107 anos sem Yákov Sverdlov, o grande organizador do Partido bolchevique
A memória de Yákov Sverdlov: um exemplo de organização revolucionária na luta pela emancipação da classe trabalhadora.
«Ele se foi. Ele se foi. Ele se foi». Do outro lado do telefone, a voz trêmula de Lenin anunciava a morte de Yákov Mijáilovich Sverdlov em 16 de março de 1919.
Alguns/as revolucionários/as bolcheviques perderam a vida no campo de batalha, na trincheira ou em plena insurreição. Outros/as, nas prisões, campos de trabalho ou quartéis de nossos inimigos de classe. A Yákov Sverdlov, por outro lado, a morte o alcançou prematuramente deitado em sua cama, abrasado pela febre tifóide —contraída em uma viagem de Járkov a Moscou—, interrompendo uma reunião do Buró Político do Partido Operário Social-Democrata da Rússia.
A arquitetura do «milagre bolchevique»
A construção do Partido Bolchevique russo não foi obra exclusiva de Lenin e Trotsky, por mais que a memória coletiva insista nessa ideia. Foi, pelo contrário, o resultado do trabalho incansável de numerosos homens e mulheres. Entre eles, Yákov Sverdlov, o grande organizador do «milagre bolchevique», como o descreveria Pierre Broué em 1962.
Se Sverdlov deve ser lembrado não é por ter escrito algum tratado sobre economia, filosofia ou política marxista. Não foi um grande teórico nem um grande agitador de massas, mas era o homem mais querido e respeitado do Partido Bolchevique e seu grande organizador. Sua grande habilidade, como descreveria Trotsky em 1919, era a de abordar todas as questões da revolução não de cima, ou seja, não do ponto de vista das considerações teóricas gerais, mas sim de baixo, através dos impulsos diretos da vida real tal como os transmitia o organismo partidário.
Também não é por acaso que a figura de Sverdlov tenha caído no esquecimento: após a morte de Lenin em 1925, a consolidação de Stalin à frente da URSS se orientou a liquidar os/as dirigentes bolcheviques que organizaram e dirigiram a revolução, primeiro fisicamente, torturando-os e assassinando-os, e depois, intelectualmente, apagando sua memória e seu legado. Assim, conhecer a vida de Sverdlov como revolucionário é também conhecer a história viva do partido que conseguiu desterrar a burguesia e tomar o poder, abrindo caminho para a edificação de uma nova sociedade socialista.
De Gorki a Kanavin
Yakov Sverdlov nasceu em 22 de maio de 1885 na cidade de Nizhni Novgorod, renomeada como Gorki em homenagem ao marxista Máximo Gorki após o triunfo da revolução russa.
Nos primeiros meses de 1900, quando ainda estava no colégio secundário, Sverdlov conheceu o movimento revolucionário através da agitação que em sua cidade era realizada. Mas não foi até que a prematura morte de Elizabeth Stern, sua mãe, o obrigou a abandonar seus estudos e se mudar para Kanavin para trabalhar como aprendiz em uma farmácia que o jovem Sverdlov teve seu primeiro contato com as ideias revolucionárias. Nessa farmácia Sverdlov conheceu pela primeira vez um social-democrata e começou a se reunir com outros/as trabalhadores/as no que seria sua primeira célula de leitura. É aí que começou sua trajetória como militante revolucionário que duraria toda sua vida.
Os primeiros passos na militância revolucionária
Em 1901, com apenas 16 anos, Sverdlov adere às fileiras do Partido Operário Social-Democrata da Rússia (POSDR). Durante esse ano, os bolcheviques publicarão o primeiro número de Iskra (A Faísca), o jornal que formará e coesionará política e ideologicamente centenas de jovens e trabalhadores/as que iniciavam naquela época sua militância no POSDR. Um ano depois, em 1902, Sverdlov apoiou a fração bolchevique no âmbito do II Congresso do POSDR que se resolveu com a separação entre bolcheviques e mencheviques em 1903.
Já desde 1902 Sverdlov – o Malish, (o menino), como o chamava a polícia – esteve no ponto de mira da Okhrana (polícia czarista) até o ponto que foi detido em várias ocasiões: em abril de 1902, por participar do funeral de Boris Ryurikov – um jovem estudante social-democrata -, que se transformou em uma importante manifestação e, em maio desse mesmo ano, por organizar a manifestação do 1º de maio no bairro operário de Sormovo.
No final de 1902, o comitê social-democrata de Nizhny Novgorod, por sugestão de Sverdlov, aprovou a organização de uma impressora clandestina em Sormovo, que foi criada durante 1903. Com essa iniciativa, o partido conseguiu se reorganizar e consolidar a camada de militantes revolucionários/as que anos depois liderariam o partido que tomou o poder.
A revolução de 1905
No ano de 1904, o partido envia Sverdlov para a cidade de Kostroma para organizar um dos centros têxteis mais importantes do país, com 12.000 trabalhadores/as em uma cidade de 40.000 habitantes. No entanto, em 1905, após passar por várias cidades do Alto Volga, ele se instalou em Kazan, onde militou com estudantes e trabalhadores/as, tornando-se uma referência partidária na cidade. Em setembro do mesmo ano, Sverdlov viajará para Ecaterimburgo – cidade que tomará, anos depois, seu mesmo nome – para ficar. O partido o enviava para organizar os/as trabalhadores/as dos Urais que haviam se levantado para lutar contra o zarismo. Nessas semanas, Sverdlov assumiu a liderança de uma célula de propagandistas, organizou reuniões ilegais com centenas de trabalhadores/as e jovens e fundou e dirigiu o Conselho de Deputados Operários de Ecaterimburgo (Soviet).
As consequências da derrota da revolução de 1905, que Lenin qualificou como ensaio revolucionário, foram terríveis para o movimento operário e o jovem partido bolchevique: centenas de militantes presos/as, encarcerados/as e deportados/as e a maioria das regiões desarticuladas entre si. Mesmo assim, em fevereiro de 1906, Sverdlov conseguiria organizar uma Conferência regional dos Urais, que teve lugar em Ekaterimburgo, mas a prisão e o desterro, em junho de 1906, truncariam novamente a atividade política que Sverdlov desenvolvia na região.
A prisão
No dia 10 de junho de 1906, Sverdlov, junto com outros/as bolcheviques, foi detido. Ficou 18 meses preso até que, em dezembro de 1907, foi condenado a mais dois anos de prisão. Sverdlov utilizou o tempo que esteve preso para estudar política, economia e filosofia e incentivou o estudo do marxismo entre os/ as demais trabalhadores/as e militantes presos. Apesar das duras condições de vida nas prisões e das muitas dificuldades, Sverdlov conseguiu organizar os/ as presos para lutar contra seus carcereiros, ou seja, contra o aparato policial repressivo, ao mesmo tempo em que conseguiu manter contato com os/ as militantes do partido que estavam em liberdade. Tanto foi assim que, quando foi liberado em 1909, com 24 anos, se tornou um militante bolchevique experiente na luta de classes e com uma sólida formação marxista que lhe permitiu continuar se desenvolvendo como um dirigente partidário.
Mas, novamente, o Partido bolchevique ficou desorganizado, com muitos/as de seus dirigentes presos/as e com o jornal desarticulado. A essa situação, já difícil por si só, somava-se um quadro geral de refluxo do movimento operário, produto da derrota da revolução de 1905. Sverdlov foi enviado a Moscou, onde o partido bolchevique estava pouco desenvolvido, para ajudar a restabelecer os organismos locais e regionais e colocar novamente em funcionamento o jornal e a propaganda revolucionária. No entanto, somente três meses depois de chegar a Moscou, em 13 de dezembro de 1909, foi detido novamente pela polícia czarista durante uma reunião do Comitê Central de Moscou.
O longo exílio siberiano
No dia 31 de março de 1910, por ordem do Ministério do Interior, Sverdlov é enviado ao exílio por três anos, à cidade de Narym (Sibéria), por pertencer à organização social-democrata de Moscou. Durante os quase quatro anos que esteve no desterro, continuou a se encarregar da organização dos/as militantes bolcheviques, de seu estudo e de sua formação política.
O refluxo que havia aberto caminho uma vez derrotada a revolução de 1905 começou a se transformar, com um movimento operário em alta, e o Partido bolchevique aproveitou essa situação para aumentar sua atividade política nos centros industriais e enraizar-se na classe operária. Sverdlov conseguiu fugir poucos meses após chegar a Narym e retornar a Moscou, mas, devido à sua atividade, no dia 14 de novembro foi detido novamente em São Petersburgo e, três meses depois, enviado a Ecaterimburgo sob prisão preventiva. Em maio de 1911 será condenado a quatro anos de exílio em Narym, onde teve que se adaptar a viver em uma zona com um clima muito frio e com poucos recursos. No entanto, muito em breve se tornou uma referência para os poucos habitantes de Narym, cumprindo funções tão distintas como a alfabetização ou a organização de grupos de estudo. Junto com outros/as exilados/as social-democratas que foram chegando a Narym, o Partido bolchevique articulou um grupo clandestino que organizou o estudo e debate dos/as militantes da região e conseguiu manter uma estreita relação com o Comitê Central.
No outono de 1911, o czarismo desarticulou o grupo clandestino bolchevique de Narym e endureceu o exílio de Sverdlov, trasladando-o para Maksimkin Yar, a quase mil quilômetros de distância. Completamente isolado e sem vínculo com o partido, Sverdlov passou verdadeiras calamidades nesse povoado, a ponto de sua saúde se deteriorar sobremaneira. Diante dessa situação, o Partido bolchevique lançou uma campanha para que o jovem Sverdlov fosse levado de volta a Narym. As autoridades da região, diante da força dos bolcheviques, acabaram cedendo e Sverdlov retornou a Narym em fevereiro de 1912, de onde conseguiria fugir definitivamente alguns meses depois, em sua quinta tentativa de fuga.
Poucas semanas antes de seu retorno a Narym, entre 5 e 17 de janeiro de 1912, o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) havia realizado sua sexta Conferência na qual Sverdlov, que não esteve presente, foi eleito como membro do Comitê Central e do Burô Político.
Entre 1912 e 1913, os mineiros de Lena protagonizam um movimento grevista massivo. É nesse período e para intervir sobre esse ascenso operário que os bolcheviques publicam o primeiro número de Pravda. No verão de 1912, Lenin, que se instalou em Cracóvia, apoia Sverdlov para que este assuma a direção política do jornal, substituindo Stalin na tarefa. É assim que Sverdlov se tornará o chefe de redação de Pravda até que, mais uma vez, no início do ano de 1913, Sverdlov será preso, junto com Stalin, delatados pelo agente czarista Rodión Malinovsky, que em 1911 havia sido infiltrado pela polícia no Partido bolchevique. Nesta ocasião, ambos serão exilados para Turukhansk, ao norte da Sibéria, uma região tão isolada da qual era praticamente impossível escapar. Entre 1913 e 1916, cerca de quarenta bolcheviques foram exilados/as, seis deles, entre os quais estavam Sverdlov e Stalin, eram membros do Comitê Central. Durante esses anos de exílio, Sverdlov desenvolveu a organização dos/ das militantes siberianos junto com Stalin, com quem teve algumas desavenças pessoais. Em sua biografia sobre Stalin, Trotsky fala da primeira carta que Sverdlov lhe enviou de Kureika, na qual relata que sua convivência com Stalin “não era fácil de suportar” e o define como “colérico, brusco e consumido pela ambição”.
A revolução fevereiro
Em 1917, quando estoura a revolução de fevereiro, Sverdlov ainda estava exilado em Turukhansk, mas o Governo Provisório concede uma anistia geral que lhe permitirá retornar a Petrogrado. No mês de abril, o POSDR celebrou sua sétima Conferência, na qual Sverdlov foi reeleito como membro do Comitê Central. É então que o Comitê Central o nomeia Secretário do Partido bolchevique, entre outras coisas, por suas grandes habilidades organizativas, e o envia a Ekaterimburgo para organizar o trabalho da Conferência do Partido Regional dos Urais. Sverdlov memorizava as estruturas dos/das membros do partido nas diferentes regiões e ia compondo mentalmente um grande mosaico de militantes e regiões. Não por acaso, Lunacharsky escreveria sobre ele: «Sua memória contém algo assim como um dicionário biográfico do comunismo» e Pierre Broué se referiria à sua “extraordinária memória”, que lhe permitia suprir a ausência de fichários ou arquivos.
Em julho de 1917, quando o regime czarista declara contrarrevolucionários os/as bolcheviques e detém um grupo de quadros do Partido, Sverdlov consegue ficar em Petrogrado de forma clandestina. É durante essas semanas que, sob sua direção na prática, o partido se reorganiza, implementando novas medidas de segurança que preservarão a estrutura militante. Além disso, Sverdlov, consciente de que uma parte dos/as militantes bolcheviques, após a derrota da revolução de fevereiro, ficou desmoralizada por não ter conseguido derrubar o Estado burguês e, tendo uma parte importante da organização afastada, cumpriu uma tarefa de moralização das fileiras bolcheviques.
A organização da insurreição
Poucos dias antes da insurreição de outubro de 1917, Sverdlov passou a fazer parte do Comitê Executivo do Comitê Militar Revolucionário do Soviet de Petrogrado, que seria o responsável por organizar a derrubada do governo provisório e a tomada do palácio de inverno. A partir dessa posição, Sverdlov presidiu as reuniões do Comitê Central do Partido bolchevique nas quais, entre 10 e 16 de outubro, foi aprovada a realização da insurreição militar. Assim, desempenhou um papel crucial na organização e direção da revolução em Petrogrado.
A edificação do novo estado operário russo
Uma insurreição operária acabava de mudar a história da Rússia e de todo o mundo: a revolução russa, que levou a classe operária pela primeira vez ao poder. Uma façanha registrada na história como uma das conquistas mais importantes da classe operária mundial.
Durante os meses que se seguiram ao outubro revolucionário, como já vinha fazendo, Sverdlov realizou um árduo trabalho organizativo vertebrando os organismos do partido, distribuindo tarefas, atribuindo funções e preparando rascunhos. Tão importante era o papel do jovem bolchevique no Partido que Trotsky relata em Minha vida a seguinte anedota:
“– E o que acontecerá –me perguntou Vladimir Ilich em um daqueles primeiros dias, quando eu menos esperava– se as Guardas Brancas nos matarem a você e a mim? Você acha que Sverdlov e Bujarin saberão se sair dessa?» (…) Relatei pela primeira vez este episódio em minhas memórias sobre Lenin, publicadas no ano de 1924. Segundo soube depois, a notícia ofendeu gravemente a «troika» que então era formada por Stalin, Zinoviev e Kamenev; no entanto, não se atreveram a discutir sua autenticidade. As coisas são como são: Lenin só havia nomeado Sverdlov e Bujarin. Não lhe ocorreu pensar em outros”.
Um tempo depois, proposto por Lenin, Sverdlov foi nomeado presidente do Comitê Executivo Central dos Soviets de toda a Rússia, tornando-se, de fato, o primeiro chefe de Estado da Rússia soviética e um férreo instrumento de coesão do Partido bolchevique, assim como também uma correia de transmissão entre o jovem estado operário e a classe operária de toda a Rússia. Em janeiro de 1918, preside a comissão que redige a Constituição da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Tal era a confiança nele que Trotsky, no discurso proferido em seu funeral, explicaria que uma das maneiras de resolver um problema prático sério era – segundo a constituição não escrita -, discuti-lo com Sverdlov.
A contrarrevolução
Os meses que se seguiram à tomada do poder da classe operária russa foram intermináveis, pois a contrarrevolução, protagonizada pelos inimigos da classe operária dentro e fora da Rússia, colocava em risco o desenvolvimento da revolução, que deveria se estender pelos países vizinhos para triunfar por todo o continente. Os dias se acumulavam uns sobre os outros e os/as dirigentes bolcheviques acumulavam novas responsabilidades a cada momento.
Em agosto de 1918, Lenin é ferido após fazer um comício na fábrica Michelson de Moscou. Mesmo conseguindo sobreviver, sofreu ferimentos graves que o deixaram convalescente por um tempo, assim Sverdlov assumiu provisoriamente suas funções políticas, entre as quais se destacava a direção política para acabar com a contrarrevolução, tomando medidas extraordinárias que incluíram o conhecido terror vermelho. Sob as ordens de Sverdlov, em 3 de março de 1918, foi efetivada a assinatura do tratado de Brest-Litovsk, que retirou a Rússia da Primeira Guerra Mundial e estabeleceu a paz sem anexações. A todas as funções que Sverdlov desempenhou naquela época se somam as longas viagens que fez pelas regiões e frentes de toda a Rússia para continuar desenvolvendo a organização do Partido e a mobilização dos operários e camponeses na luta contra o Exército Branco. De fato, Sverdlov era designado invariavelmente quando era necessário se deslocar a alguma localidade para convencer a população sobre a necessidade de tomar as armas para defender a revolução socialista. Sverdlov era, na verdade, um verdadeiro tribuno popular, pois falava tranquilo, loquaz, e se destacava sobre o restante dos oradores/as por utilizar palavras claras e fáceis de entender.
Ajudou a organizar os Congressos dos partidos comunistas da Lituânia, Letônia e Ucrânia. Participou, além disso, nos preparativos do Primeiro Congresso da Internacional Comunista, que se celebrou em janeiro de 1919.
Yákov Sverdlov passou os últimos meses de sua curta vida preparando um rascunho que levava por título «Ensaios sobre a história do movimento operário internacional» que, lamentavelmente, não conseguiu terminar.
A morte prematura de Sverdlov
Com apenas 33 anos e 17 na militância revolucionária, a morte de Sverdlov foi um duro golpe para o Partido bolchevique e para a revolução socialista. Seu papel foi tão decisivo na organização do Partido Bolchevique e do novo estado operário soviético que, após sua morte, foi substituído por quatro dos melhores dirigentes bolcheviques e os quatro fracassaram, como explica Nahuel Moreno em Problemas de organização. Não por acaso, ao pé de sua tumba, Lenin, que se referia a ele como o «diamante bolchevique», exclamou:
“O camarada Yákov Mijailovich Sverdlov… não é apenas um símbolo eterno de devoção pela realização da Revolução, nos guiará como modelo de sobriedade e por sua aptidão prática de pleno contato com as massas, ao mesmo tempo que sua atitude é exemplo para o proletariado, para que sigamos em frente até a vitória completa da Revolução Comunista Mundial”.
Sverdlov hoje
Para os/as militantes revolucionários/as na atualidade, quem toma o legado dos/as militantes bolcheviques e se propõe, como eles/as, construir um partido e uma internacional revolucionária para que as revoltas que se sucedem no mundo se transformem em revoluções que consigam acabar com o capitalismo, resgatar a memória e o legado de Sverdlov é fundamental. Sua decisiva participação antes, durante e depois da insurreição revolucionária o coloca como um dos/as dirigentes mais destacados daquela gesta revolucionária. Sua vida, que esteve atravessada pela construção do Partido bolchevique, alternou períodos breves de militância legal com longos períodos de militância clandestina na prisão ou no exílio. Nenhuma dessas circunstâncias, no entanto, quebrou nunca seu ânimo nem seu compromisso revolucionário. De fato, Sverdlov foi sempre descrito como um homem dotado de um inexaurível otimismo e imbuído da confiança de que era possível resolver qualquer tarefa e superar qualquer dificuldade, qualidades que hoje, 107 anos depois de sua morte, são imprescindíveis para os/as revolucionários/as do mundo que enfrentamos as expressões mais variadas da barbárie capitalista e imperialista.
Um ano após sua morte, em 16 de março de 1920, o Partido bolchevique organizou uma homenagem em memória de Sverdlov na qual Lenin pronunciou estas palavras:
Quando se medita sobre o significado dessa perda, involuntariamente se inclina a pensar no problema da organização em geral e no papel que desempenham os organizadores tão relevantes, cujo número é extremamente reduzido e cujo exemplo de vida e atividade deve nos servir de lição para esclarecer nosso critério sobre o que significa a organização em geral.
Os problemas de organização, que muitas vezes são subestimados ou tratados como meros problemas administrativos, são, na verdade, problemas de primeira ordem que adquirem uma significação política, pois a tarefa primeira de qualquer organização revolucionária é a de organizar os/as trabalhadores e jovens, dentro e fora do partido, para lutar contra a burguesia e conseguir derrotá-la. As questões organizativas, assim, são fundamentais para poder dar estrutura, permanência e estabilidade a todas as iniciativas, lutas, mobilizações e ações que surgem da espontaneidade e que, tão rápido como nascem, acabam por morrer. Saber organizar, então, é indispensável para que a vanguarda que hoje está à frente das lutas não fique dissolvida amanhã e se incorpore à colossal tarefa de construir uma organização revolucionária que impulsione resolutamente a autoorganização independente da classe operária em sua histórica luta pela transformação socialista da sociedade.




