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Se Macri pode mostrar alguma conquista desta Reunião de Cúpula é que o seu governo conseguiu que ela fosse realizada sem grandes sobressaltos. Para isso, contou com a inestimável colaboração da direção sindical traidora em suas diferentes variantes. E também com a imprescindível “contribuição” de Cristina Kirchner e seus dirigentes.

Por: Victor Quiroga

Desta forma, o governo conseguiu desmontar a Greve da CGT com a promessa de bônus de fim de ano; decretou feriado na sexta-feira, 30 de novembro; e impediu a livre circulação do transporte para evitar a mobilização popular. E o kirchnerismo chamou a não participar das atividades contra o G20 e da mobilização. Além disso, houve a campanha de intimidação de Bullrich contra “os anarquistas” e o Hezbolah, que militarizou Buenos Aires a ponto de parecer uma cidade vazia e sitiada.

A Cúpula do G20, que finalmente se reuniu em Buenos Aires, debateu os problemas da crise mundial, a mudança climática, o “empoderamento das mulheres” e os problemas do comércio mundial, entre outros temas. Entre comidas preparadas pelos mais renomados chefs e bebendo dos vinhos mais refinados, buscaram o “consenso” sintetizado em um documento final de 40 páginas, que deixa contentes os dois protagonistas da atual “guerra comercial”: China e EUA. O que ficou muito claro é o papel subordinado e de total submissão dos países “emergentes” às políticas dos principais países imperialistas. No caso argentino, Macri subordinou-se aos desejos de Trump. Por isso, não teve problemas em se reunir com o ditador Erdogan, da Turquia, e com o príncipe assassino Mohamed Bin Salman, da Arábia Saudita.

Enquanto em Buenos Aires discutia-se a necessidade dos ajustes e mudanças estruturais nas economias e os “líderes mundiais” faziam cara séria, um dos principais protagonistas, o presidente francês Macrón, era absolutamente desautorizado pelo seu povo nas ruas mobilizadas contra a aplicação dessas políticas de ajuste e o aumento do combustível, que os países imperialistas e o FMI tanto proclamam. Hoje Macrón está na corda bamba.

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Macri se fortaleceu?

Macri, como um “funcionário do mês”, mostrava-se emocionado e exultante pelas conquistas obtidas. Semelhante a quando nos prometeu uma “chuva de investimentos”, agora nos garante que “voltamos ao mundo”, “O mundo nos apoia”, disse. Mas, apesar do “apoio” ao ajuste, dos acordos com o FMI, isso não se traduziu ainda em investimentos importantes. O governo só tem para mostrar o anúncio de Washington de apenas “uns 800 milhões de dólares para empresas norte-americanas que investem no país, se essas empresas considerarem conveniente”, e uma série de acordos com a China para aumentar a exportação de grãos e óleo de soja, entre outros. Fora isso, somente boas intenções, dólares por enquanto não.

Macri mostrou-se como o “facilitador” do acordo final. Previamente, na reunião entre a China e os Estados Unidos, os dois presidentes haviam concordado com uma “trégua” de 90 dias. Trégua que pode explodir a qualquer momento.

Além do “êxito” de 48 horas de duração, das fotos e dos discursos e das promessas de investimentos, o governo não se fortaleceu diante dos trabalhadores. Macri tem pela frente os mesmos problemas de antes da Reunião da Cúpula: o “risco país” continua altíssimo, o dólar e a inflação continuam complicando os seus planos. Seus problemas não surgem somente por causa da crise mundial; tem que “convencer” os investidores que conseguirá impor a reforma trabalhista; que liquidará as organizações sindicais nos locais de trabalho, as comissões internas, os corpos de delegados sindicais e inclusive o “excesso de sindicatos”.

Deverá impor o “déficit zero”, destruindo a educação pública, a saúde, as aposentadorias, reduzindo os postos de trabalho no Estado, entre outros ajustes. O G20 veio à Argentina para apoiar Macri para que ele faça esse trabalho sujo enviando uma mensagem aos demais países.

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Mas os trabalhadores não pensam como Macri e o imperialismo. Como na França hoje, o ajuste será derrotado nas ruas. Com a unidade dos trabalhadores, com greves gerais, assembleias democráticas, mobilizações e enfrentamentos com a repressão e os traidores sindicais. Construindo novas organizações de luta, incorporando com tudo as mulheres e a juventude. E lutando por um governo dos operários e do povo que imponha um plano econômico a serviço dos trabalhadores e da maioria do país.

Tradução: Lilian Enck