Aplastante derrota do populismo autoritário
A derrota de Orban na Hungria revela a continuidade da luta contra o imperialismo e a necessidade de mobilização popular.
As eleições parlamentares na Hungria foram realizadas no último domingo. Seu resultado não deixou espaço para dúvidas: uma massiva rejeição nas urnas acabou com o governo do primeiro-ministro Víctor Orban, que durou dezesseis anos. Por outro lado, a derrota de Orban atinge seriamente Putin e Trump ao mesmo tempo. Ao serem divulgados os resultados, uma maré humana inundou as ruas de Budapeste e outras cidades. As massas húngaras se negam categoricamente a continuar com o rumo de Orban. Resta ainda ver – à parte suas promessas de campanha – o rumo que tomará seu sucessor Peter Magyar.
Durante seu mandato, Orban foi transformando o regime da Hungria. Embora tenha mantido formalmente seu funcionamento parlamentar, imprimiu um crescente caráter autoritário. Com especial veemência, avivou o chauvinismo e a xenofobia contra os imigrantes, defendeu a «Europa cristã», censurou a imprensa independente e proibiu o que ele chamou de «propaganda LGBT».
Evidentemente, seus aliados que foram golpeados são também personagens ultra reacionários: Vladimir Putin, Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Orban era a principal alavanca de Putin na Europa. A Hungria, sob seu mandato, bloqueou a ajuda à Ucrânia, retardou as sanções contra a Rússia e manteve estreitas relações econômicas com a própria Rússia. Agora Putin perdeu seu “ativo”, como ponto de apoio. Mas o gás e petróleo russos continuam sendo um instrumento econômico de influência.
Trump apoiou a campanha de Orban com todas as suas forças. Ultimamente, Orban tem participado regularmente em numerosas conferências das forças da direita conservadora nos Estados Unidos, e até ajudou a organizá-las em Budapeste. Ao ver as pesquisas desfavoráveis, na véspera das eleições, chegou o vice-presidente americano J.D. Vance, para dar um “apoio de emergência”. Mas, pelo visto, foi um verdadeiro fiasco, pois o apoio de Washington não salvou Orban.
No ano passado, Orban recebeu em Budapeste Benjamin Netanyahu, que continua cometendo um terrível genocídio contra o povo palestino. O Tribunal Penal Internacional emitiu então uma ordem de prisão contra Netanyahu por seus crimes de guerra em Gaza. A Hungria deveria tê-lo detido no momento em que desceu do avião. Mas, como era de se esperar, Orban ignorou.
Húngaros, ucranianos e muitos outros povos celebram o fracasso de Viktor Orban. E essa alegria está plenamente justificada. Que outra coisa se pode sentir quando um agente dos imperialistas é desalojado do governo? No entanto, não devemos nos iludir de que o opositor que substituiu Orban, Peter Magyar, seja a antítese de seu predecessor. Alguns que só ouviram falar superficialmente das eleições húngaras têm a impressão de que Peter Magyar, do partido Tisza, é uma “figura progressista”.
Na realidade, Magyar é um conservador militante que, há dois anos, pertencia ao partido Fidesz de Orban. A esposa de Magyar até 2023 era Judith Varga, ministra da Justiça no governo de Orban. Ela renunciou em meio a um escândalo, após indultar Endre Konya, subdiretor de um orfanato que encobria a violência sexual contra menores. Assim como Orban, Magyar é extremamente hostil em relação aos imigrantes e, embora reconheça Putin como agressor, não tem pressa em rejeitar o petróleo russo e, muito menos, em romper relações com o regime da Rússia. Magyar enfatiza as «relações de respeito mútuo entre a Rússia e a Hungria», uma postura tipicamente hipócrita do imperialismo da União Europeia. Magyar também se negou a fornecer armas à Ucrânia para se proteger do agressor.
Em resumo, como foi dito, hoje temos todo o direito de nos sentirmos reconfortados pela derrota do canalha Orban, agente autoritário do imperialismo. No entanto, devemos lembrar que ele foi substituído por outro agente, apenas com uma aparência mais «polida». O povo não poderá se livrar dos servos do imperialismo, seguindo o exemplo de Magyar e Orban, por meio de eleições. ¡Somente a organização e mobilização geral das massas oprimidas e exploradas em sua luta pelo poder do povo trabalhador relegarão esses nefastos personagens ao lixo da história!




