Julgamento e punição aos responsáveis pela morte de Mohamed Idrissi!

Por: Correspondente em Bremen

No sábado 15 de agosto foi convocada uma manifestação em Bremen contra a violência policial contra os imigrantes na Alemanha. Mais de 250 pessoas participaram da mobilização para exigir investigação e justiça pela morte de Mohamed Idrissi, assassinado a tiros pela Polícia do bairro de Gröpelingen em 18 de junho de 2020.

O único “delito” que Mohamed Idrissi cometeu nesse dia (marroquino de 54 anos e que sofria de uma doença mental), foi tentar defender-se ao sentir-se ameaçado quando a polícia pretendia desalojá-lo de uma propriedade privada.

A plataforma «Justiça para Mohamed» formada pelos familiares e diversas organizações de refugiados imigrantes e grupos antirracistas da cidade convocaram o protesto, que foi desde o Ziegenmarkt a Goetheplatz e terminou no Ministério do Interior. A consigna principal cantada durante todo o percurso foi: “No justice, no peace” (sem justiça, sem paz). Alguns dos cartazes que os manifestantes levavam diziam frases tão categóricas como “a polícia não é reformável”.

A campanha que iniciou em Bremen para esclarecer os fatos do ocorrido tem um caráter mais profundo, já que a morte de Mohamed Idrissi não é um caso isolado. Mais de 160 imigrantes (negros e pessoas de cor) foram assassinados pela Polícia na Alemanha desde 1990. Assassinatos que caíram no esquecimento, já que as balas da Polícia acabaram com as vidas de pessoas que não tem os mesmos privilégios que a maioria branca na Alemanha. Migrantes aos quais não se dão as mesmas oportunidades e que acabam subsistindo como podem nos distritos mais pobres, condenados ao desemprego e à marginalização.

O assassinato de Mohamed coloca novamente em evidência o racismo institucional que existe na Alemanha e que em julho de 2020 veio à tona com o escândalo da rede de extrema direita dentro da Polícia alemã.

Os militantes da LIT-QI na Alemanha nos solidarizamos com a família de Mohamed, exigimos o imediato esclarecimento e a punição dos responsáveis deste assassinato e continuaremos participando das atividades convocadas pela Plataforma até que estes objetivos sejam alcançados.

Tradução: Lilian Enck