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Segundo vários analistas, o capitalismo está prestes a entrar em uma das piores crises de sua história. A nuvem de uma nova recessão econômica, após a bolha de 2008 reaparecer, a guerra comercial EUA-China, a indignação com a violação dos tratados de sobre índices de desenvolvimento humano (Direitos Humanos) e a mitigação das mudanças climáticas, mostram isso.

Por: Nubia Guerrero

A greve climática global de uma parte da juventude e de um setor minoritário de trabalhadores, após fortes ondas de calor na Europa e em países como a Índia, furacões como o Dorian no Caribe, inundações e incêndios no Amazonas e na Sibéria, é uma resposta a esse cataclismo do sistema. Este é apenas o começo dos desafios que o século XXI enfrenta.

Semana combativa

De 20 a 27 de setembro de 2019, jovens do ensino fundamental e médio, pais e mães, professores, trabalhadores e setores populares (indígenas, camponeses) se unificaram no dia de luta contra a crise climática e social causada pelos governos e empresários. Mais de 5 milhões se mobilizaram em 5 continentes, mais de 140 cidades, com mais de 65 sindicatos que aderiram e mais de 820 organizações e coletivos.

Houve plantões, ocupações, protestos, mostras de arte, palestras, eventos e entrevistas, com impacto na mídia, sociedade e governos. As mulheres e jovens reivindicam, mais uma vez, a ferramenta mobilizadora da Greve, diante da prostração e arrogância dos estados capitalistas, suas burocracias sindicais e sua esquerda eleitoralista.

Nós da Liga Internacional dos Trabalhadores, participamos em mais de 20 países.

Colômbia, um grão de areia que se soma

Embora o caráter de massas com consignas radicais contra as multinacionais poluidoras e os países do G7 tenha sido levantado nos países imperialistas, com centenas de milhares de pessoas nas ruas da Alemanha e da Austrália, entre outras, nos países do Sul e na Colômbia, adicionamos nosso grãozinho de areia em cidades como Bogotá, Cali, Medellín e Cartagena.

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No dia 20, mais de 1.700 manifestantes estiveram na Praça de Bolívar para rechaçar: assassinatos de líderes sociais em meio a conflitos agrários e ambientais, Fracking e glifosato de Monsanto, a destruição da Amazônia, o Plano de Planejamento Territorial de Peñalosa , a contaminação dos operadores privados de Transmilenio e as touradas coloniais.

No dia 27 se realizou uma manifestação em frente à sede da Ecopetrol, a Agência Nacional de Hidrocarbonetos que projeta reservas de petróleo até 2025-26, antecipando a crise de royalties e emprego. É por isso que pede a entrega dos recursos naturais para o capital extrativista e para subjugar nossa agredida soberania nacional.

Reações, apaga incêndios

Como forma de conter a maré e continuar com a retórica de promessas, os governos da ONU convocaram a Cúpula sobre a Ação Climática, realizada em Nova York. Nesse evento, Greta Thunberg, uma sueca de 16 anos e líder icônica, fez um discurso de indignação:

“Os jovens estão começando a entender a  traição.” “Se optam por nos trair, nunca os perdoaremos”. “Só se importam com dinheiro e crescimento econômico infinito, como se atrevem!”, “O mundo está se levantando. E a mudança está chegando. Goste ou não”, chamando a desconfiar de políticos do sistema como Trump, Duke, Bolsonaro e Macron.

Revolução ou extinção

Até agora, não há vontade política de transitar para energia renovável, nem há vontade política do governo de reduzir as emissões de CO2 em 45% até 2030. Uma nova matriz energética implicaria diminuir os lucros que por décadas alimentaram a ganância dos ricos.

É provável que os capitalistas e seus governos fantoches continuem queimando nosso habitat, a Terra, aumentando o aquecimento global e excedendo 1,5 ° C, um limite de risco, de acordo com o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

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É preciso recordar que, contrariamente à ideologia de que todos os seres humanos são igualmente responsáveis ​​por esse problema, 100 grandes empresas são responsáveis ​​por 70% das emissões globais. São grandes empresas extrativas de petróleo, energia ou carvão e gás. Seu sistema social irracional – capitalismo – nos condena à barbárie, já falhou com nossos pais e avós, agora conosco, seus filhos.

Diante desse cenário, as gerações operárias, populares e jovens, devem se rebelar contra a desigualdade social, o colapso e a extinção de espécies, inclusive a nossa. Hoje, mais do que nunca, precisamos nos formar, politizar e organizar em partidos revolucionários antissistema, sindicatos combativos e organizações sociais, em bairros, locais de estudo e trabalho.

Não vamos nos desesperar, vamos construir um novo mundo socialista. Precisamos lutar por uma revolução que tome o poder econômico e político dos ricos. Por um governo dos trabalhadores e uma economia planejada que hoje é inconcebível sem uma perspectiva ambiental. Promover um plano de emergência contra a matriz fóssil, o caos climático e a constante insegurança no trabalho em que vivemos.

A Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI) e o Partido Socialista dos Trabalhadores da Colômbia (PST-C) se juntam a essa causa comum de um movimento pela revolução mundial. Convidamos você a se juntar a nós em seu país, contribuir e lutar juntos, na missão mais importante de nossas vidas.

Tradução: Tae Amaru