COMPARTILHAR

“As mulheres fazem parte da luta que a classe trabalhadora realiza em todo o mundo para enfrentar os planos que os governos patronais querem impor por ordem de pilhagem do imperialismo” *.

Por: Yenny

No Uruguai, a última semana de 2018 terminou com 3 feminicídios. Entre a ceia do natal e o dia de natal de 2019, houve também 3 feminicídios. E no meio, durante o ano, quantos mais feminicídios serão cometidos? Não é por acaso que há uma grande diferença entre os números mantidos pelo Ministério do Interior e os registros que mantemos nós, as vítimas de violência no dia a dia.

Não é casual, é porque existe um Estado que não quer ver todos os feminicídios, um Estado que não assume a responsabilidade que tem na questão, um Estado para o qual não há orçamento para atender os casos de violência de gênero, como deveriam ser atendidos e resolvidos antes que terminem em feminicídio. 35% das mulheres no mundo foram vítimas de violência física ou sexual ao longo de sua vida, ao que deve ser acrescentado que a maioria das vítimas não denuncia o abuso.

Abusos verbais e físicos, estupros, torturas, escravidão sexual, assédio sexual, mutilação genital, operações ginecológicas desnecessárias, mortes por abortos realizados em condições inadequadas, etc. Assédio nas ruas: outra forma de violência machista que deve ser erradicada. Micromachismos que são exercidos de maneira sutil para nos fazer acreditar a cada momento que somos inferiores, que eles estão por cima. Micromachismos que temos que rejeitar e esmagar desde o início.

Assédio sexual no local de trabalho: apenas 1 em 144 mulheres que sofrem é incentivada a denunciar. Escravidão sexual: 72% das vítimas de tráfico no mundo são meninas, adolescentes e mulheres. O maior perigo quando uma mulher, adolescente ou menina desaparece é que ela seja vítima de uma rede de tráfico. Estereótipos de gênero na família, na escola, na sociedade como um todo, estereótipos de gênero que precisamos fazer desaparecer.

Leia também:  Brasil| Trabalho doméstico, racismo e pandemia: a morte do menino Miguel

Em setembro de 2019, foi solicitado que se declarasse o estado de emergência nacional em matéria de violência de gênero. Três que morrer mulheres na véspera de Natal e no Natal, para que o governo decidisse declarar estado de emergência. E a única medida concreta que aparece nesta declaração é o aumento de duzentas tornozeleiras, mas o orçamento alocado permanece insuficiente. Temos uma grande bagagem de material teórico que, na prática, não se aplica.

Nem mesmo na campanha eleitoral, a violência baseada em gênero foi uma questão prioritária, dificilmente discutida, só agora está aparecendo na mesa, mas apenas porque lhes convém no meio da transição política. Temos que continuar denunciando, temos que evidenciar as desigualdades, as injustiças e todas as formas de violência. Incluindo a violência da inoperância do Estado.

Nós da IST, convocamos para que neste 8 de março realizemos uma greve geral e para que nos acompanhem em uma nova manifestação. Que todos e todes cheguemos até 18 de julho para encontrar-nos e exigir contra todas as injustiças, contra todos os feminicídios e pela falta de ação da burocracia estatal.

8 de março – Dia da Mulher Trabalhadora – Grande dia de luta – GREVE GERAL!

* Frase de María Rivera, dirigente do MIT, (Movimiento Internacional dos Trabalhadores) seção no Chile da LITQI (Liga Internacional dos Trabalhadores- Quarta Internacional) e advogada da defensoria popular.

Tradução: Nea Vieira