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Angola

Angola: Onda de greves assola o país

José Hata

outubro 1, 2026

Nos últimos dias Angola viveu uma onda grevista. Foram os trabalhadores da construção civil que trabalham na indústria petroleira, oficiais de Justiça, técnicos de manutenção da empresa aérea TAAG, empresa de águas de Benguela e greve dos professores do ensino primário e secundário.

A situação do pais está insustentável, a combinação do elevado índice de emprego, a vida baseada no subemprego, em especial as vendedoras de rua chamadas de zungueiras, e o incremento dos preços dos alimentos, tornou a vida insustentável. 

A economia do país vai muito bem. O pais disputa com a Nigéria quem é o maior produtor de petróleo na África subsaariana. Ambos com uma produção média de um milhão de barris diários. Além disso há exploração de inúmeros minerais, entre eles o diamante.  E para onde vai esse dinheiro perguntam os trabalhadores. A ditadura, obviamente impede a livre circulação de noticias e os trabalhadores concluem que só resta a greve.

Organizar a luta em Angola não é tarefa fácil. Em primeiro lugar os trabalhadores devem se encorajar a lutar contra uma ditadura que tem mais de cinquenta anos e no currículo o assassinato de pelos 50 mil opositores no processo conhecido com o 27 de maio de 1977. Passada essa primeira barreira vem a segunda que é a ilusão eleitoral. No próximo ano haverá eleições e as ilusões eleitorais levam as pessoas acreditarem num novo pais com pleno emprego e sem fome.  Os vendedores de ilusões falam de uma Angola por fora da crise econômica mundial, como se o país fosse uma ilha tranquila em um mar revolto. 

Ultrapassadas essas duas barreiras, aí então os trabalhadores chegam aos sindicatos. Aqui começa um outro tipo de barreira: a burocracia sindical. Os trabalhadores educados na ditadura dentro do modelito que convencionou-se chamar de afro-estalinismo, ainda não aprenderam as manhas da burocracia sindical e portanto,  ainda não aprenderam a lutar contra a burocracia sindical. 

A greve dos professores

A greve dos professores foi curta, com enorme participação mas sem qualquer exercício de participação das bases, isto é, sem democracia operária. 

Anunciada a greve a ordem era: todos em casa!. A desculpa para os professores não saírem de casa era a repressão estatal, mas na verdade escondia uma outra medida: deixar a direção sindical com as mãos livres para negociar a seu Bel prazer. Os trabalhadores obedeceram. Com três dias de greve a direção sindical abriu negociação com o governo e e no quarto dia já suspendeu a greve. 

A negociação e o acordo foi feito as costas da categoria.  O Novo Jornal, em sua edição eletrônica do dia 28 de setembro descreve o final da greve da seguinte maneira: Apesar de 13 províncias, incluindo Luanda, terem rejeitado a suspensão da greve, o Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), em nome do interesse publico, decidiu suspender a paralisação, após garantias do Governo de atender aos pontos que ainda falta”.

O Movimento Terceira Divisão durante a greve expressou suas preocupações com os rumos da greve e alertou para o problema dos enormes gastos com a dívida publica enquanto a educação recebe uma porcentagem mínima do Orçamento Geral do Estado. 

Após a greve, em novo pronunciamento a Terceira Divisão chamou os professores a não baixarem a guarda, a se preparem para uma nova mobilização pois não há garantias de que o governo vá cumprir o acordado, dada as precárias condições da economia baseada na exploração  de commodities controladas pelas multinacionais. 

Ainda segundo o Terceira Divisão, a próxima luta deverá ser dirigida pela direção do sindicato e com a participação ampla dos professores através de Comandos de Greve nas regiões e de assembleias que deliberem cada passo, pois a direção do SINPROF foi reprovada como um mau aluno que “não ouve os professores” 

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