sáb mar 02, 2024
sábado, março 2, 2024

Declaração de solidariedade com todas as organizações e militantes que apoiam a causa palestina na França

A Liga Internacional dos Trabalhadores-Quarta Internacional expressa sua solidariedade incondicional com todas as organizações políticas de esquerda, associações e todos aqueles que lutam pela libertação do povo palestino na França, que hoje estão sendo vergonhosamente atacados pelo governo de Macron. Nossa organização está comprometida até o final com o movimento que luta pela libertação do povo palestino, defendemos a luta por uma Palestina livre, laica e democrática, e para isso defendemos estratégias de luta que favoreçam ações de massas para enfrentar o Estado israelense, como a primeira Intifada (1987-1993), a Marcha do Retorno (2018) e o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) e defendemos incondicionalmente o direito do povo palestino à resistência.

O reflexo dos governos imperialistas ocidentais que apoiam o Estado colonial e racista de Israel é amordaçar aqueles que querem construir uma solidariedade ativa com as massas palestinas e sua resistência à ocupação. Condenamos energicamente as indignantes ações do governo de Macron contra os aliados da causa palestina na França, começando pelos ataques injustificados e mentirosos contra o NPA (Novo Partido Anticapitalista) e outras organizações de esquerda. Em 10 de outubro, o Centro Nacional de Luta contra o Ódio Online (PNLH) do Ministério Público de Paris remeteu o caso à brigada criminal da polícia judicial de Paris para que iniciasse uma investigação contra o NPA por “apologia do terrorismo”. No mesmo dia, o senador do partido conservador (Les Républicains) Stéphane le Rudulier pediu a dissolução de La France Insoumise (LFI), do NPA, da Jeune Garde, dos Indigènes de la République e da Révolution permanente. São acusados de defender o direito do povo palestino de resistir à ocupação. Com isso, o governo reduz a terroristas todos os que querem resistir à violência colonial e pretende criminalizar qualquer ação oposta à ocupação sionista. Rechaçamos estas amálgamas e esta retórica fascista. Também defenderemos até às últimas consequências nossas liberdades democráticas, ou seja, o direito de expressar e debater livremente sobre a melhor forma de travar esta batalha contra o projeto colonial de Israel e a organizar a solidariedade ativa, assim como o direito de manifestação contra as ações do Estado israelense e dos governos que o apoiam política e militarmente.

Também gostaríamos de salientar que, contrariamente ao que muitas organizações sionistas e partidos governamentais afirmam, criticar o Estado de Israel não é em absoluto o mesmo que antissemitismo. A prova mais chamativa disso é o crescente número de judeus antissionistas de todo o mundo que abraçaram a causa palestina e o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra o Estado de apartheid de Israel, assim como organizações judias antissionistas como a UJFP (Union juive française pour la paix) na França, Jewish Voice for Peace (JVP) nos Estados Unidos e a International Jewish AntiZionist Network (IJAN), para citar apensas as mais conhecidas.

Em 12 de outubro, o Ministro do Interior, Gérald Darmanin, enviou um telegrama a todos os prefeitos exigindo a dissolução de todas as mobilizações pró-palestinas porque eram “suscetíveis de gerar alterações da ordem pública”. Felizmente, os palestinos da França e todos os que os apoiam ignoraram a ordem da prefeitura e reuniram milhares de pessoas nas ruas para exigir o fim das atrocidades na Palestina e o fim do cerco a Gaza, onde o exército israelense já lançou mais de 6.000 bombas em 6 dias.As medidas do governo francês reprimem os palestinos porque se negam a deixar que seu povo seja massacrado sem rebelar-se. O que altera a paz social são as ações de um Estado colonial e guerreiro que ameaça agora em tornar a Faixa de Gaza inabitável. Herzi Halevi, Chefe do Estado Maior israelense, declarou que “Gaza já não será a mesma. Chegaremos a uma situação na qual o grupo que dirige Gaza será duramente golpeado, e o desmantelaremos. E quem permanecer lá compreenderá muito bem que isso não se faz com o Estado de Israel”. As FDI-Forças de Defesa de Israel já estão realizando incursões em Gaza, ordenaram a evacuação forçada e estão prestes a invadir o território.

Ante estas decisões que atacam as liberdades, que lembram o passado mais obscuro do Estado francês, é mais importante do que nunca que não permaneçamos calados, que não permitamos que os Estados criminosos e seus cúmplices ajam em silêncio e tranquilizem sua consciência neste genocídio explicitamente anunciado. Expressamos nossa total solidariedade com as organizações atacadas. Nesses momentos de repressão, é importante agir em uma frente única com todas as organizações da nossa classe que já estão envolvidas nesta luta comum para defendermos juntos nossas liberdades e criar espaços públicos de debate e protesto, de forma que possamos envolver cada vez mais setores na solidariedade ativa com a causa palestina.

Insistimos na importância de continuar usando nossas liberdades democráticas para explicar à nossa classe a história de resistência de um povo que se quer apagar, e para defender a legitimidade de sua luta. Fazemos um chamado para que as mobilizações continuem na França e em todo o mundo para por um fim imediato ao cerco de Gaza e para uma nova Intifada, um movimento que galvanize as massas palestinas e seus aliados para por um fim à ocupação. Estendemos este chamado às organizações estudantis e sindicatos para que se unam a estas mobilizações.

Sempre estaremos ao lado dos que lutam pela liberdade, contra a exploração, a opressão e o colonialismo, com o povo ucraniano que resiste heroicamente à invasão assassina de Putin, e com o povo palestino que hoje trava uma luta de sobrevivência por sua dignidade e sua existência, que apoiaremos com todas nossas forças.

Pelo imediato cessar-fogo do ataque a Gaza!

Garantia do direito de expressão e reunião e fim das medidas repressivas!

Viva a heroica resistência do povo palestino!

Por uma Palestina livre, laica e democrática!

Partito di alternativa comunista(PDAC)-Itália

Corriente Roja-Estado Español

Em Luta-Portugal

Kirmizi Gazete-Turquia

International Socialist League(ISL) Reino Unido

Ligue Communiste des Travailleurs (LCT)-Bélgica

Militantes da LIT na França

Tradução: Lílian Enck

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