sex abr 19, 2024
sexta-feira, abril 19, 2024

Organizar a defesa das organizações operárias e populares

Ao ataque covarde contra a companheira do grupo H.I.J.O.S. em La Plata devemos nos posicionar e enfrentar da melhor maneira possível os setores reacionários da direita.

Por Daniel Ruíz – PSTU Argentina

Não será a primeira vez que os defensores do capital tentam silenciar os setores operários e populares, a própria história do movimento operário mundial nasceu enfrentado não só provocações, causas forjadas pela justiça, prisão, exílio, mas também repressão por parte das forças policiais e grupos fura-greves.

A Argentina não foi exceção, há mais de 100 anos existia uma liga patriótica que matava e atacava os opositores, não é por acaso que Javier Milei recorda com saudade esses anos de suposta prosperidade, tal como a vice-presidente Victoria Villarruel que elogia a ditadura e os grupos de comandos (forças de operações especiais).

Atualmente, a situação política nos impõe dois caminhos. Ou deixamos passar estes ataques sem mais delongas, fingindo enfrentar pacificamente o projeto do Governo. Ou reivindicamos o nosso direito de usar a violência para nos defendermos da repressão legal e ilegal.

Uma tradição esquecida

O movimento operário, as suas organizações sindicais e políticas tinham uma tradição, que era a defesa irrestrita de qualquer companheiro que estivesse sendo perseguido pelo Estado ou por grupos paramilitares como os fura-greves, independentemente da sua forma de pensar ou das suas ações, respondendo de conjunto ao inimigo de classe.

Esta tradição, por diferentes razões, foi deixada de lado, principalmente devido a concepções como os sindicatos apolíticos, legalistas e a conciliação de classes, que abandonaram a resposta nas ruas, em unidade e com os métodos da classe operária, ou seja, a ação direta através da confiança, para delegar a setores políticos da burguesia através de meios institucionais.

Que passos devem ser dados?

Sem dúvida, tendo em conta os últimos acontecimentos, o primeiro passo é nos declarar em estado de assembleia, procurar apoios concretos entre as forças operárias e populares, como aconteceu, por exemplo, nos anos 70 com os ataques da AAA (Aliança Anticomunista Argentina), apelar à defesa comum das nossas organizações com todos os recursos de que dispomos como foi proposto, por exemplo, pelo PST (o partido da nossa corrente nos anos 70).

Não podemos confiar na justiça e nos seus procuradores, ainda não sabemos onde está Julio López, por isso temos de criar comissões de investigação independentes para apurar a verdade sobre os atores materiais e intelectuais de cada ataque e provocação.

Recorrer à mobilização permanente e aos métodos de ação da classe operária sem esquecer nem um minuto que no movimento operário também existem bandos sindicais que defendem os privilégios dos burocratas e das empresas.

A auto-defesa dos trabalhadores e do povo

Sem dúvida o nosso problema reside no fato que não podemos continuar a lutar de mãos atadas, o protocolo anti-piquetes demonstra que estamos um passo atrás das circunstâncias e com este ataque dos setores de ultra-direita, vários passos mais atrás.

Por isso, é indispensável que cada sindicato, centro estudantil, movimento social ou de bairro, realize uma assembleia para organizar a autodefesa das suas organizações, que os seus membros sejam votados e capacitados para essa tarefa.

Esta proposta deve ser incorporada nos estatutos e levada a cabo da forma mais profissional possível, e as organizações políticas de esquerda devem também avançar num pacto de princípios de defesa comum das nossas instalações, só assim estaremos dando os primeiros passos na resposta.

Se quisermos realmente enfrentar estes grupos de provocadores, a CGT, a CTA, a UTEP, a unidade piqueteira, todas as organizações de direitos humanos e a esquerda devem chamar a organizar uma resposta concreta, as declarações de repúdio são pouco eficazes para isso.

A ação direta é a resposta para erradicar os grupos de provocadores fascistas.

Se estes ataques e provocações continuarem, vamos deixá-los passar? Não podemos fazer isso, seria retroceder na luta contra o projeto do Governo. Uma situação crítica exige medidas ainda mais críticas: sair às ruas com as nossas ferramentas de trabalho, procurar os responsáveis por cada ataque e fazê-los sentir o castigo, ir atrás dos mandantes e de seus cúmplices empresarias, expropriá-los sem pagamento, nacionalizando suas empresas sob o controle dos trabalhadores.

A nossa mão não deve tremer, não treme, enquanto exigimos o julgamento e a punição dos culpados numa justiça dos ricos, devemos pensar em aplicar uma verdadeira justiça dos trabalhadores, através dos piquetes de greve, da greve geral, onde faremos o que tiver de ser feito para que estes ataques não fiquem impunes. Teremos de lutar por outro tipo de governo e de Estado, que pertença aos trabalhadores e ao povo, onde haverá certamente tribunais populares para que estes lacaios paguem pelos seus atos como devem.

Publicado em 22/03/24 no site http://pstu.com.ar

Confira nossos outros conteúdos

Artigos mais populares