A Covid-19 já causou 155,5 mil óbitos no Brasil este ano. É uma doença altamente contagiosa, sendo transmitida pelo ar e contato físico. O Brasil tem cinco vezes mais mortos do que a média mundial, então não tem cabimento a narrativa do governo Bolsonaro de que não é uma doença tão grave e de que o Brasil está se saindo muito bem no combate à Covid.

Por: Ary Blinder

É o contrário, estamos nos saindo mal e o principal responsável disso é o governo Bolsonaro e todos aqueles que boicotaram as medidas mais severas de isolamento social. É uma pandemia grave e agora estamos constatando uma segunda onda da doença na Europa e Estados Unidos. O negacionismo só vai servir para facilitar uma segunda onda aqui no Brasil também.

Então, somos a favor da vacinação obrigatória, pois em algumas situações o direito coletivo à saúde se sobrepõe aos direitos individuais. Uma pessoa que se recusa a ser imunizada pode ser um potencial transmissor do vírus, inclusive para seus familiares mais vulneráveis, vizinhos e colegas de trabalho. É antidemocrático permitir que um indivíduo transmissor ande pelas ruas sem máscara, participe e estimule aglomerações, pois está colocando em risco a vida de muita gente.

Há uma briga política instalada entre Bolsonaro e Dória em torno da vacina. Dória quer se posicionar para as eleições de 2022 como defensor da ciência e está usando a vacina chinesa para isso. Não somos ingênuos e temos claro este aspecto, porém, para o PSTU a discussão não pode ser as eleições de 2022 e sim como paramos este genocídio no Brasil. Sabemos que Dória é corresponsável pela situação, pois implementou um isolamento social muito parcial em São Paulo.

Para o PSTU, a discussão correta é a de como podemos preservar a vida daqueles que são mais atingidos pela pandemia, aqueles que não tem boas condições de moradia, não tem renda garantida, que fazem longos trajetos de ônibus para ir trabalhar. A vacinação em massa é a solução científica para a classe trabalhadora.

Nos preocupa sim que a vacina seja segura e eficaz, não adianta querer acelerar demasiadamente o processo de produção sem passar por todas as etapas de testes, como aparentemente fez a Rússia com sua vacina. Mas Bolsonaro está sendo cínico ao dizer que só vai usar vacina já testada e com comprovação científica, pois ele defendeu o uso de cloroquina sem comprovação científica nenhuma. Defende a vacina de Oxford, que também está em fase de testes.

Mais ainda, ao que tudo indica, em 2021 não vai ter vacina suficiente nem para metade da população brasileira. Ao invés de atacar o CoronaVac, o Governo Federal deveria estar trabalhando para obter a quantidade de vacina suficiente para o conjunto da população brasileira.

Por fim, é importante lembrar que já existem outras vacinas obrigatórias, que se a criança não apresentar a comprovação de vacinação nem consegue se matricular na escola.

A campanha de Bolsonaro contra a obrigatoriedade da vacina, e mais que isso, contra a própria vacina, é, assim, mais uma comprovação da política genocida deste governo que coloca os lucros dos banqueiros e das grandes empresas, e os seus interesses eleitorais, acima da vida de milhões.