexual nos locais de trabalho.
 
Também foram debatidas as causas desta injusta situação e que tem sua raiz na combinação nefasta de Exploração e Opressão que as mulheres trabalhadoras sofrem.  E, ainda que as mulheres se constituam no setor oprimido mais numeroso e, sejam a metade da população mundial, a opressão da mulher é uma das mais difíceis de reconhecer, porque está ‘naturalizada’. O trabalho doméstico não remunerado e reservado para as mulheres, que serve para reproduzir a força de trabalho é a principal condição material da opressão das mulheres trabalhadoras. Ainda que todas as mulheres sejam oprimidas, nem todas são oprimidas da mesma forma, os níveis de exploração determinam os níveis de opressão.
 
Como último ponto na jornada, discutiu-se a Situação das Mulheres nos Sindicatos, como as mulheres atualmente estão representadas nos sindicatos e nas diretorias, os obstáculos que as mulheres devem superar para nossa plena participação, o machismo nas filas sindicais e os desafios para a plena incorporação da mulher nos sindicatos e na Nova Central.
 
As conclusões e as propostas do Primeiro Encontro de Mulheres Trabalhadoras da MCS.
 
Reivindicações das Mulheres Trabalhadoras que devem se incluídas no programa da Nova Central
 
Salário igual para trabalho igual.
Combate permanente ao Assédio Sexual. Basta de submissão.

Contra todo tipo de discriminação (valoriza-se mais a aparência física do que o profissionalismo, por considerá-las como objeto sexual e não profissional). Basta do ambiente degradante à que a mulher é submetida.
 
Em defesa dos direitos das mulheres grávidas, pelo cumprimento irrestrito da legislação de proteção à maternidade.

Cumprimento de serviços sociais, creches e restaurantes comunitários nos locais de trabalho.
 
Para o Estatuto da Nova Central
 
Estabelecer mecanismos para garantir a participação das mulheres na nova central, na base e nos órgãos de direção.
 
Propostas para direção da MCS e a Secretaria da Mulher

Capacitação constante para todas as integrantes dos sindicatos com Programas de Capacitação para Mulheres pelo menos uma vez por mês.

Promoção do protagonismo das mulheres. Campanha de sindicalização de mulheres e promoção de companheiras aos organismos de direção.

Articular a luta das mulheres trabalhadoras com as lutas sindicais, camponesas e indígenas. Buscar a unidade para a defesa de nossos direitos.
 
Lutar contra o machismo nos sindicatos. Nossos próprios companheiros nos oprimem, é necessário lutar para dirimir este problema. Não devemos nos calar mais diante das discriminações.

Acompanhar e apoiar às mulheres que estão em cargos de direção nos sindicatos.
 
Fortalecer a Secretaria da Mulher da Mesa Coordenadora Sindical e às existentes nos sindicatos, promover a criação das secretarias nos demais sindicatos.
 
Não esquecer que nós somos a Mesa, e que devemos ser multiplicadoras e partícipes deste processo. Tomar a tarefa como compromisso pessoal para que cresça e continue.
 
Estimulemos a participação ativa das mulheres trabalhadoras, impulsionando a construção da nova central: tomemos a construção desta nova central como o espaço das mulheres e em torno da discussão da mesma, de seu programa, princípios, estatutos e organização. Incentivemos a participação das companheiras de maneira prioritária. Construamos essa poderosa ferramenta para a classe trabalhadora e que, uma de suas principais bandeiras seja a luta contra a exploração e a opressão.
 
Tradução: Érica Andreassy