Haverá segundo turno das eleições em 57 cidades no próximo dia 29, incluindo 18 capitais. Esperamos que Bolsonaro e os capitalistas saiam mais debilitados e divididos. Porém, terminadas as eleições, o futuro reservado para os trabalhadores, a juventude e a população pobre será ainda pior.

Por: PSTU Brasil

Nestas eleições, o PSTU defendeu a construção de uma alternativa revolucionária e socialista. Com uma campanha junto aos setores mais explorados e oprimidos da classe trabalhadora, nas periferias e ocupações, defendeu um programa emergencial para a crise, alertando que nenhuma mudança de fato virá por dentro do sistema capitalista.

Crise capitalista e segunda onda da pandemia

Daqui a pouco mais de um mês, o auxílio emergencial, que já foi reduzido pela metade, vai simplesmente terminar, deixando mais de 40 milhões de pessoas entregues à miséria absoluta. O governo bate cabeça para encontrar alguma medida paliativa que conserve pelo menos parte da popularidade de Bolsonaro para sua reeleição em 2022. Contudo, se houver, será algum auxílio muito menor, custeado por outros ataques à classe trabalhadora, ou por empréstimo da Caixa Econômica Federal que, além de não resolver nada, vai endividar milhões de pessoas e, de novo, como o crédito consignado, vai enriquecer banqueiros.

O corte do auxílio emergencial acontece num momento de alta recorde do desemprego, de inflação dos alimentos e produtos básicos sem data para terminar e da volta do flagelo da fome. Grande parte dos trabalhadores que conseguiram manter seus empregos, e tiveram redução de salários para preservar o trabalho, já terão o 13º cortado pela metade, salvo os que conseguiram manter o benefício no contrato coletivo. Os aposentados, por sua vez, nem terão o 13º, porque já foi antecipado.

Além disso, antes mesmo do segundo turno, o país já começa a viver uma segunda onda da COVID-19, cuja contaminação escapa do controle em várias regiões. Hoje, o agravamento da pandemia seria muito mais catastrófico do que foi lá atrás.

Pacote de maldades

Junto a isso, Bolsonaro, com o Congresso Nacional e os governadores, prepara um pacote de maldades. Estão engatilhadas uma reforma administrativa, que vai atacar os servidores de forma dura, principalmente os que mais ralam e ganham menos (juízes, cúpula militar e legislativo continuarão intocados com seus privilégios indecentes), além de uma nova rodada da reforma trabalhista, incluindo a famigerada carteira verde-e-amarela.

É um pacotaço para preservar os lucros dos banqueiros e dos grandes empresários. Governo, burguesia e imperialismo querem consolidar um novo grau de exploração, assim como colocar a entrega do país num novo patamar com a venda de estatais como Correios e Eletrobrás. Isso vai fazer com que país viva o que o Amapá vive hoje, com o sistema elétrico privatizado. Afinal, privatização é isso: você paga mais e fica no escuro.

Aprofunda-se, também, a completa destruição do meio ambiente, a queima da Amazônia e do Pantanal e a ofensiva contra as populações indígenas, os ribeirinhos, os sem-terra e os quilombolas.

Fora Bolsonaro e Mourão! Organizar a luta

É preciso desde já organizar a luta contra os ataques e em defesa da vida, dos empregos, dos salários, da renda e da soberania.

Lutar pela manutenção o auxílio de R$ 600 enquanto durar a pandemia; pela proibição das demissões; pela redução da jornada sem redução do salário para que todos trabalhem; e investimento em saúde, com estatização da rede privada e testagem em massa.

É necessário impedir esse pacote de maldades e exigir que se tire dos ricos para garantir nossos empregos, direitos e salários. Impedir as privatizações e lutar pela reestatização das que foram privatizadas sob o controle dos trabalhadores. Exigir a taxação das grandes fortunas e a cobrança das dívidas dos bancos e das grandes empresas. Temos de lutar para arrancar Bolsonaro e Mourão de lá, condição inicial para que nossas pautas avancem.

É preciso ainda combater o racismo, o machismo, a LGBTfobia e a violência policial. Promover o PM que matou e arrastou o corpo de Cláudia Ferreira no Rio é uma afronta.

Nesse sentido, temos de organizar a resistência e o enfrentamento e fazer avançar a organização de base e a auto-organização da classe trabalhadora e dos setores populares, sem deixar de exigir de todas as organizações dos trabalhadores que se coloquem a organizar essa resistência e esta dispostos a, se não fizerem, na medida das forças da classe, trabalhar para remover esses obstáculos. As candidaturas no segundo turno devem ser cobradas: estão a favor ou contra-atacar os servidores, os serviços públicos e os aposentados e acabar com o auxílio emergencial para beneficiar os bilionários?

Sobretudo, é preciso, construir uma alternativa revolucionária e socialista nesse processo de luta, pois o capitalismo, seus governos e sua institucionalidade só têm a oferecer desemprego, fome, morte pela pandemia e barbárie.