qui jun 20, 2024
quinta-feira, junho 20, 2024

Basta de violência contra as mulheres! Basta de feminicídios! PAREM o machismo!

Mais uma vez nós mulheres ganhamos as ruas em todo o mundo para protestar contra a violência, a opressão, o abuso, o assédio, a marginalização, a invisibilidade, a desigualdade, a humilhação que sofremos diariamente. Saímos para exigir nossas demandas…E temos razões de sobra para fazê-lo.

Por: Corriente Socialista de los Trabajadores – CST, México

No México, são 20 mil mulheres assassinadas nos últimos três anos com base em dados do Observatório Cidadão Nacional do Feminicídio e a cada dia até 13 mulheres são vítimas do mesmo delito. No final de outubro deste ano, segundo dados do Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública, foram registrados um total de 625 assassinatos de mulheres por razões de gênero e 1.995 homicídios dolosos de mulheres. Há mais dados oficiais de violência contra a mulher nos primeiros seis meses do ano: 96 vítimas de sequestro, 932 denúncias de corrupção de menores, 337 por tráfico de pessoas, 145.933 por violência familiar e 3.295 por violência de gênero, além disso foram recebidas 171.340 chamadas denunciando violência de gênero e, durante o mês de junho, 884 chamadas por denúncias de abuso sexual.

Estes dados não mostram toda a violência exercida contra as mulheres, pois é bem sabido que nem todos os fatos violentos são denunciados. Por vergonha, medo ou desconfiança nas instituições que finalmente pouco resolvem a favor. Entre 2022 e outubro deste ano, foram assassinadas 10 dos 118 casos de feminicídio denunciados na Cidade do México, apesar das vítimas terem alertado a Procuradoria de Justiça da capital sobre a violência exercida contra elas por parte dos prováveis perpetradores. Para este 25N as mães, irmãs e filhas de vítimas de feminicídio apontam mais uma vez a violência processual que enfrentam em julgamentos onde, além da impunidade no momento de resolver os casos, os agressores gozam do benefício dos direitos humanos, mas não as famílias das vítimas assassinadas.

No âmbito do trabalho, a violência contra a mulher cresce. Cresce no mesmo nível que crescem as exigências da exploração por parte das empresas, gerentes e chefes, que contam com a cumplicidade dos “pelegos” sindicais que exercem, incentivam e protegem as piores condutas machistas para manter as mulheres oprimidas, confrontar o trabalhador contra suas companheiras trabalhadoras, dividindo desse modo o coletivo de trabalho para melhor explorá-lo.

Neste ano, graças à luta das mulheres nas ruas, a Suprema Corte finalmente resolveu descriminalizar o aborto em todo o país. É uma conquista, mas parcial, como a Lei “Olimpia”, a do Acesso das Mulheres a uma Vida Livre de Violência, ou o Art.4º da Constituição. Porque ao mesmo tempo, em 2023 o México caiu duas posições no  Índice Global de Brecha de Gênero de WEF -Fórum Econômico Mundial – e a violência digital incrementou muitíssimo no último ano e meio, registrando-se uma média de cinco denúncias diárias de mulheres que viveram a violência digital. Tudo isso mostra o desinteresse das instituições, governos e sindicatos “pelegos” em aplicar o princípio da igualdade nos Direitos Humanos das mulheres, devido à naturalização de práticas discriminatórias e violentas contra elas que reproduzem a dominação sobre as mulheres.

Com um sistema judicial, policial e de segurança, com “pelegos” sindicais e um regime de governo machista – como os que temos – a serviço da exploração, da opressão e do saque, todas estas leis e medidas não acabarão com a desigualdade, a discriminação e a violência que nós mulheres sofremos, em especial as trabalhadoras, as camponesas, as indígenas, as migrantes!

O governo da 4T, Claudia Sheinbaum e Clara Brugada de Morena, Xóchitl Gálvez do PAN-PRI-PRD, Guadalupe Taddei do INE- Instituto Nacional Eleitoral- e de todas as instituições do Estado, falam muito contra a violência contra as mulheres mas de fato nada fazem. Os dados mostram que a violência contra a mulher aumenta, como aumenta a repressão, a pobreza, os baixos salários, a perda de direitos trabalhistas, a deterioração dos serviços públicos, o despojo, a entrega, a dependência econômica dos grandes capitais.

É que o machismo, a violência, a opressão e a exploração andam de mãos dadas. Todos esses flagelos servem ao decomposto sistema capitalista para que alguns poucos continuem obtendo lucros à custa da maioria – mulheres e homens – que trabalhamos e sofremos misérias. Um sistema que nos conduz à barbárie, que alimenta e sustenta as condutas machistas, a opressão da mulher, a desigualdade entre mulheres e homens, para manter a classe trabalhadora dividida, os pobres, os oprimidos, para dividi-los para melhor explorá-los.

Por isso neste 25 N saímos às ruas por: Basta de violência contra as mulheres, basta de feminicídios! Justiça para as vítimas, castigo aos agressores! Fora os machistas “pelegos” dos sindicatos! Por sindicatos verdadeiramente democráticos, independentes de governos e partidos patronais, que enfrentem a violência contra a mulher para unir os trabalhadores nas lutas por suas demandas!

Solidariedade com as mulheres palestinas e ucranianas em sua luta pela libertação nacional

Neste ano ganhamos as ruas, além disso, em solidariedade com as mulheres palestinas e ucranianas que estão lutando pela libertação de seus povos, resistindo às invasões de poderosos exércitos imperialistas. As mulheres ucranianas têm suportado há quase 2 anos uma guerra de invasão e ocupação das tropas russas do assassino Putin com seus permanentes bombardeios.

As mulheres palestinas sofrem há 75 anos o despojo de suas terras e casas, violações e o assassinato em massa de seu povo. Os EUA e as principais potências daquela época fundaram Israel, um Estado teocrático nazi-sionista, que condena os palestinos – habitantes naturais da região – a viver em um regime de apartheid. Um Estado construído sobre o terror que serve de enclave colonial e base militar para controlar, oprimir e explorar todos os povos do Oriente Médio.

Hoje, ante à ofensiva genocida de Israel, as mulheres e as crianças palestinas são as vítimas privilegiadas das forças armadas e colonos que juraram não as perdoar. Violência contra as mulheres palestinas são os mortais bombardeios de Israel às escolas, hospitais, universidades e casas palestinas, o despiedado bloqueio, a selvagem invasão e ocupação que as humilha com controles ou as condena – junto com seus filhos – à vida de refugiadas, padecendo de fome, doença, desemprego…

Exigimos do governo de AMLO – que se diz Humanista – que rompa relações diplomáticas, comerciais e militares com o Estado de Israel!

Basta de assédio e genocídio contra Gaza! Não ao regime sionista de apartheid!

Pela derrota militar de Israel! Por uma Palestina livre, laica, democrática e não racista, do rio ao mar!

Tradução: Lílian Enck

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