Na quarta-feira 27 de novembro, o Bloco Sindical da Mesa de Unidade Social (MUS), integrado pelas direções do NO + AFP, do Colégio de Professores, a União Mineira e a União Portuária, mantiveram uma reunião com o ministro Blumel a fim de apresentar uma lista de demandas ao governo, que inclui transformações nas aposentadorias, o salário mínimo, os serviços básicos, o transporte, uma Assembleia Constituinte, e mais direitos trabalhistas.

Por MIT-Chile

Todas estas demandas, sustentam o que a MUS reivindica como um novo pacto social. Mas, o que significa na prática um “Novo Pacto Social”?  Acreditamos que isto significa buscar chegar a um acordo com os mesmos empresários e políticos corruptos, que vem explorando e empobrecendo o povo desde a ditadura militar até a atualidade.

Portanto, é uma estratégia que tem como objetivo acalmar o protesto social buscando apaziguar sua capacidade revolucionária. É por isso que a MUS, desde a explosão social de 18 de outubro, fala de uma “crise social” e não de uma Revolução, a qual não decaiu, e mais, continua tomando formas diferentes.

É uma questão de analisar a lista de demandas da MUS, e ver que os mesmos que supostamente buscavam o fim das AFPs, nem sequer propuseram acabar com a poupança forçada dos trabalhadores e trabalhadoras nas empresas, só continuam propondo aumentar o piso de aposentadoria, desta vez no valor de 500 mil pesos, mas sem mexer com o negócio das AFPs.

Entre outras reivindicações estão o aumento do salário mínimo a 500 mil pesos, direito à educação, à saúde e à moradia, a negociação coletiva por ramo de produção, fim da repressão e gratuidade dos serviços básicos, demandas com as quais todos estamos de acordo. No entanto, a MUS, também exige do governo de Piñera uma nova Constituição, ao mesmo governo que se ampara na constituição de 1980, herdada da ditadura que permite que os empresários continuem saqueando o país e se mantenha a repressão ao povo.

Esta é a verdadeira natureza do “Novo Pacto Social”, sustentar o regime capitalista neoliberal, confiando mais em suas instituições do que na massa do povo nas ruas, assim como na numerosa e heroica primeira linha, e no conjunto das assembleias populares que se erguem e se organizam em todo o território.

Por isso a MUS pede um plebiscito para março de 2020 com Piñera na presidência, assim como os parlamentares de um setor da Frente Ampla que já concordaram com um plebiscito para abril de 2020, onde o parlamento ladrão se ou somente se, será parte da mudança de constituição, que busca sepultar a possibilidade de realizar uma Assembléia Constituinte, livre e soberana a partir das assembleias populares.

E mais, todo o povo continua gritando nas ruas Fora Piñera! por ser um empresário ladrão e um criminoso que viola sistematicamente os direitos humanos, enquanto a MUS, faz de conta que não ouve esta demanda que claramente não busca nenhum “Pacto Social” com o Governo. Portanto, sentar para conversar com o governo, é colocar-se ao lado da institucionalidade e ignorar o grito das ruas, acreditando serem representantes de um movimento totalmente superior a eles.

Neste sentido, se a MUS quer manter a titubeante representatividade que tem, deve retomar urgentemente a demanda das ruas pelo fora Piñera. Por outro lado, também, devemos promover a partir das Assembleias Populares um plano de luta, em nível nacional, para tirar Piñera, porque não podemos esperar nada deste governo a favor do povo, pelo contrário, só aumentará a raiva do povo e sua desconfiança com qualquer direção.

Ainda que queiramos toda a lista de reivindicações que a MUS propõe, exigimos muito mais: perdão das dívidas dos trabalhadores, da juventude e do Povo; fim das AFPs, expropriação do Fundo de Pensões sob controle dos trabalhadores, sistema de divisão solidária de aposentadoria, sob controle dos trabalhadores; saúde, educação e transportes públicos, gratuitos e estatais sob controle dos trabalhadores e do povo; as 10 famílias capitalistas e estafadoras dos principais grupos econômicos chilenos devem devolver tudo que roubaram; plano socialista de desprivatizações, etc.

Mas nada dessa lista de demandas, o aumento de salários, o fim da repressão, NADA disso será conquistado com Piñera na presidência e com os mesmos de sempre no governo e no parlamento.

Também queremos uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, mas para que seja verdadeiramente livre e soberana, não pode ser realizada se Piñera não cair com Julgamento e Castigo pelos seus múltiplos crimes, não será verdadeira se não libertarmos os milhares de presos por lutar nas ruas, se não julgarmos e condenarmos os assassinos do “Estado de Emergência” e os que deixaram nossos companheiros/as sem visão, ou com múltiplas feridas, etc .

Finalmente, e em virtude de todo o exposto, como Movimento Internacional de Trabalhadores (MIT), convidamos você a lutar e a organizar-se junto a nós para propormos como primeira tarefa derrubar o governo de Piñera, e exigir uma Assembléia Constituinte livre e soberana. Mas fundamentalmente, organize-se para massificar e fortalecer as Assembleias Populares e instâncias de organização dos trabalhadores, com o objetivo de assentar as bases de organismos de democracia popular e dos trabalhadores onde se decida TUDO. Assim avançaremos na luta por um governo operário e popular, conquistado mediante uma Revolução Socialista, única garantia de Poder e felicidade social para a classe trabalhadora e o povo.

FORA PIÑERA! FORA TODOS/AS!

NÃO AO PACTO SOCIAL!

ASSEMBLEIA CONSTITUINTE, LIVRE E SOBERANA, SEM PIÑERA!

VAMOS MULTIPLICAR E ORGANIZAR AS ASSEMBLEIAS POPULARES!

POR UMA REVOLUÇÃO SOCIALISTA QUE INSTAURE UM GOVERNO OPERÁRIO E POPULAR!

Tradução: Lilian Enck