Cerca de 15 coletivos de “Sans-Papiers” (entidades que defendem os migrantes que ainda não tem documentação na França), estão convocando a Marcha da Solidariedade. Os Sans-Papiers marcharão a partir de 19 de setembro dos quatro cantos do país para chegar a Paris em uma grande manifestação no sábado, 17 de outubro.

Por: Amílcar Costa, de Paris

Entre suas principais reivindicações esta a regularização de imigrantes sem documentos, fechamento de CRAs e moradia para todos.

Já em 30 de maio, milhares de “Sans-Papiers” e simpatizantes desafiaram a proibição de protestos em Paris e em várias outras cidades. Estavam juntos as milhares de pessoas protestaram contra o racismo e a violência policial.

Da mesma maneira que em 20 de junho, dezenas de milhares deles estiveram presentes em manifestações em Paris, Marselha, Lyon, Lille, Rennes, Montpellier, Estrasburgo e em muitas outras cidades.

Em época de pandemia os imigrantes “Sans-Papiers”, são os trabalhadores mais explorados e em piores condições de vida, os que mais perdem os empregos e sem auxilio desemprego. São também os que mais estão sujeitos a violência policial e são detidos nos Centros Administrativos de Detenção, vivendo na rua ou em acomodações precárias e pouco higiênicas. São os que mais sentem a violência racista.

As organizações que preparam a Marcha chamam a solidariedade dos trabalhadores franceses, lembrando que uma sociedade que aceita a desigualdade de direitos, a superexploração, a repressão, o confinamento, a expulsão dos “Sans-Papiers” em nome da crise, também atacará os direitos sociais dos trabalhadores regularizados.

A Marcha partira de: Marselha, Rennes, Toulouse, Lille, Estrasburgo, Montpellier, Bayonne, Grenoble, Le Havre… e outros distritos e atravessarão o país, chegando a Paris, em 17 de outubro, para ir ao Elysée.

As últimas marchas foram muito expressivas com uma grande presença de “Sans-Papiers”, nesta há o envolvimento de varias entidades e redes sociais e o potencial para envolvimento de vários segmentos do movimento social em um momento em que as manifestações contra o racismo e a violência policial crescem no mundo todo e em uma França que vem de manifestações e greves de vários setores.