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sexta-feira, fevereiro 23, 2024

Convocatória do Primeiro Encontro de Mulheres Trabalhadoras contra a violência machista no trabalho

“Coordenadora de lutas sindicais e solidariedade na Colômbia”

O machismo e a violência machista no local de trabalho são uma forma específica de violência contra a mulher, que afeta as mulheres da classe trabalhadora; em contextos onde a exploração e a opressão são vivenciadas diariamente de forma combinada. Este é um tipo de violência invisibilizada, raramente denunciada e geralmente difícil de identificar mesmo para as mulheres que a vivenciam.

Sabemos que a situação das mulheres trabalhadoras no mundo é desesperadora; com a pandemia, houve um retrocesso de quase 15 anos, segundo a OIT e a OMS, em termos de emprego e condições de trabalho. As mulheres, embora mais instruídas, desempenham menos funções de gestão e recebem menos remuneração em todo o mundo.

Somos vítimas da segregação horizontal (estereótipos relativos a profissões ou ofícios considerados típicos das mulheres) e da segregação vertical (devido ao acesso limitado das mulheres a cargos de autoridade e às desigualdades salariais).

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT – 2015), na pré-pandemia, 52% das mulheres economicamente ativas foram assediadas sexualmente no local de trabalho.

Nos casos de empregadas domésticas, a violência é tão naturalizada que ocorrem casos de violência física.

Gritar, apelidos injuriosos, sobrecarga de trabalho seletiva, usar a vida sexual para humilhar, criar inimizade entre companheiras para nos isolar, são ocorrências cotidianas em todos os níveis e tipos de empresas.

Os empregadores aproveitam as condições de trabalho, visto que a maioria das mulheres tem contratos lixo e terceirizados que nos tornam vulneráveis ​​à demissão, também se aproveitam da nossa necessidade e da nossa condição de mães chefes de família.

As mulheres migrantes, racializadas, indígenas, deficientes e LBTI ainda suportam mais peso, são perseguidas, forçadas a adoecer e a morrer de fome devido à aguda crise econômica. Carregamos também a chamada jornada dupla, ou seja, com tarefas de cuidado adicionais à nossa jornada de trabalho.

Existem diversos atos de violência contra as mulheres no local de trabalho, por exemplo podemos destacar o caso dos trabalhadores da Seatech (Atún van Camps), noticiado na revista Sinaltrainal e em diversos eventos em todo o país; onde é descontada parte do salário pelas idas ao banheiro de acordo com o tempo que utilizam. É evidente que os homens não se demoram o mesmo tempo que as mulheres no banheiro, devido à menstruação entre outros motivos anatômicos. Da mesma forma, na fábrica as mulheres devem usar saias curtas enquanto os homens usam calças. Sabemos também que as mulheres que trabalham na coleta do Transmilenio sofrem situações semelhantes ou piores, pois não há banheiro nas estações, ou não há substituição para ir ao banheiro. As mulheres trabalhadoras em transportes também nos contaram fatos semelhantes. As mulheres trabalhadoras de serviços gerais suportam longas jornadas, realizando trabalhos diferentes ou mais difíceis do que os seus homólogos masculinos, com um preconceito direto de gênero, como lavar banheiros e servir café. Em muitas empresas, as mulheres grávidas são assediadas, colocadas nos piores trabalhos, para que se peçam demissão e não recebam o pagamento da licença de maternidade. Apesar de ilegal, muitas empresas continuam exigindo cópia do histórico médico para validar licenças e incapacidades, obtendo informações sensíveis e privadas. Muitas mulheres tiveram sua saúde afetada por essas situações. Estes são apenas alguns exemplos que demonstram a importância de uma campanha que destaque estes atos de discriminação patronal que atacam especificamente as mulheres.

Não é fácil para as mulheres denunciar este tipo de atos porque se naturalizaram nesta sociedade machista e porque constituem uma parte fundamental da nossa privacidade. É necessário articular ações, formar unidade de ação com outros sindicatos para influenciar política e legalmente a nível nacional e internacional, e enfrentar conjuntamente este cenário que torna precária a situação dos trabalhadores, especialmente das mulheres.

É por isso que queremos convocar para um primeiro encontro sobre este tema com os seguintes

OBJETIVOS

-Dar visibilidade à violência machista no local de trabalho, promovendo a denúncia pública deste tipo de ato, que têm impacto nos sindicatos e contribuem para transformar a realidade das mulheres trabalhadoras.

– Criar um plano para incluir nas listas de reivindicações, acordos coletivos e laudos arbitrais as reivindicações e demandas que ataque a violência de gênero no ambiente de trabalho e ampliar cenários de discussão que pressionem os empregadores a adotarem medidas contra todos os tipos de discriminação de gênero.

– Promover um plano de organização das mulheres trabalhadoras, independentemente da classe e dos empregadores, que lhes permita trabalhar numa rede de solidariedade e de luta eficaz, em primeiro lugar, contra este tipo de violência, mas também contra a exploração e a opressão na sociedade.

O Encontro

Propomos inicialmente um encontro de mulheres trabalhadoras, sindicalizadas ou não, em que a prioridade seja ouvir e sistematizar as denúncias das próprias mulheres a partir de suas diferentes experiências, com princípios de solidariedade e independência de classe. A nossa reunião não terá conotações eleitorais.

Para participar https://chat.whatsapp.com/LLw7hsunCDcLGkcBGbuag1

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