Declaração do Herak Haifa: Paremos a guerra de extermínio contra os dois milhões de palestinos sitiados em Gaza!
Importante declaração da organização palestina Herak Haifa (Haifa Livre), sediada na cidade palestina de Haifa.
Chamado urgente
Basta de crimes de guerra sionistas contra nosso povo palestino!
As potências imperialistas europeias e americanas são cúmplices na guerra de extermínio contra dois milhões de palestinos confinados em Gaza!
Às filhas e filhos de nosso inabalável povo, em nossa terra e na diáspora,
A todos os povos com consciência no mundo!
Levantamos esse chamado, esse apelo urgente, no momento mais perigoso da história de nosso povo, uma história cheia de calamidades, tragédias, bombardeios, massacres e expulsões.
Daqui, da Haifa ocupada, lançamos um grito de dor e tristeza, e um chamado urgente a ação para salvar os dois milhões de filhos e filhas de nosso povo da Palestina, crianças e idosos, contra os quais a máquina de guerra de Israel lançou uma guerra sem precedentes de aniquilação completa – e sem precedentes mesmo com a longa e sangrenta história desse Estado colonialista.
Não devemos esquecer que a campanha de crimes contra humanidade dirigida contra nosso povo hoje na Faixa de Gaza não é só uma “loucura” praticada pelo atual governo fascista, mas uma continuação da política de limpeza étnica que transformou a maioria dos residentes de Gaza em refugiados sitiados nesse pequeno pedaço da terra palestina, nos quais as necessidades básicas da vida humana não são garantidas, há 75 anos já. O cerco contra esse povo se intensificou, de forma ainda mais brutal, quando a resistência forçou a ocupação a remover suas forças e seus colonos em 2005. Rabin uma vez declarou seu desejo de ver “Gaza afundando no mar”, e agora estamos testemunhando como seus seguidores e seus assassinos se unem para afogar Gaza em um mar de sangue.
A criminosa ofensiva de hoje para exterminar o nosso povo em Gaza é um novo estágio em uma série interminável de crimes sionistas que buscam realizar seu sonho de herdar e colonizar uma “terra sem povo”. Fazemos esse chamado enquanto somos perseguidos, enquanto sangue palestino é derramado impunemente na Palestina e na diáspora. Somente nesse ano, cerca de 200 árabes palestinos foram assassinados dentro das “fronteiras soberanas de Israel” (a Palestina de 48) por balas de gangues criminosas, que tem a proteção e inclusive o apoio da polícia e do exército de ocupação.
Testemunhamos nesses mesmos dias uma campanha maciça de encarceramento contra todos que expressam uma opinião contrária ao sangrento coro do regime, a expulsão de estudantes árabes das universidades e a demissão de trabalhadores de seus empregos, a supressão de qualquer expressão de protesto, e o recrutamento, armamento e atiçamento de gangues de colonos sob as vistas grossas da polícia e do exército. O resultado de todas essas perseguições é que protestar, ou mesmo apenas gritar de dor por causa do derramamento do sangue de nosso povo, é visto como um crime.
Estamos gritando e clamando pelo fim dessa carnificina enquanto nossas mãos estão atadas e nossos lares estão sitiados. Mas sabemos, e o mundo e a história saberão, que por trás dos criminosos de guerra estão aqueles que os apóiam e encorajam enquanto sentam em segurança em suas casas e escritórios, esperando para lucrar com o sofrimento alheio. Entre esses, primeiro estão os poderes imperialistas da Europa e da América, seus políticos e proprietários de empresas multinacionais que calculam as divisas esperadas. Os bombardeios, massacres e carnificina são defendidos e encorajados por uma mídia racista e enviesada que abençoa o derramamento de sangue palestino, como abençoa o derramamento de sangue de todos os povos oprimidos e colonizados.
Fazemos esse apelo, com grande esperança, para os povos árabes e todos os povos da região e do Terceiro Mundo, que sofreram com o colonialismo e as ocupações por séculos, pagaram um preço elevado por sua liberdade e ainda estão sofrendo com o sistema “neocolonial”. Acreditamos que nossas irmãs e irmãos ao redor do mundo são capazes de impedir os regimes que correm para normalizar as relações com o Estado de Apartheid. Acreditamos que a restauração da solidariedade internacional entre os povos oprimidos e explorados é a garantia para o fim do colonialismo, para parar o sofrimento de nosso povo, e para estabelecer um mundo mulher para todos.
Nós retornamos e exigimos que todos façam tudo que for possível para impedir a campanha de genocídio contra nosso povo na Faixa de Gaza, imediatamente!
Nesse momento, quando nosso povo está sendo exposto aos ataques mais violentos de sua história, nós prometemos a todos, amigos e inimigos, que nosso povo permanecerá mais forte que todas as conspirações contra nós, e que a firmeza e unidade de nosso povo são a garantia do retorno, liberdade e dignidade no futuro Estado democrático da Palestina.
Glória e eternidade para os mártires do nosso povo.
Cura para os feridos e liberdade para os prisioneiros.
Haifa, 13 de outubro de 2023




