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Enquanto vários meios de comunicação, como Clarín, estão reproduzindo sutilmente a pressão que grandes setores empresariais estão fazendo para acabar com a quarentena, Alberto Fernández declarou em uma entrevista para Perfil que preferia “ter 10% mais pessoas pobres e não cem mil mortes na Argentina”. Assim, ambos os setores inventam um debate entre saúde e economia, omitindo o mais importante: o fato de que quem cria toda a riqueza são os trabalhadores condenados a escolher entre pobreza ou doença. O PSTU propõe outra saída.

Por: Nepo

Chamando de “economia”, não a produção de bens e serviços de que a sociedade precisa para existir, mas a apropriação e distribuição dessa produção que os empreendedores fazem apenas para o seu interesse e benefício (acumular poder e riqueza enquanto o restante da sociedade empobrece); o coro de patrões, políticos, jornalistas e líderes sindicais lamentam que os trabalhadores devam ficar em quarentena. É que, ao forçar os trabalhadores a ficar em casa, a pandemia não apenas demonstrou que o trabalho humano é a única coisa indispensável para a existência do mundo atual; mas acabou com a razão de ser da patronal: a apropriação do trabalho alheio na forma de “lucro”

Por esse motivo, enquanto aproveitam a quarentena para atacar os direitos dos trabalhadores; demitir ou suspender o pessoal desconsiderando o “decreto antidemissão”, ou diminuir os salários e reter bonificações; os empresários e seus aliados estão aumentando a intensidade de sua campanha para “relaxar” a quarentena.

Mas o presidente não raciocina de maneira diferente. É por isso que existem tantas exceções ao isolamento, é por isso que permite que a distribuição de alimentos permaneça nas mãos de grandes cadeias, e é por isso que os serviços privatizados continuam faturando como se nada tivesse acontecendo. Isso sem mencionar a indiferença aos ataques dos patrões (ou diretamente a ajuda na repressão, como no frigorífico Penta ou nos detidos em San Juan).

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É que, para além das diferenças pontuais, Fernández é apenas mais um administrador da ordem social e econômica a serviço dos patrões e do capital estrangeiro; a ordem que já vinha nos matando antes e agora quer nos expor ao vírus para continuar lucrando. Assim, o que eles debatem não é “saúde ou economia”, mas quantos trabalhadores devem ser expostos à pandemia.

Como colocar a economia a serviço de nossas necessidades

Para nós, essa pandemia está mostrando que a ordem capitalista não é apenas injusta, mas também criminosa; e que é necessário substituí-la por outro tipo de organização social e econômica.

A Argentina tem capacidade e recursos para satisfazer todas as necessidades da população durante a quarentena. É o interesse dos empreendedores de obter lucros que causa pobreza e desabastecimento. Se queremos derrotar definitivamente o coronavírus e evitar as catástrofes que possam vir no futuro, é necessário nacionalizar grandes indústrias e empresas, bem como nacionalizar e centralizar bancos e o comércio exterior.

A partir daí, a produção e distribuição de bens e serviços poderiam ser planejadas de maneira racional, científica e democrática; com a participação de trabalhadores, técnicos e de toda a população através de comitês e assembleias. Assim, poderia ser colocada a enorme quantidade de recursos e capacidades que nosso país tem para atender às necessidades de toda a população. Poderia, por exemplo, utilizar as indústrias metalúrgica e metal-mecânica para produzir os respiradores que são escassos como também a mobilidade necessária para ter um sistema de transporte centralizado e de acordo com as necessidades sanitárias. Ou a vasta capacidade de todas as indústrias de alimentos poderia ser posta a serviço de uma alimentação gratuita para todos os argentinos … E sobraria. Essas medidas nada mais são que medidas socialistas autênticas, os primeiros passos para alcançar uma sociedade sem exploração ou opressão; e para evitar o futuro de catástrofes e barbáries que o capitalismo está nos fazendo sofrer

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Medidas como essa não podem ser impostas sem luta operária e popular e, acima de tudo, sem impor um governo dos trabalhadores e do povo. E essa é a verdadeira saída para Argentina e o mundo; acabar com a pandemia e qualquer manifestação da decadência do capitalismo: acabar com o domínio dos patrões através da revolução socialista. Esse é o objetivo do PSTU.

Tradução: Luana Bonfante