Há apenas alguns dias o FMI chegou na Argentina com o fim de renegociar a Divida com esse organismo. No meio de uma situação marcada pela crise econômica e o desenvolvimento da pandemia, a visita do velho amo é bem recebida por ambos os lados do suposto racha. Com gestos para agrada-lo, como as últimas medidas econômicas, totalmente favoráveis às patronais, às multinacionais e à reativação do Pacto Social. Este filme já vimos, se ele não for brecado, para o povo trabalhador termina muito mal.

Por: PSTU-Argentina

Enquanto os casos de contágio e mortes por coronavírus continuam crescendo, e a pandemia parece estar naturalizada, o fiasco econômico em que estamos atinge fortemente ao povo trabalhador. Mesmo que ainda não haja um nível de resposta de acordo com os ataques que sofremos, as lutas  (apesar do papel de ministro do governo dos dirigentes das centrais sindicais) se multiplicam, deixando evidente que não vai ser tão fácil nos fazer pagar todos os pratos quebrados.

O Governo, em menos de um ano da posse já está bastante desgastado, desilusão de seus votantes e crise interna. Seu carácter de governo de aliança, que envolve diversos setores, é cada vez mais visível e diante de situações decisivas se vê os atritos e as matizes na política (como no caso da tomada de Guernica, entre outros exemplos). Entretanto, a orientação do Governo nos fatos é bem nítida e definida.

No caso da Vicentín no qual logo após anunciar a expropriação parcial de uma empresa quebrada pelas trapaças de seus donos, pediu desculpas, vale de amostra de toda uma política na qual nem sequer se animam continuar com as medidas mínimas que eles mesmos anunciavam. Outra amostra mais é o da legalização do aborto, prometida desde a campanha eleitoral.

A oposição patronal ganhou as iniciativas nas ruas, num começo contra a expropriação da Vicentín, depois contra a Reforma Judicial, sempre com a reivindicação contra o isolamento social de fundo. É uma oposição gorila, que se localiza abertamente a “direita” do governo, criticando suas medidas supostamente progressivas e que se aproveita de seu desgaste para ganhar, não só os setores médios altos, mas também a setores da classe média empobrecida pela crise.

O tão mencionado racha é bom negócio para ambos que já começaram a corrida eleitoral. Impor a ideia de que a grande rivalidade é entre os de Macri e os de Alberto serve por um lado para manter a seus adeptos e ganhar decepcionados com o oponente. Mas sobretudo para esconder qual é o verdadeiro racha, o irreconciliável, a dos interesses dos empresários e as multinacionais com o povo trabalhador.

Submissão ao FMI e Pacto Social

Talvez o aspecto mais fundamental no que não se vê o racha é em relação ao FMI. Neste país, o povo trabalhador sabe muito bem o que significam as “ajudas” deste repudiado organismo explorador, mais ajuste, fome e miséria. Por isso, quando Macri pediu um novo empréstimo ao FMI o repúdio foi massivo e os setores políticos e sindicais participantes do governo atual, repudiaram o acordo. Os cartazes de “Fora FMI” nas manifestações kirchneristas parecem ter ficado na história, hoje todos esses mesmos dirigentes recebem ao FMI com braços abertos.

A contradição é tão evidente que querem mostrar que o Fundo mudou, e a própria titular do organismo declarou: “Não viemos a Argentina para pedir mais ajuste”. Entretanto, o acordo recentemente assinado com o governo de Equador obriga a dito país a aumentar em um 15% o IVA e a cortar o gasto público.

O governo de Fernández que prometeu uma Argentina de pé, vai de joelhos negociar com o Fundo  o refinanciamento da Dívida por U$S 44 bilhões. Que dizer, que os trabalhadores e trabalhadoras do país vamos pagar o acordo repudiável, mais cedo ou mais tarde.

Como um sinal a serviço dessa renegociação, o Governo retomou o Pacto Social segunda-feira e contou com a presença de representantes das centrais sindicais CGT (com sete dirigentes), CTA e a CTEP, Miguel Acevedo e Carolina Castro pela União Industrial Argentina, as câmaras de Comercio e da Construção Civil, José Martins pelo Conselho Agroindustrial (que amanhã voltará a reunir-se com o governo e dirigentes dos bancos público e privado).

Como ja tínhamos mencionado em ocasiões anteriores, o Pacto Social é um acordo ente o governo, os empresários e os dirigentes sindicais ao serviço de amarrar a resistência operária e popular ao ajuste que necessariamente se aprofundará pela mão do FMI.

A possibilidade de um acordo que possa beneficiar tanto a empresários como aos trabalhadores, “um capitalismo no qual todos ganhemos”  como soube dizer Alberto Fernández, é uma ilusão a serviço de que continuem ganhando os mesmos de sempre, e nós de baixo paguemos a crise com perda de direitos trabalhistas e previdenciários, perda de salário e postos de trabalho.

Fora o FMI, abaixo o Pacto Social

Muitos companheiros e companheiras, com boas intenções, acreditam que só existe outra saída, a de tentar a melhor negociação possível com o FMI. Romper relações com o FMI e deixar de pagar a Dívida pública externa e fraudulenta não só é possível, de fato a Argentina e outros países suspenderam o pagamento várias vezes, mas é também indispensável para poder solucionar as necessidades básicas insatisfeitas que hoje tem cerca de 50% da população.

Na Costa Rica a mobilização popular impediu que o governo avançasse no seu acordo com o FMI. Devemos unir todas as vozes que repudiam a visita deste organismo para começar a gestar a mobilização contra o acordo, rompendo o Pacto Social e para que não seja pago nem um peso, enquanto haja uma só criança mal alimentada em Argentina.

Está evidente que uma saída em benefício do povo trabalhador não virá por parte deste Governo, nem de nenhum que represente os interesses das multinacionais e os empresários. Nós trabalhadores necessitamos tomar nas nossas próprias mãos a tarefa de conquistar uma Segunda e Definitiva Independência e impor um governo dos trabalhadores e do povo, que organize a economia ao serviço das necessidades da maioria da população, em caminho ao socialismo. Ao serviço desta tarefa construirmos o PSTU, te convidamos a construir conosco.

Tradução: América Riveros