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terça-feira, abril 23, 2024

Rogerinho presente! Até o socialismo, hoje e sempre!

Neste dia 28 de fevereiro perdemos Rogério de Cerqueira Romancini, o Rogerinho, militante do PSTU por mais de três décadas.

Por: PSTU ABC

Rogerinho teve uma piora em seu quadro de saúde desde o final de novembro, após ter saído de um longo tratamento. De lá pra cá, passou por uma nova cirurgia de intestino (já havia feito uma no estômago em novembro). Desta vez, a biópsia indicou um carcinoma de intestino. O diagnóstico da generalização da doença no sistema digestivo indicou tratamento paliativo, pois seu estado de saúde não permitia nenhuma intervenção cirúrgica ou quimioterapia. E, por todo esse período, Rogerinho estava plenamente lúcido e convicto das suas batalhas pela sua vida.

Rogerinho, um abnegado na militância e na vida pelo socialismo

Rogerinho foi militante secundarista e das escolas técnicas. Uma liderança ferrenha da juventude revolucionária e dirigente metalúrgico no ABC Paulista.

Ao final da década de 80, tornou-se metalúrgico, foi expoente e liderança das lutas e greves em São José dos Campos (SP), onde ocupou fábrica e fez avançar a luta da classe operária. Trabalhou brevemente na indústria da ferrovia, onde adquiriu o carinhoso apelido de “Maquinista”. Muito popular e coletivamente organizado por onde passou.
No final dos anos 90, veio ao ABC Paulista, e enfrentou grandes batalhas e desafios. Trabalhou na Volkswagen e, novamente, organizou os trabalhadores em oposição à direção do sindicato, onde liderou diversas iniciativas e lutas na categoria.

Construiu o grupo de oposição “Ferramenta de Luta”, onde agregou diversas lideranças e gerações. Encabeçou uma chapa sindical pela oposição na Volks, onde obteve mais de 38% dos votos e se tornou diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Nas eleições municipais do ano 2008 foi candidato a vice-prefeito pelo PSTU junto à coligação com o PSOL.

Pela sua forte e irredutível militância, foi demitido logo após uma forte greve de 15 dias em defesa dos direitos e conquistas dos trabalhadores na Volks. Não se conformou com a demissão, acampou na porta da fábrica e, inclusive, foi até a matriz na Alemanha denunciar e protestar contra esse ataque à classe trabalhadora e as práticas antissindicais, junto ao sindicato e à central sindical local.

Após não conseguir retornar à fábrica, se deslocou para Curitiba, onde trabalhou e ficou pouco tempo. Foi reconstruir sua vida e a militância no Nordeste, onde trabalhou em diversas empresas metalúrgicas e seguiu na organização da classe trabalhadora. E foi onde conheceu sua atual companheira, Milena, com quem constituiu família e teve duas filhas, Alice e Flora, as quais ele era totalmente apaixonado e orgulhoso. E com quem nos solidarizamos eternamente.

Recentemente, voltou a morar em São José dos Campos, trabalhando como soldador, e desenvolveu uma técnica que sempre teve durante a vida: produção artística de artesanato com materiais recicláveis e de reúso.

Rogerinho sempre foi focado, intempestivo e militante revolucionário do tipo bolchevique de primeira linha. Nunca cedeu fácil às polêmicas, mas sabia conduzir as diferenças com a dureza necessária, e sempre à luz da luta de classes. Na maioria das vezes estava certo e agregava à sua volta diversas opiniões, posições e personagens, tanto do partido, como da fábrica, ou mesmo dos adversários e oponentes ideológicos.

Sua convivência entre nós agregou muito na formação ideológica, no trabalho de base, na disputa política, e em todos os aspectos da vida militante. Por isso, o seu legado não pode ser negado e nem esquecido.

As lições, exemplos e conclusões tomadas em sua breve passagem constituem verdadeiros patrimônios, em que cada militante revolucionário socialista pode refletir na superação da luta cotidiana contra o capitalismo e sua barbárie. Rogerinho foi um desses exemplos. Rogerinho foi grande.
Rogerinho presente, hoje e sempre, até o Socialismo!

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