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sábado, fevereiro 24, 2024

Argentina| O significado da greve do dia 24

Com uma imensa mobilização em todo o país, a Greve Geral de 24 de Janeiro demonstrou que os trabalhadores têm força e vontade para enfrentar o plano de Javier Milei. Os primeiros efeitos não tardaram a chegar: a Justiça suspendeu o aumento das tarifas e vários artigos do DNU (Decreto de Necessidade e Urgência), os referentes à Reforma Trabalhista, à Lei de Terras e à desregulamentação dos aumentos dos pré-pagos, embora por enquanto estão em casos individuais.

Por: PSTU-Argentina

Uma greve que poderia ter sido mais

Embora a mobilização tenha sido enorme tanto em Buenos Aires como em diferentes cidades do país, a adesão à greve foi desigual em muitos setores. Isto deve-se, em primeiro lugar, ao fato de os dirigentes da CGT (Confederação Geral do Trabalho) e das CTA (Central de Trabalhadores da Argentina) não se jogaram totalmente para parar. Alguns setores com muito peso na economia, como a Federação do Petróleo, aderiram à greve, mas não pararam. O horário também não ajudou. A greve teria que ser desde a primeira hora e garantida com piquetes. Considerando que mais da metade dos trabalhadores do país são informais, é ainda mais essencial garantir as medidas.

As direções sindicais não se jogaram tornar o chamado ainda mais massivo. Alguns chegaram a mudar o horário da mobilização de um dia para o outro, causando confusão. Mesmo na manifestação, a partir do palco houve chamado para “sair da rua” para não fazer o jogo da direita. A rua continuou fechada, apesar de todas as ameaças de Bullrich.

Uma política para trair

Os dirigentes chamaram esta greve e mobilização com uma armadilha: confiar que derrotaremos o ajuste de Milei no terreno das instituições, do Parlamento e da Justiça. Por exemplo, convocaram com a consigna de “apoiar os deputados para que não votem a favor da Lei Omnibus[1] nem do DNU”, ou apresentando ações judiciais contra as medidas do Governo.

Através da mobilização podemos pressionar a Justiça a decidir a favor das nossas reivindicações, mas não podemos confiar que seja a forma de derrotar Milei e a sua comitiva. Principalmente porque é a própria Justiça quem persegue nossos companheiros, como depois da mobilização contra a Reforma Previdenciária de Macri.

Também não podemos ter expectativas no Parlamento. Principalmente quando sabemos que os votos a favor da lei estão aí. No encerramento desta edição, a lei ainda está em debate na Câmara dos Deputados e o circo de decretos continua: ninguém sabe o que está sendo votado, enquanto a Polícia Federal e a Gendarmaria reprimem fora do Congresso. Isto mostra ao Parlamento aquilo que ele é, um covil de bandidos, do qual nada de bom pode sair para os trabalhadores.

Preparar uma luta longa e intensa

Mesmo se não passar a Lei Omnibus ou o DNU , enquanto não derrotarmos o Governo o plano continuará. Entretanto, os preços continuam aumentando e os salários já não são suficientes, enquanto os ataques continuam sob a forma de demissões, principalmente contra os trabalhadores estatais, e começando com os trabalhadores privados.

Devemos responder com força: precisamos preparar uma luta como a que travamos em 18 de dezembro de 2017, mas mais bem preparada. É a única forma de não só travar a deterioração dos nossos salários e garantir o pão, mas também de derrotar todos os ataques deste Governo ultra ajustador. Isto torna-se ainda mais importante se a Lei for votada e o DNU permanecer em vigor.

Temos que ir procurar os companheiros e companheiras que hoje têm dúvidas, convencê-los. Realizar assembleias em todos os lugares e preparar uma resposta unificada. É necessário um plano de luta, com medidas enérgicas que afetem os lucros capitalistas. Não podemos confiar nem na Justiça nem no Congresso, devemos derrotá-los nas ruas.

A Argentina precisa de uma revolução

Mas estamos enganando a nós próprios se acreditarmos que isto pode ser resolvido somente lutando. A crise que vivemos é responsabilidade de todo este sistema capitalista.

Enquanto os empresários enchem os bolsos, os trabalhadores são cada vez mais atacados. Embora os diferentes governos liberais, peronistas e radicais variem a intensidade do ataque, todos continuam apoiando este sistema no final das contas.

É hora de mudar as coisas. Temos que construir uma alternativa revolucionária, um governo dos trabalhadores. Que exproprie as principais empresas e recursos naturais e os coloque ao serviço dos trabalhadores.

O que precisamos é de uma Revolução Operária e Socialista. É a única alternativa aos planos de miséria que continuam a nos impor.

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Internacionalismo em 24 de janeiro

A greve 24J contou com o apoio internacional de grandes mobilizações em todo o mundo. Nosso partido mundial, a LIT-QI, fez parte dessas mobilizações e chamou à solidariedade com o povo argentino.

Na mobilização ao Congresso, esteve presente Altino Prazeres, dirigente do Metrô São Paulo, demitido por lutar contra a privatização. E também é membro do PSTU, no Brasil.

Isto mostra, mais uma vez, que nós, trabalhadores, não temos fronteiras, que a nossa luta é internacional. Devemos redobrar esta solidariedade com os povos do mundo, diante das lutas que estão por vir.


[1] A “Lei Omnibus” propõe profundas reformas econômicas, administrativas, fiscais, penais, sanitárias, educativas e até ambientais contidas em mais de 200 artigos.

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