Terremotos sacudiram a Venezuela. Solidariedade absoluta com o povo trabalhador afetado
Solidariedade e luta: a resposta dos trabalhadores à tragédia social e natural na Venezuela.
Na quarta-feira, 24 de junho de 2026, dia em que se comemorava mais um aniversário da célebre Batalha de Carabobo, que selou a independência do país da coroa espanhola, aproximadamente às 18:04, dois fortes sismos de 7.2 e 7.5 na escala de Richter, sacudiram o país, com apenas 39 segundos de diferença entre um e outro, em um fenômeno de ocorrência pouco comum, conhecido como Dublete Sísmico.
Os epicentros de tais abalos sísmicos estiveram localizados no estado de Yaracuy, no centro-oeste, a cerca de 168 da capital; e estes foram sentidos em quase toda a área nacional, afetando principalmente a zona central do país, principalmente a capital Caracas e o estado La Guaira; embora também tenham ocorrido graves efeitos nos estados Miranda, Aragua, Carabobo, Falcón, Zulia, Yaracuy, Lara, entre outros. O evento sísmico também foi sentido em outros países.
Solidariedade absoluta com as vítimas e o povo trabalhador afetado
As cifras oficiais até agora informam cerca de umas seis centenas de falecidos e cerca de três mil feridos (589 falecidos e 2.980 feridos), embora se estime que o número de vítimas, entre falecidos, feridos, desaparecidos e desabrigados, poderia superar os dez mil. A grande quantidade de edificações derrubadas (edifícios e casas), tanto residenciais, de hospedagem e comerciais, e obviamente a existência de uma grande quantidade de pessoas soterradas sob os escombros, fazem prever que o número de vítimas, lamentavelmente, se aproximará ou superará a cifra estimada.
Da Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST), expressamos nossa mais absoluta solidariedade com as vítimas e o povo trabalhador venezuelano afetado por este desastre natural, nos unimos à profunda dor que hoje embarga as famílias venezuelanas, em razão da grande quantidade de perdas humanas e materiais, principalmente de moradias.
Aos trabalhadores e setores populares que sofreram perdas fatais, como a morte de familiares e feridos, às mais de 27 mil pessoas afetadas, enviamos um abraço solidário e fazemos chegar uma mensagem de ânimo e força diante de tão lamentável tragédia.
Desastre natural e tragédia social
É um fato nítido e inegável que os desastres naturais são muitas vezes inevitáveis e imprevisíveis, como é o caso dos sismos. No entanto, as políticas implementadas pelos Estados, em matéria social e de prevenção de desastres; antes, durante e depois de sua ocorrência fazem com que os efeitos ou consequências dos mesmos sejam minimizados ou agravados.
Os eventos recentes na Venezuela encontram o país em um contexto de verdadeira tragédia social, que agora se agrava com os mesmos e que, ao mesmo tempo, em um processo que se retroalimenta, magnificam os efeitos nocivos destes.
Anos de desinvestimento em matéria social (mais de duas décadas), aliado à corrupção (e também em grande medida por causa disso), o roubo dos recursos provenientes das exportações petrolíferas, assim como o destino prioritário destes para garantir os lucros das transnacionais do setor e os pagamentos da dívida externa, têm mergulhado o país em uma catástrofe social.
O país se encontra em condições precárias, com os serviços públicos no chão e toda a sua infraestrutura caindo aos pedaços. Os hospitais e centros de saúde estão destruídos e carecem de medicamentos e insumos para atender e curar pacientes normais e emergências comuns, nem se fala dos provenientes de um desastre natural. Por sua parte, os serviços de prevenção e atendimento ao cidadão em emergências carecem do pessoal suficiente e dos equipamentos necessários para enfrentar esse tipo de desastres, tais como implementos de segurança, ferramentas e maquinário pesado para a remoção de entulhos. Além disso, é preciso ressaltar a quase completa carência de programas de prevenção e educação em matéria de enfrentamento de desastres naturais.
A isso se soma a falta de água (uma cidade como Cumaná, está há mais de quatro meses sem água), os constantes e cada vez mais longos cortes de energia elétrica (apagões), a falta e total precariedade do transporte público, a escassez de gasolina, gás, entre outros serviços essenciais.
A isso há que se adicionar a aplicação de um brutal pacote que mantém milhões de trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas recebendo salários e pensões de fome e miséria.
Então, enquanto o país padece as consequências da redução do gasto social, da desinvestimento em matéria produtiva de infraestrutura e de prevenção de desastres, das abusivas sanções implementadas pelos EUA e da aplicação de um pacote que descarrega a crise econômica sobre as costas dos trabalhadores; o governo avança em um pacto com Trump e a patronal FEDECÁMARAS, para aprofundar a entrega de nossos recursos naturais, consolidar uma relação quase colonial com a principal potência imperialista do mundo, e além disso, continuar bonificando e destruindo o salário e as pensões, executar demissões na administração pública, por meio de um plano de reestruturação estatal encarregado a Héctor Rodríguez, eliminar as prestações sociais e reduzir ao mínimo ou diretamente cercear os conceitos de utilidades, 13º salário e férias, através da reforma da Lei Orgânica do Trabalho, a instâncias e em benefício do empresariado privado nacional e estrangeiro.
Cabe dizer que um movimento sísmico tão forte como o que acabou de atingir o país não faz distinções de classe ao afetar a população e cobrar vítimas; no entanto, é a população trabalhadora, habitante dos setores populares, que padece de maneira mais crua seus terríveis efeitos devido às precárias condições sociais em que vivem.
Recursos para atender à emergência e às vítimas. Denunciamos a hipócrita «ajuda» dos EUA e de Israel
Da UST, exigimos ao governo de Delcy Rodríguez, que todos os recursos do Estado devem ser colocados à disposição para atender a atual emergência e às vítimas deste desastre natural, assim como a tragédia social que padece o país,. O governo deve colocar todos os recursos do Estado à disposição para as trabalhos de resgate.
É sabido que o governo interino injetou, através do Banco Central da Venezuela (BCV), recursos para o setor bancário privado, a fim de subsidiar o empresariado privado (mais de 5,5 bilhões de dólares nos últimos cinco meses), o que não serviu para frear a desvalorização monetária (o Bolívar continua se desvalorizando aceleradamente em relação ao Dólar), mas sim para enriquecer as transnacionais e o grande empresariado nacional. Exigimos que essa sangria seja paralisada imediatamente e que todo esse dinheiro seja destinado às atividades de atendimento da emergência, tanto para o resgate de pessoas que estão hoje presas sob os escombros, quanto para a atenção integral das vítimas.
Da mesma forma, denunciamos como hipócrita a «ajuda» dos EUA. Este país, que mantém duras e severas sanções contra a Venezuela e que há apenas seis meses perpetrou uma invasão militar contra nosso território (com bombardeios incluídos), e que recentemente voltou a efetuar bombardeios em território nacional, agora anuncia a aprovação de um pacote de «ajuda humanitária» para a Venezuela após os devastadores terremotos.
Isso é uma desfaçatez de marca maior, quando se sabe que mais de 6,685 bilhões de dólares foram parar nos cofres norte-americanos como resultado das «vendas controladas» pelos EUA do petróleo venezuelano, ou seja, desse dinheiro que provém da comercialização de nossos recursos, o ultradireitista Donald Trump decide quanto nos é atribuído para atender a uma emergência de desproporcional magnitude.
Ao governo dos EUA, exigimos que levante todas as sanções que ainda mantém sobre a economia venezuelana, em especial as relacionadas a matéria financeira e petrolífera. Exigimos que todos os recursos provenientes da venda de nossos recursos petrolíferos e minerais sejam liberados de maneira absoluta e permanente, e destinados à atenção dos familiares das vítimas, à aquisição da maquinaria, das ferramentas e dos implementos necessários para a remoção de escombros e o resgate das pessoas presas entre os mesmos, a reconstrução da infraestrutura pública (estradas, hospitais, escolas, praças) danificada, das moradias das pessoas que ficaram em condição de desabrigados, entre outras medidas essenciais neste momento.
Também consideramos uma completa hipocrisia a «ajuda» do Estado Nazista – Sionista de Israel, que envia «ajuda humanitária», enquanto simultaneamente leva adiante um brutal genocídio na faixa de Gaza e toda a Palestina, assim como recentemente protagonizou em conjunto com os EUA uma invasão contra o povo iraniano.
Exigimos aos governos do continente e do mundo uma ajuda humanitária material, real, incondicional, suficiente e efetiva.
Por outro lado, as grandes e médias empresas nacionais e transnacionais hoje fazem alarde de humanidade e publicam comunicados e notas de solidariedade com as vítimas do terremoto e seus familiares, assim como notas unindo-se ao luto nacional. No entanto, consideramos pertinente que apoiem economicamente (e o governo deve também exigir e ser garantidor disso).
As empresas privadas de construção devem disponibilizar ao Estado sua maquinaria pesada e equipamentos para remoção dos escombros e o resgate das pessoas que ainda permanecem presas sob estes, as clínicas privadas devem abrir suas emergências de forma gratuita para o atendimento dos feridos e afetados pela tragédia natural, os grandes hotéis devem dispor de quartos para hospedar as pessoas afetadas e sem moradia, as empresas produtoras de alimentos devem doar seus produtos para a alimentação dos afetados, entre outras, a banca pública e privada deve perdoar dívidas das vítimas do desastre e seus familiares. É assim que se materializa uma ajuda humanitária efetiva.
Exigimos à banca internacional e aos credores a condonação da dívida externa pública do país, a qual foi calculada recentemente em 240 bilhões de dólares.
Por último, o chamado é para as organizações trabalhistas, populares, estudantis, entre outras (sindicatos, Chamamos todos os sindicatos, correntes sindicais, conselhos comunitários, centros de estudantes e demais organizações populares) a organizar toda a ação solidária com as vítimas e as famílias afetadas, constituindo centros de coleta e garantindo sob seu controle, a correta distribuição da ajuda, enfrentando a corrupção da burocracia governamental.




