Após a vitória esmagadora do Aprovo, nosso movimento entrou em uma nova fase. As enormes manifestações e comemorações pela vitória no plebiscito mostram que o povo não vai ficar assistindo ao desenrolar do Processo Constituinte pela televisão. No entanto, em um setor importante da classe trabalhadora há expectativas de que, agora, as coisas vão mudar. Tudo indica que teremos lutas duras daqui para frente.

Por: María Rivera

Vencemos uma batalha, mas não a guerra. Os inimigos do povo (os grandes empresários e seus partidos políticos) estão se reorganizando. Com o Processo Constituinte, eles querem ganhar tempo. Agora eles estão discutindo a melhor forma de enganar o povo e reprimir aqueles que continuam lutando. Eles vão nos fazer acreditar que vão mudar alguma coisa para não mudar nada. Para realizar esse Processo Constituinte totalmente manipulado contam com o apoio de suas pernas esquerdas – a Frente Ampla, (que assinou o Acordo de Paz) e o Partido Comunista, (que a partir de 12 de novembro não convocou novas mobilizações dos sindicatos e setores sociais sobre os quais tem influência). Não se deve esquecer que, juntos, todos evitaram a queda de Piñera.

A farsa do atual Processo Constituinte está se tornando cada vez mais evidente. Durante meses denunciamos, junto com milhares de ativistas e outras organizações, as armadilhas desse processo. A impossibilidade de alterar os Tratados de Livre Comércio, o quórum de ⅔, a existência de presos políticos, as dificuldades em eleger candidatos independentes, tudo isto são enormes travas para que a voz das ruas esteja representada nesse “Parlamento 2.0” que será a Convenção Constitucional.

Não podemos ter ilusões. Essa é a coisa mais perigosa que pode nos acontecer. Muito provavelmente, a Assembleia Constituinte será composta, em sua maioria, pelos mesmos partidos de sempre, visto que é quase impossível que algum dos candidatos independentes seja eleito. Assim, serão os mesmos de sempre quem vão discutir a Nova Constituição, os que governaram nos últimos 30 anos e os “novos”, como a Frente Ampla, que nada mais são do que a velha Concertación com roupas mais juvenis e algumas tatuagens no corpo.

Nossa esperança deve estar unicamente em nossas forças, na organização nos bairros e locais de trabalho, no fortalecimento das brigadas de saúde e de primeira linha, nos grupos de mulheres, nos sindicatos combativos, etc. Já verificamos com inúmeros exemplos que os de cima não vão nos conceder nada se não formos milhões nas ruas. Que eles saibam: estamos dispostos a lutar até a morte pelas mudanças que queremos. Não nos vender falsas promessas novamente.

No âmbito do fortalecimento de nossa luta e organização, o MIT está coletando assinaturas para levar a candidatura de María Rivera à Convenção Constitucional para o Distrito 8 (Maipú e outras comunas), uma incansável lutadora social e defensora dos presos políticos. Queremos também discutir um programa revolucionário com os milhares de ativistas que estão se organizando, com aqueles que acreditam no Processo Constituinte e com aqueles que não acreditam nele.

Sabemos que muitos trabalhadores têm expectativas de que agora as coisas vão mudar. Queremos dialogar com esses trabalhadores para mostrar a eles que não podem esperar muito deste Processo e que temos que nos preparar para os fortes ataques que virão. Este Jornal é uma edição especial sobre o Processo Constituinte. Convidamos você a ler as próximas páginas, onde discutiremos quem são os inimigos dos trabalhadores, quais são as mudanças que precisamos e qual é o caminho que devemos percorrer para alcançá-las. Em frente, companheiros, o futuro é nosso! Adiante juventude corajosa!

Tradução: Lena Souza