qui jun 13, 2024
quinta-feira, junho 13, 2024

Do Brasil a Gaza, quem são os responsáveis pelas catástrofes

Em São Paulo, mais de 2 milhões viveram um apagão de 5 dias. A causa disso não foi nenhuma obra da natureza. Na verdade, mesmo a tempestade é decorrente da ação humana e da destruição ambiental.

Por PSTU-Brasil

O que o apagão revela, porém, é o resultado da privatização do sistema elétrico. É muita cara pau que a italiana Enel, que controla a energia em São Paulo, afirme que a qualidade do sistema não diminuiu após a privatização. Demitiram 36% dos trabalhadores, tiveram lucros recordes, deixaram o serviço pior, mais caro, e a população no escuro.

Está aí o resultado da entrega de um setor estratégico do país para monopólios privados estrangeiros. Infelizmente, praticamente todo o setor elétrico já foi privatizado e desnacionalizado. Neoenergia é espanhola, a Copel é dos EUA e a CPFL, chinesa. A privatização da Eletrobras foi para um fundo de Cingapura, além dos três golpistas das Americanas.

Agora, em São Paulo, o governador Tarcísio quer entregar a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o metrô e os trens. Em Minas Gerais, Zema quer vender a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). Os governadores de direita, privatistas, defendem abertamente os interesses dos ricos. Mas Lula, ao invés de reverter as privatizações, as fortalece através das Parcerias Público-Privadas que incluem até presídios.

Dinheiro para os ricos 

O debate sobre o governo zerar ou não o déficit não é sobre investimento nas áreas sociais. Se compararmos saúde, educação ou moradia com o quanto já foi de isenção para os grandes empresários e banqueiros, veremos o que está em jogo. Só para o centrão foram liberados R$ 24 bilhões este ano. Na verdade, o real interesse do governo é garantir um orçamento para seu projeto econômico de transferência de recursos públicos para a iniciativa privada.

Muitos olham com certa simpatia para o discurso do Lula na esperança de ter emprego, bons salários e algum desenvolvimento. O problema é que as multinacionais estão pouco se lixando para o Brasil. Só no ano de 2021, as montadoras tiveram R$21 bilhões em benefícios fiscais, no governo Bolsonaro. Mas Lula não mudou isso, só deu ainda mais isenção. A BYD na Bahia ganhou isenção de 95% do ICMS pelas mãos do governo petista.

Exemplo de luta

A GM anunciou a demissão de mais de 1200 operários. Enquanto o governo libera bilhões em benefícios, eles batem recordes de lucros, investem o mínimo no país, levam os lucros para o exterior e, quando podem, demitem todo mundo. Os operários da GM realizaram uma gigantesca greve, impondo uma derrota à patronal, mostrando o poder que tem quando unidos, organizados e em luta

Estes capitalistas são os responsáveis pelas mazelas sociais no Brasil. Recentemente, o Ministério Público denunciou o Banco do Brasil pela sua participação no tráfico de negros escravizados. Isso demonstra que tanto o Estado brasileiro, quanto a burguesia e o imperialismo, construíram suas riquezas em cima do sangue e suor do povo negro escravizado, e da classe trabalhadora superexplorada. Então, nada mais justo que uma política de reparação histórica que passe pela expropriação de todo esse capital e riqueza acumulada.

Esses países capitalistas e imperialistas que exploram o Brasil são responsáveis pelas maiores barbaridades e violências da história humana. 

Ruptura com Israel já!

Na Faixa de Gaza o governo israelense, com o apoio dos EUA  e dos principais países da Europa, promove um banho de sangue em prol do colonialismo. Não tem nada a ver com religião. São homens capitalistas comandando uma máquina de guerra massacrando um povo em nome dos lucros das multinacionais dos EUA, Europa e Israel.

É uma vergonha que Lula ainda não tenha sequer convocado o embaixador, ou tomado uma atitude severa contra o Estado Israelense. Lula deveria romper relações econômicas, militares e diplomáticas com Israel. Não fazer isso é ser conivente com genocídio e limpeza étnica. Também é vergonhoso Guilherme Boulos e o PSOL não se posicionarem categoricamente em defesa dos palestinos, por eleitoralismo, conciliação de classes e pragmatismo.

Lutar contra o capitalismo e seus governo

Todas essas catástrofes no mundo ocorrem pela forma como a sociedade capitalista funciona. A burguesia de diferentes países, sob diversas formas, promove isso para garantir seus interesses e seguir lucrando, custe quantas vidas tiver que custar.

Isso  faz com que tenha tudo a ver a greve da GM, o plebiscito e a luta contra as privatizações em São Paulo e Minas Gerais, com a luta por reparação ao povo negro neste mês de luta contra o racismo, conectado à luta de libertação nacional dos palestinos. É preciso reparação e igualdade salarial, além de pleno emprego. Autodefesa para enfrentar a ultradireita. Não precisamos de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que empodera as Forças Armadas e grupos golpistas bolsonaristas. É preciso unificar as nossas lutas e as nossas bandeiras.

Se o governo Lula quisesse, de fato, aumentar os investimentos nas áreas sociais, seria só parar de pagar a dívida pública. Se a riqueza acumulada pelas 200 maiores empresas do país, incluindo as multinacionais, fosse expropriada e colocada sob controle dos trabalhadores, e as empresas privatizadas reestatizadas, teríamos condições de colocar um grande volume de riqueza, que hoje serve ao luxo e especulação de meia dúzia, a serviço do desenvolvimento do país.

Já a ruptura das relações com Israel é parte de uma luta pela soberania do Brasil em relação ao imperialismo mundial. O Brasil deve romper com o imperialismo como parte da luta pelo socialismo, pelo fim de toda forma de exploração e de opressão, pela igualdade e condições dignas de vida para a maioria do nosso povo, em defesa do meio ambiente e do nosso planeta.

A cada dia que passa, diante das decisões que toma o governo Lula, vem se mostrando acertada a necessária construção de uma oposição de esquerda socialista e revolucionária ao governo. Enquanto grande parte da esquerda capitula ao governo, não critica arcabouço fiscal e fica muda diante do maior genocídio dos últimos tempos.

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