Três semanas após o início da Paralisação Nacional, com mais de 50 assassinados, 200 desaparecidos, centenas de feridos e detidos e 21 mulheres estupradas, o governo Duque declarou uma guerra aberta contra a classe trabalhadora e os pobres. Com o anúncio de acabar a sangue e fogo os bloqueios que em várias cidades do país, a juventude e os setores populares têm feito em protesto contra as condições de miséria a que estão condenados.

Por: Comitê Executivo Do PST-Colômbia

A Paralisação Nacional foi a maior mobilização da história recente do país e colocou em xeque o Governo do Duque. Assim como no Chile disseram “não são 30 pesos, são 30 anos” levantando uma luta contra os resquícios da ditadura de Pinochet que ainda permeia o regime político antidemocrático chileno, na Colômbia lideram as massas combativas de jovens, indígenas e trabalhadores protagonizam uma luta que vai além de uma ou duas contrarreformas. Não é só a reforma tributária, é todo o regime político autoritário e assassino inaugurado por Uribe que deve cair. É assim que gritam nas ruas os milhares que diariamente se mobilizam e enfrentam a repressão policial.

Porém, o Comitê Nacional de Paralisação, reduzido às centrais sindicais, não entendeu a mudança de consciência da população e optou por mobilizações burocráticas que têm sido ultrapassadas pelas massas. Por isso, apesar de que a burocracia sindical e o reformismo chamou para sentar e negociar com Duque, a juventude, os setores populares e as bases sindicais continuam lutando. Não há negociação possível até que parem a militarização e a violência policial assassina contra o desemprego.

O Partido Socialista dos Trabalhadores faz um chamado a realizar um Encontro Emergencial que eleja uma nova direção e fortaleça as lutas, que oriente a Paralisação Nacional para a convocação de uma greve geral, porque só a paralisação da produção poderá subjugar a burguesia em seus planos e suas ações criminosas. Este encontro Emergencial, diante da reiterada recusa do Comitê Nacional de Paralisação, poderia ser convocada pela Minga Indígena, pela autoridade que conquistou entre os setores em luta.

É necessário também deter o massacre, devemos exigir a saída imediata do comando da Polícia Nacional e do Ministro da Defesa, bem como dos comandantes que deram ordem de reprimir. Devemos manter a Paralisação Nacional até o Governo de Duque, não basta exigir um pedido de desculpas.

Por isso, damos nosso apoio à Primeira Linha, às Guardas Indígenas, Cimarronas e Camponesas que defendem o direito à mobilização e à luta, que em diferentes cidades protegeram as manifestações da brutalidade policial e se tornaram uma forma legítima de violência das massas. Temos notícias de prisões e invasão de domicílios contra eles, bem como de ataques e perseguições. Chamamos a estender e massificar a organização da resistência em todo o movimento operário e popular.

Devemos responder à guerra declarada por Duque com um aprofundamento da Paralisação Nacional e com um grande Encontro Nacional Emergencial que organize a greve geral que responda ao clamor das ruas: Abaixo o Duque.

Abaixo o Duque Assassino!

Abaixo o Ministro Molano e os generais responsáveis ​​pelo massacre!

Todo o apoio aos Guardas e Primeiras Linhas em todo o país!

Encontro Nacional Emergencial para se preparar para a Greve Geral!