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sexta-feira, fevereiro 23, 2024

Parem o genocídio! Parem de armar Israel!

Apoiemos os trabalhadores palestinos!

Os ataques genocidas contra Gaza desde 8 de outubro continuam: o governo israelense diz aos palestinos do norte de Gaza para irem para o sul e depois bombardeia os civis que viajam para o sul enquanto bombardeia o sul e ataca escolas, hospitais e mesquitas.

Por: ISL – Reino Unido

Enquanto isso, os colonos coloniais (que recentemente receberam mais armas) e o exército israelense isolam os povoados e cidades da Cisjordânia, matam mais de 100 palestinos e continuam com a destruição de aldeias palestinas e o desmembramento da Cisjordânia.

Assim, em todo o resto da Palestina está ocorrendo a segunda Nakba.

O Primeiro Ministro britânico, Richie Sunak, disse que Israel está fazendo autodefesa, Sunak tenta encobrir o genocídio israelense, enquanto o governo conservador autorizou a exportação de armas pelo valor de 472 milhões de libras a Israel nos últimos oito anos, incluído o apoio ao seu combate, aviões que agora atacam Gaza em meio a uma crise humanitária ( www.declassifieduk.org ).

É uma continuação de sua história passada. Na Palestina, o período do domínio britânico de 1917 a 1948, antes do Estado de Israel ser declarado (e centenas de milhares de palestinos serem obrigados a abandonar suas casas), foi brutal.

O Reino Unido vendeu armas a Israel apesar de sua ocupação ilegal da Cisjordânia palestina, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental desde 1967. Quatro importantes ataques militares contra Gaza em 2008-09, 2012, 2014 e 2021 mataram quase 4.000 palestinos.

As manifestações em massa de oposição ao massacre em Londres e outras cidades, contam com um grande número de jovens, palestinos e muitos imigrantes. Em 28 de outubro em Londres, um grande número de manifestantes ocupou a concorrida estação de Waterloo exigindo “um cessar-fogo já”. Os blocos de trabalhadores e sindicatos nas marchas em Londres e outras cidades também têm crescido.

A seção parlamentar do sindicato Unite pediu a todos os parlamentares que garantam que não são cúmplices da grave violação do direito humanitário internacional por parte de Israel e lhes pediu que exijam um cessar-fogo imediato.

Sem dúvida, o governo está alarmado e o Ministro da Imigração, Robert Jenrick, disse ao Parlamento que iniciou o processo de deportar cidadãos estrangeiros e revogar vistos a qualquer pessoa cujo comportamento seja considerado de incitação ao antissemitismo (ou seja, opor-se aos ataques de Israel), mesmo se sua conduta cair “abaixo do padrão penal”. ( guardián,25 de outubro de 2023). Esta subversão do sistema legal tem que ser combatida e detida.

O Partido Trabalhista se nega a pedir um cessar-fogo e ignora os sindicatos

Uma reunião da conferência do Partido Trabalhista realizada em setembro se intitulou originalmente de “Justiça para a Palestina: por um fim ao apartheid”, mas “Fim do apartheid” foi eliminado da sua lista. Enquanto isso, Histadrut (os sindicatos israelenses controlados por partidos sionistas) foram totalmente bem vindos à sua conferência.

Os sindicatos já se separaram do Partido Trabalhista na resolução do congresso do TUC-Trades Union Congress, federação de sindicatos do Reino Unido – de setembro de 2023 para apoiar a luta palestina e o BDS-Boicote, Desinvestimento e Sanções- e estão declarando seu apoio e falando sobre os protestos. Mas os sindicatos precisam mobilizar muitos mais seus membros.

Mais de 250 vereadores trabalhistas muçulmanos de todo o Reino Unido também assinaram uma carta a Starmer pedindo um cessar fogo, mas Starmer- líder do Partido Trabalhista e Líder da Oposição, se nega.

Depois de 7 de outubro, a princípio disse que Israel tinha direito à autodefesa, ou seja, a bombardear Gaza, e depois acrescentou, segundo o direito internacional! Starmer emitiu editais para tentar proibir os parlamentares e vereadores trabalhistas a se unirem aos protestos.

Os vereadores trabalhistas em áreas com grandes comunidades muçulmanas renunciaram pela “falta de vontade dos líderes para mostrar o valor da humanidade das vidas palestinas”, escreveu Keir Starmer aos vereadores trabalhistas, em uma tentativa de esclarecer os comentários feitos em uma entrevista com a LBC-estação de rádio e telefone britânica-  na qual disse que Israel tinha “o direito” de negar água e energia aos palestinos ( guardián 16 de outubro de 2023).

A conferência trabalhista incluiu eventos patrocinados por uma empresa de armas, Babcock, que assinou um importante acordo com Israel no ano passado para desenvolver um sistema de busca e destruição por radar de busca profunda de “nova geração”. Babcock tem 12 licenças de exportação militar do Reino Unido para Israel desde 2010, com categorias ML4 (Bombas, torpedos, foguetes, mísseis, outros dispositivos e cargas explosivas, e equipamentos e acessórios relacionados), ML11a (Equipamentos eletrônicos para uso militar), ML14 (Equipamentos especializados para treinamento militar ou para simulação de cenários militares), ML22a (outra tecnologia) .[1]

O Fundo de Pensões de Merseyside (um plano de pensões do governo local), objetivo principal da ideia conservadora de um projeto de lei anti-BDS) tem £6.918.800 investidos na Babcock. As prefeituras de Merseyside estão controladas pelo Partido Trabalhista.

A única coisa que qualquer membro sério do Partido Trabalhista pode fazer, é abandonar o Partido Trabalhista e ajudar a construir um novo partido de classe independente e internacionalista dos trabalhadores e dos oprimidos, enquanto se constrói a luta em apoio à Palestina e os sindicatos mantêm o apoio.

Deter as armas para a repressão: uma tradição operária

Estão sendo realizadas novas ações em resposta ao chamado de 30 sindicatos palestinos “Parem de armar Israel” lançado em 16 de outubro, Na França, a tendência sindical de docentes Emancipación e outros estão fazendo chamados. Divulguemos este chamado e nossa resposta à ação para deter a fabricação e o transporte de armas para Israel. “Muitas das bombas que são lançadas sobre Gaza são feitas a partir de drones fabricados por trabalhadores sindicalizados na Grã Bretanha. Os ataques com mísseis também serão guiados por drones, também fabricados por trabalhadores sindicalizados na Grã Bretanha. Os componentes chave dos aviões de combate F-16 e F-35, que têm sido vitais para muitos dos ataques contra Gaza, foram fabricados por trabalhadores de sindicatos britânicos, seja na Elbit ou na British Aerospace…” newsocialist.org.uk

Mais de 150 sindicalistas criaram um bloqueio nas entradas de uma fábrica em Kent nas instalações de um fabricante de armas israelenses, em 26 de outubro e proclamaram: “Trabalhadores por uma Palestina livre”. A manifestação teve como objetivo Instro Precision Ltd em Sandwich, uma filial do fabricante de armas Elbit Systems, que é um dos maiores produtores de armas de Israel responsável por fabricar drones e artilharia para o exército.

Os membros ativistas procediam dos sindicatos Unite, UNISON, NEU, UCU, BMA, BFAWU, RMT e IWGB (sindicatos públicos e industriais) e exigiram que o Reino Unido deixasse de armar Israel em resposta ao massacre israelense dos palestinos.

Há muitas formas de construir ações dos trabalhadores em apoio à Palestina. PalestinaAction toma medidas diretas, como em Oldham, perto de Manchester. Organizaram 18 meses de protestos, ocupações e bloqueios, depois Elbit Systems fechou sua fábrica de armas no início de outubro de 2022. Havia fabricado tecnologias militares e componentes de armas de alta gama, inclusive os sistemas de imagens e vigilância para os drones Hermes de Israel. A ação foi apoiada semanalmente por protestos de centenas de grupos comunitários locais, alguns dos quais procediam do povo caxemir que vive em Bolton.

Esta ação continua em diferentes zonas do Reino Unido.

Os sindicatos deveriam cercar de solidariedade qualquer ação sindical para deter a fabricação ou o transporte de armas a Israel. As fábricas que fabricam armas precisam de limpeza; contam com pessoal de segurança e catering; alguém faz o pagamento, alguém entrega o correio. A produção e o transporte de armas para Israel implicam todo tipo de trabalhadores e todo tipo de processos, tanto dentro como fora da fábrica.

Organizemos reuniões conjuntas de todos esses trabalhadores para discutir quais medidas podem ser tomadas.

Na Itália, os trabalhadores portuários se negaram a carregar um carregamento de armas e explosivos com destino a Israel em 2021. Em 2003, os maquinistas escoceses da ASLEF se negaram a mover um trem de carga que transportava munições destinadas às forças britânicas posicionadas no Golfo. EM 1973, os portuários britânicos se declararam em greve ao invés de carregar armas de fabricação britânica em barcos com destino ao Chile depois do assassinato de Salvador Allende.

Em 1920, os estivadores dos cais das Índias Orientais de Londres se negaram a transportar armas ao Jolly George, um barco fretado para levar armas às forças antibolcheviques depois da revolução russa. Os sindicatos de engenheiros e outros sindicatos fabris ameaçaram uma greve geral se o governo tentasse enviar o Jolly George para apoiar uma ação militar contra a União Soviética. O governo deu marcha a ré e nunca mais voltou a enviar um barco depois disso.

Existe uma tradição europeia e mundial de negar-se a enviar armas aos opressores, aproveitemos isso.

– Os sindicatos se negam a fabricar armas para Israel.

– Os sindicatos se negam a transportar armas para Israel.

– Deter todas as vendas, investimentos e conexões militares de empresas com sede no Reino Unido ou do governo britânico com Israel.

ISL, Reino Unido


[1]http://labournet.net/ukunion/2302/northwest_arms.pdf

Tradução: Lílian Enck

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