Passado mais de um ano do início da revolução de Outubro do ano passado, vemos que os problemas centrais continuam sem solução.

Por: MIT-Chile

Além disso, vemos como os de cima continuam com a corrupção e só se beneficiando: a triangulação da AFP Hábitat que envolveu Piñera; os obstáculos para recuperar os 10% das AFPs quando TODOS esses fundos são nossos; etc. Enquanto continuam os protestos contra Piñera, protestos de trabalhadores de saúde por melhores condições de trabalho e sanitárias, protestos de trabalhadores ambulantes, etc. É claro que toda essa realidade só vai mudar graças à nossa mobilização, mas uma mobilização que avance com planejamento e na qual o movimento operário vá se incorporando, paralisando a produção.

Hoje, o governo e os mesmos de sempre nos dizem que todos os problemas se resolverão por meio do Processo Constituinte ou pela confiança em suas instituições e na democracia, mas em mais de 30 anos de democracia dos ricos vemos que nada muda a nosso favor. E hoje, o Processo Constituinte tem muitas armadilhas para que poucas coisas mudem.

Portanto, no quadro de continuar promovendo o chamado a não sair das ruas, a planejar a nossa luta, é importante disputar candidaturas revolucionárias e independentes neste Processo Constituinte, candidaturas que sejam porta-vozes da revolução e que não vendam falsas promessas mas que digam claramente que só com luta a vida muda. É por isso que acreditamos que os ativistas das assembleias territoriais, grupos comuns, brigadas de linha de frente, entre outros, devam levantar suas candidaturas independentes dos partidos de sempre e com um claro projeto de luta. E, se isso não for possível, exigir espaços legais de partidos que se dizem defensores da luta (Frente Ampla-FA; Partido Humanista-PH; Partido dos Trabalhadores Revolucionário-PTR), mas sem qualquer imposição política, programática ou financeira. Nós do MIT, estamos impulsionando que María Rivera seja candidata independente para a constituinte pelo distrito 8.

María é uma das caras femininas da Praça Dignidad, advogada dos “primeira linha”, defensora de presos políticos e foi uma das que apresentou queixa contra Piñera pelos crimes contra a humanidade que cometeu depois de 18 de Outubro. Além disso, María não fica atrás quando se trata de denunciar as armadilhas dos partidos políticos, dos mesmos de sempre, entre eles a Frente Ampla e o Partido Comunista.

Uma trajetória de luta

María nasceu em 28 de janeiro de 1958 e, com apenas 12 anos, iniciou sua militância, sendo ativista pela candidatura de Salvador Allende da Unidade Popular, que na época era visto com expectativa pelos ativistas e a juventude com desejos revolucionários. Poucos anos depois, em 1972, tornou-se ativista secundarista da Frente de Estudantes Revolucionários (FER), ligada ao Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR).

Em 1980 foi presa pela CNI (Central Nacional de Informações), serviço de inteligência do ditador Pinochet. María foi colocada no quartel Borgoño, um dos maiores centros de detenção e tortura da ditadura, da qual é sobrevivente.

Em 1983, María foi exilada com seus filhos para a Argentina, onde entrou no Movimento ao Socialismo (MAS). Militou lá, entre outros lugares, nos bairros populares de Lanús, durante 7 anos. Finalmente, em 1990, pôde regressar ao Chile para se juntar às fileiras da seção da Liga Internacional dos Trabalhadores, LIT-QI (MIT no Chile), onde continua até hoje.

Em 2004 foi reconhecida como sobrevivente de prisão política e tortura pela ditadura de Pinochet, no âmbito do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura, mais conhecida como “Comissão Valech”. María, já como ativista pelos direitos humanos, decide usar sua bolsa de reparação para estudar Direito. Em 2008 foi fundadora da Defensoria Popular, organização de advogados que atende gratuitamente às vítimas da repressão policial e estatal. Em 2010 formou-se advogada e tornou-se uma das principais defensoras dos presos políticos e vítimas da repressão.

O que propõem María Rivera e o MIT

Cada discurso e ação de María vêm no sentido de defender um projeto coletivo e revolucionário: a construção do Movimento Internacional dos Trabalhadores. A candidatura de María teria como objetivo lutar contra as armadilhas antidemocráticas deste Processo Constituinte, e chamar a seguir mobilizados por:

  1. Fora Piñera e todos eles!
  2. Liberdade imediata para todos os presos políticos, defender a primeira linha, para que voltem às ruas e tenham direito a participar deste Processo Constituinte.
  3. Julgamento e punição para todos os responsáveis ​​por violações dos direitos humanos. Cadeia para Piñera, Rozas e seus ministros do Interior!
  4. Prorrogação do prazo de registro de candidaturas da constituinte para março
  5. Tempos especiais de assembleias nos locais de trabalho para que a classe operária discuta sobre o Processo Constituinte e que tipo de sociedade querem construir
  6. Entrega imediata dos formulários de recolhimento de assinaturas de candidaturas independentes
  7. Diminuição do número de assinaturas para independentes para 0,1% dos eleitores da última eleição e no caso das listas que a redução seja de 0,25% dos eleitores na última eleição
  8. Que a certificação da assinatura seja eliminada
  9. Mesmo tempo de TV para todos os candidatos durante a campanha
  10. Direito a voto e participação para jovens a partir de 14 anos
  11. Direito a participação, sem necessidade de renúncia ao cargo, aos dirigentes sindicais e sociais
  12. Mínimo de 13% das cadeiras para o povo Mapuche
  13. Possibilidade de que independentes possam fazer sub-pactos usando a legalidade de outros partidos
  14. Eliminar o método de eleição de candidatos por meio do sistema D’Hont e substituí-lo por um sistema de eleição direta
  15. Reduzir o quórum de ⅔ e deixá-lo em maioria simples
  16. Que os delegados constituintes – assim como todos os trabalhadores do Chile – tenham o poder de realizar outras tarefas que não sejam apenas a redação de uma possível nova constituição, como, por exemplo, exigir a renúncia de autoridades.
  17. Pela devolução não só de 10%, mas de 100% de todos os nossos fundos das AFPs, porque se trata de um roubo e devemos acabar com elas JÁ
  18. Abaixo o subcontrato, a flexibilização trabalhista e o Código do Trabalho. Direito de negociação por setor!
  19. Em defesa do povo Mapuche. Desmilitarização do Wallmapu, devolução das terras! Pelo direito à autodeterminação!
  20. Fim da violência machista, lgbtifobia, racismo, xenofobia e qualquer tipo de opressão. Pela unidade da classe trabalhadora e dos oprimidos para lutar contra os de acima.
  21. Renacionalização do cobre e dos recursos naturais sob o controle da classe trabalhadora
  22. Saúde, educação e moradia gratuitas garantidas pelo Estado.
  23. Para financiar o acima exposto, devemos lutar para recuperar o que os Luksic, Piñera, Matte, Angelini e as outras 6 famílias mais ricas deste país nos saquearam por mais de 30 anos, expropriando todos o seu patrimônio para colocá-lo sob o controle das e dos trabalhadores e assim garantir a cobertura das necessidades básicas da humanidade.
  24. Assembleia Constituinte Livre e soberana, sem Piñera e os mesmos de sempre
  25. Trabalhadores/as no poder por meio da revolução. Nenhuma confiança no parlamento financiado por empresários, impulsionamos a criação de novos organismos de democracia da classe trabalhadora, que sejam o sustento de um governo operário e popular.
  26. Pelo direito e necessidade da autodefesa para avançar em nossa luta.

Ao fazer parte da LIT-QI, a candidatura de María defende também que a luta pelos direitos da classe trabalhadora deve ocorrer em escala internacional, por isso apoiamos as revoltas que têm ocorrido nos Estados Unidos, na Colômbia, no Peru, Líbano, etc. A única maneira de esses processos de luta serem vitoriosos é avançar para que os trabalhadores tomem o poder. Mas para que isso se organize e aconteça é preciso construir uma ferramenta, e é por isso que María constrói o MIT e a LIT-QI.

Tradução: Tae Amaru