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O terceiro dia do 4º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, neste sábado (5) em Vinhedo (SP), começou com forte e emocionante atividade em defesa da Amazônia e dos territórios dos povos originários.

Por PSTU-Brasil

Intitulado “Indígenas, quilombolas e a destruição do meio ambiente”, o ato político foi aberto com a exibição de vídeos das ocupações do Movimento Luta Popular, na batalha pelo direito à moradia, e da Amazônia. Nas falas que se seguiram, camponeses, lideranças seringueira, indígenas e quilombolas de diversos estados brasileiros denunciaram a opressão e massacres que sofrem, mas também deram exemplo de resistência histórica. O ato contou ainda com ativistas em prol do meio ambiente e foi intercalado por apresentações culturais.

Raquel, da comunidade indígena Tremembé, do Maranhão, enfatizou a luta “árdua e diária” travada por seu povo há nove anos contra grileiros, mas também contra o governo de Flávio Dino (PCdoB), com nove reintegrações de posse violentas em menos de uma década. “A última foi em 19 de dezembro de 2018, em que 47 famílias tiveram suas casas devastadas, plantações destruídas. Até quando? Há 519 anos estamos lutando por um território que é nosso”. E complementou: “Enfrentamos a conivência Estado-grileiros. E este é um momento de visibilidade, fortalecimento da nossa resistência e força. Nossa luta é a luta de todos aqui”. E continuou: “Quem tem o poder não é Bolsonaro, somos nós. Não vão nos silenciar. Temos que gritar para sobreviver”.

A aliança entre o governo de Flávio Dino, grileiros e posseiros também foi ressaltada por José Domingos, do Fórum de Redes e Cidadania do Maranhão. Ante essa conivência, afirmou, “estamos sofrendo uma devastação para a indústria do eucalipto. Nossas comunidades estão sendo alvo de depredação”. José Domingos frisou que foi um dos presos políticos do governo maranhense, mantido por 72 dias em cárcere sem qualquer julgamento. “Hoje há mais quatro presos, por 23 dias, só porque estão defendendo nosso campo livre”. Ele citou também mais de 50 mandados de prisão contra comunidades no Estado. “Mas há resistência, por exemplo, na construção de roças populares comunitárias. Estamos organizados e lutando contra essa imundície dos governos de Flávio Dino e Bolsonaro”, garantiu.

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Os ataques também foram denunciados por Luziana Serejo, da comunidade Mamuna, de Alcântara, no Maranhão: “Estamos aterrorizados. Criamos essa comunidade, aqui tudo o que plantamos, colhemos. Para onde vamos? Para as periferias? Somos formados em roça. Dizem que é para Alcântara crescer. Aqui está a base de lançamento há mais de 40 anos e não mudou nada a nossa vida. É um governo corrupto. Nossa dignidade não está à venda. Queremos viver, não morrer”.

Fátima Barros, do Quilombo Bico do Papagaio, foi outra das vozes que ecoaram no plenário do Congresso. “Bico do Papagaio é a terra da guerrilha do Araguaia. Nossa luta é de muitas gerações e povos. Somos 6 mil comunidades quilombolas no Brasil, que existem e resistem todos os dias. Somos guerreiros de Dandara e Zumbi dos Palmares. Minha mãe é quilombola quebradeira de coco. É só ela tocar a terra que germina. Conhecemos o ciclo do sol e da lua, não precisamos de defensivos para fazer a terra germinar. A terra é nossa . E frisou: “Na Frente Nacional Quilombola Moquibom e no PSTU estamos fundando Palmares de novo.” Ingrid Assis, indígena também militante do PSTU, foi outra a salientar a “resistência contra o genocídio há 519 anos, luta diária e direta pela demarcação dos nossos territórios”.

Pelo Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom), João da Cruz trouxe exemplos dessa resistência: “Em 2011 ocupamos o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Isso teve destaque nacional e internacional e recebemos a solidariedade de movimentos negros de todo o País nessa luta de enfrentamento. A CSP-Conlutas é parte disso.”

Liderança histórica, o seringueiro da Amazônia Osmarino Amâncio iniciou sua fala lendo carta de seu companheiro de luta Chico Mendes (1944-1988), entregue durante o Congresso a ele por João da Rocha, ex-operário de Campinas. Na carta, escrita em 20 de julho de 1980, uma semana após o assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Brasileia, Wilson Pinheiro, dizia: “Não vão nos intimidar”. Osmarino destacou as manifestações recentes pela Amazônia e a unidade entre camponeses, operários e juventude na luta pela floresta amazônica em pé. E foi categórico: “Somente quando destruirmos o sistema capitalista vamos resolver essa questão do meio ambiente. Para tanto, precisamos de uma revolução, ir para o enfrentamento”. A Coalizão pelo Clima deu seu recado na voz de Marília, que destacou: “Mudança climática afeta a todos e é problema de todos, consequência do capitalismo”.