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Na noite de 21 de março, começou um protesto em 17 prisões do país. Os detentos denunciaram a superlotação de mais de 50% nos centros de detenção e as precárias condições sanitárias nas quais vivem mais de 120 mil pessoas, atualmente privadas de liberdade, além da preocupação com a chegada iminente do Covid-19 nas prisões devido a essas condições desumanas.

Por: Alonso C. H.

O protesto terminou com um massacre de 23 detentos na Prisão Modelo de Bogotá, após a intervenção do ESMAD [tropa de choque] da Polícia Nacional, o INPEC [Instituto Nacional Penitenciário] e o Exército. Só conseguimos ter conhecimento nas primeiras horas do dia 22 de Março, graças às famílias dos detidos e organizações de direitos humanos, diante do silêncio das autoridades penitenciárias, do ministro da Justiça e da prefeitura de Bogotá.

No entanto, 23 pessoas mortas e 81 feridas não foram suficientes para que a administração distrital e o  Ministério da Justiça ao menos anunciassem medidas para aliviar a situação dos detidos. Pelo contrário, eles apresentaram um relatório de guerra no qual anunciaram que não houveram fugas e que eles investigariam aqueles que tinham organizado esse protesto legítimo.

Na Colômbia, a superlotação nas prisões é para a classe trabalhadora e os pobres, porque os poucos detidos por casos de corrupção e por massacres, estão em pavilhões especiais, em mansões do estado e em guarnições militares onde vivem com luxo e conforto. Enquanto isso, as prisões estão em péssimas condições de infraestrutura, com um péssimo serviço de alimentação e com precário sistema de saúde.

Esta situação aconteceu graças à ausência de uma política criminal no país que concedeu benefícios para quem cometeu crimes contra a população, desde massacres até casos de corrupção, e endureceu as penas aos delitos menores e aos delitos políticos. Além disso, foram feitos investimentos milionários em novos centros penitenciários que apontam para o confinamento humano e não para ressocialização, enquanto a maioria das prisões permanece superlotada e até centros de detenção transitória, que se tornaram permanentes.

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Mas a resposta ao protesto da população carcerária não foi abrir espaços de diálogo para suas justas reivindicações, mas sim abrir fogo e produzir um massacre. Tardiamente, o governo de Duque declarou Emergência Prisional, que contempla apenas a saída de 10.000 detidos, deixando intacto o problema de superlotação.

Portanto, nós do Partido Socialista dos Trabalhadores, nos juntamos ao clamor das organizações sociais e defensores dos direitos humanos, de modo a exigir do governo Duque liberdade, não apenas para adultos com mais de 50 anos, mães grávidas e que estejam amamentando, mas também daqueles condenados por crimes de menos de cinco anos e  para os presos por rebelião e crimes relacionados. Da mesma forma, deve ser ativado um plano para conter a epidemia nas prisões, pois é uma população vulnerável e de alto risco.

Além disso, exigimos a formação de uma comissão de verificação independente com a participação de familiares dos assassinados, a fim de esclarecer a verdade do que aconteceu e a renúncia da Ministra da Justiça e do Diretor do INPEC ( Instituto Nacional Penitenciário) . Exigimos justiça para os assassinados e que os responsáveis ​​diretos pelo massacre, bem como as autoridades distritais e as autoridades nacionais que tomaram a decisão respondam pelos seus crimes.

Tradução: Vitor Jambo