search
Colômbia

Ante o avanço da ultradireita ¡A continuar a luta nas ruas contra Abelardo e o autoritarismo!

A luta de classes se intensifica: mobilização popular é essencial diante da ameaça da ultradireita e do imperialismo.

Comitê Executivo Partido Socialista dos Trabajadores

junho 30, 2026

Com uma margem estreita de 250.830 votos (apenas 0,96%), a pré-contagem da Registraduria Nacional do Estado Civil da Colômbia, dá como vencedor o candidato da ultradireita Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda no segundo turno. As milhares de impugnações, fruto das denúncias de irregularidades e fraude, levantam a ilegitimidade de uma eventual ratificação de De La Espriella como presidente eleito. Desde a própria noite de 21 de junho, as mobilizações e manifestações em frente às seções eleitorais reivindicam o legítimo direito de resolver essas denúncias.

O povo não foi derrotado

A própria votação por Iván e Aída que supera em um milhão de votos a de Gustavo Petro no segundo turno —sendo a maior obtida pela “esquerda” na história da Colômbia—, e em especial as mobilizações que começaram a percorrer o país quase de imediato, mostram que as massas não foram derrotadas e que a nova consciência de luta surgida da Paralisação Nacional de 2019 e 2021 continua viva. O mapa eleitoral do país e das cidades mostra um voto dividido por classe social. Enquanto os setores de trabalhadores e populares mais empobrecidos, assim como os moradores das regiões mais afetadas pela violência e pela desigualdade como o Chocó, votaram majoritariamente por Cepeda, aqueles que concentram a riqueza —e que aspiram a ser ricos— comandaram o voto raivoso pela ultradireita. Este mapa mostra uma expressão distorcida da verdadeira luta de classes, que agora precisa se traduzir em organização e luta em defesa dos direitos e contra a ameaça autoritária. Também há uma clara diferença por idades: a juventude se expressa majoritariamente pela opção mais à esquerda, a defesa da natureza e dos direitos democráticos.

Independentemente do resultado e de quão grande um eventual fraude tenha influenciado nisso, o avanço da direita no país é um fato, assim como tem sido em outros países da América Latina e do mundo. A nova direita internacional personificada em Mileil, Bukele, Bolsonaro e Trump avança no mundo captando o descontentamento das classes médias e da pequena burguesia pelos erros, limitações e contradições dos governos de esquerda neoreformistas e progressistas.

É momento de passar das urnas para as ruas

De la Espriella ameaça com reprimir pela força qualquer indício de luta contra seu eventual governo, mostrando seu caráter autoritário que desmente toda a retórica mentirosa de reconhecer as diferenças, e de “governar para todos” que pronunciou em seu discurso após o pré-conteo.

Por sua parte, Cepeda e Petro, ao mesmo tempo em que fazem ressonância às denúncias e aguardam os resultados da apuração para reconhecer qualquer resultado das eleições, também chamam à calma e a cuidar do voto, jogando baldes de água fria à justa indignação expressa nas mobilizações; inclusive de maneira explícita orientam a não se mobilizar e a confiar no trabalho de juízes, advogados e tabeliões. Nós consideramos, pelo contrário, que o processo de apuração e de impugnação deve ser acompanhado de mobilização.

Fraude é uma realidade, mas vai muito além da Registradoria

A Registraduría se apressa para terminar com a apuração, para proclamar De La Espriella como presidente. Querem evitar uma incerteza como a do Peru. Certamente resolverão de maneira apressada todas as denúncias. Defendemos o direito democrático de exigir transparência nas apurações e a resolução de todas as impugnações. Acompanhamos e apoiamos a mobilização da juventude e das massas populares nesta denúncia, mas somos céticos em relação ao resultado, já que a maioria das formas de fraude não podem ser vistas na revisão de mesas e formulários.

O fraude vai além do problema com o software, e das alterações nos formulários e nos cartões que foram denunciados. O sistema eleitoral burguês é um fraude em si mesmo, projetado para evitar que organizações pequenas e radicais como o PST participem, um sistema eleitoral que nem mesmo garante que nas populações mais afastadas haja locais de votação. A própria campanha eleitoral foi um fraude: repleta de informações falsas e distorcidas —difundidas tanto nas redes quanto nos meios de comunicação de massa—, de clientelismo, votos comprados —que são impossíveis de diferenciar uma vez depositados—, constrangimento eleitoral e, acima de tudo, da intervenção imperialista de Trump nas eleições, que não se limitou apenas a apoiar publicamente De la Espriella, mas também intimidou e até perseguiu a campanha de Cepeda: o ativista Beto Coral, do Pacto Histórico, foi detido arbitrariamente nos Estados Unidos por ordem de Marco Rubio.

Nas eleições presidenciais da Colômbia operou o mesmo mecanismo do “Honduras Gate”; ou seja, um plano maquinado entre a direita criolla e o imperialismo para manipular a opinião pública, interferir em nossos assuntos internos e usar a repressão política para manter o controle. Naturalmente, o imperialismo ianque não se fez esperar em reconhecer e proclamar presidente a De la Espriella antes que as autoridades colombianas, e De la Espriella em seu primeiro vídeo após o pré-contagem, a primeira coisa que disse foi que avançará de mãos dadas com os Estados Unidos; a pátria obviamente não era mais do que um slogan demagógico.

Por isso as pessoas tem razão, embora De la Espriella seja proclamado presidente nas próximas horas ou dias, sua eleição poderá ser legal, mas não será legítima e é totalmente válido sair para lutar e denunciá-lo desde já.

Encontro Nacional de Emergência para definir um plano de luta

Se abre um novo capítulo da luta de classes na Colômbia, marcado por uma polarização política na qual o novo governo, fortalecido pela ingerência imperialista de Trump e por ter se unificado sob as bandeiras de uma nova ultradireita internacional, não terá facilidade para impor sua guerra econômica, política e provavelmente o recrudescimento da violência, contra a classe trabalhadora e os setores populares. Agora enfrentará a verdadeira luta: a luta de classes.

O caminho continua sendo mostrado pelas massas bolivianas, as lutas educativas no Chile ou as lutas operárias na Argentina contra os governos de direita no continente. Como demonstrou a luta contra o fascismo nos anos 30, com a ultradireita não se discute, se combate desde a organização e a luta independente, impulsionando a mais ampla unidade na ação longe das alianças paralisantes do governo, e do absurdo de chamar agora a um Acordo Nacional com aqueles que, sem serem nem ratificados, já nos estão ameaçando; pelo contrário, nenhuma trégua para Abelardo e seus comparsas.

Por isso é urgente a convocação de um encontro nacional de emergência onde as organizações sindicais, indígenas e sociais organizemos, centralizemos e coordenemos as mobilizações atuais frente à contagem, e frente às próximas semanas e meses.    Chamamos as centrais, lideradas pela CUT, a convocar este encontro o quanto antes. Este encontro nacional de emergência deve se apoiar nas assembleias populares e setoriais que foram ativadas em todo o país após o primeiro turno.

Comitê Executivo

Partido Socialista dos Trabalhadores

22 de junho de 2026

Leia também