Segundo a ONU, 35% das mulheres sofreram violência machista em algum momento de suas vidas, na maioria das vezes infligidas pelo marido ou ex-companheiro. Isso, considerando que muitas situações não são contadas nas estatísticas, especialmente nos casos de ataques LGBTI. A Argentina não foge dessa terrível realidade. O panorama, já grave com os governos anteriores, se agravou com Macri e sua política de “déficit zero”, isto é, tesouras na educação, saúde e nas áreas sociais.

Por: PSTU Argentina

A Lei 26.485, para Prevenir e Erradicar a Violência contra as Mulheres tem 10 anos que foi sancionada. Nos mobilizamos e fomos multidões desde 3 de junho de 2015, ao grito de Basta de violência e femicídios! Exigimos primeiro de Cristina Kirchner e depois de Macri, que aplicassem as Leis 26.485 e de ESI, ampliá-las, declarar emergência pela questão da violência machista e aumentar os orçamentos mínimos alocados.

Nada parece assustar os violentos nem tocar a fibra íntima de políticos, juízes e policiais ou a Igreja Católica e as outras igrejas, que deixam correr.

Justiça atropela os pobres

Contra o plano de ajuste da Macri tem protestos. Para silenciar o protesto tem que usar a força e é por isso que existem milhares de lutadores processados ​​e dezenas de prisioneiros por lutar. E a isso se soma a violência machista, que o capitalismo encoraja para silenciar as mulheres, metade da classe trabalhadora e a maioria dos pobres do país.

Se o humilde se defende, para a cadeia! A companheira Higui, lésbica e pobre, da área metropolitana (livre à força de luta), irá a julgamento em julho por ter matado um de seus agressores, durante uma tentativa de “estupro corretivo em massa”. O caso de Paola Córdoba e sua filha, que foram libertadas da prisão pela luta, mas enfrentam uma sentença porque depois de 20 anos de espancamentos e estupros, se defenderam com uma faca de um marido e pai agressor; elas chegaram a esse extremo forçadas, depois de muitas denúncias perante instituições surdas.

CGT e CTAs: assumam a luta contra a violência machista e organizem a autodefesa!

Nós do PSTU, lutamos contra a violência machista e o femicídio, em todas as greves e ações de rua, em unidade com todas as organizações que concordam com a importância dessa luta. A partir daí debatemos com organizações do movimento de mulheres (NiUnaMenos, a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto), grupos feministas, mesmo com as companheiras da esquerda, qual é a melhor maneira de continuar essa luta.

Não podemos combater a violência machista com êxito, acabar com os estupros e femicídios, sem lutar contra a degradação social. Portanto, o desinteresse do movimento das mulheres diante da inação da CGT e a CTA contribui para o agravamento da situação das mulheres trabalhadoras, das jovens e toda a classe trabalhadora.

Tal tarefa não pode ser exclusiva das mulheres ou de seus grupos. As companheiras devem orientar e convencer nossos companheiros do sexo masculino de que a luta contra a violência machista é tão ou mais importante que as lutas econômicas, que devemos fazê-las juntos e permanentemente. Os sindicatos, centros estudantis, grupos populares e de direitos humanos têm que assumir a luta contra a violência machista e a organização da autodefesa. Só então poderemos fazer retroceder tanto os violentos como o Estado repressivo. A resposta deve ser organizada e coletiva, não apenas das mulheres, mas de toda a classe trabalhadora.

Para a greve (dia 30 de abril) as companheiras kirchneristas e do PJ, que têm peso no setor de Moyano da CGT e ambas CTA deve batalhar para que estejam entre as reivindicações a luta pela emergência nacional para parar os estupros e feminicídios, por aplicar e ampliar as Leis da Violência e do ESI, por dinheiro para combater a violência machista e não para o FMI e para educar e organizar a autodefesa.

Deve ser imposto à CGT e às CTAs. Nós devemos forçá-los. Pela vida das mulheres, pelas vidas jovens, pelas vidas operárias, a favor da massividade das medidas e um plano de luta que realmente faça tremer a terra sob os pés de Macri e seu patrão infame, o FMI.