qui jun 20, 2024
quinta-feira, junho 20, 2024

Lula, não é “narrativa”. Maduro é um ditador e a Venezuela é uma ditadura capitalista

Ao receber Nicolás Maduro com tapete vermelho em Brasília, o presidente Lula afirmou que a Venezuela seria vítima de uma falsa narrativa e que não teria ditadura naquele país. Esta posição esconde e deturpa a realidade da Venezuela hoje. Esta atitude de Lula é inaceitável, não representa a opinião da classe trabalhadora brasileira e não significa outra coisa que não se colocar ao lado de um governo capitalista e ditatorial como o de Maduro, da mesma forma como defende outro ditador capitalista e pró-imperialista, o nicaraguense Daniel Ortega.

Por: Fábio Bosco

Para definir o caráter de um regime político é necessário observar quais são as instituições mais importantes através das quais o poder é exercido. Um regime cuja principal instituição são as forças armadas, a polícia e o serviço secreto é uma ditadura burguesa. Esse é o caso do regime venezuelano.

Outro fator importante é a questão das liberdades democráticas. Na Venezuela, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e de organização são cerceadas. Jornalistas dissidentes são perseguidos, presos ou exilados. O mesmo acontece com dissidentes políticos, sejam burgueses da direita ou trabalhadores socialistas. As manifestações contra o regime são duramente reprimidas. Em 2018, mais de cem manifestantes foram assassinados por grupos paramilitares bolivarianos. Estes são elementos característicos, ainda que não exclusivos, de uma ditadura burguesa.

Além disso, a Venezuela é um país capitalista que passou por uma depressão econômica. Como em qualquer país capitalista, seja uma ditadura ou uma democracia burguesa, o peso da crise econômica foi jogado sobre as costas da classe trabalhadora na forma de salários baixíssimos (atualmente o salário mínimo equivale a R$25 por mês), desemprego e corte dos serviços públicos. As lutas sindicais foram reprimidas e há trabalhadores presos por participar delas. Por isso, milhões de venezuelanos fugiram do país.

Não há nada de anti-imperialista, ou progressivo ou de esquerda, no governo de Maduro. Pelo contrário, faz negócios com todos os países capitalistas do mundo alimentando sua burguesia pela renda do petróleo e, principalmente, em detrimento da vida dos trabalhadores. Quando se trata de entregar a principal riqueza do país – o petróleo – às empresas imperialistas e aos EUA, como foi o recente caso da Chevron, ambos setores burgueses – o tradicional e o bolivariano – estão juntos. Quando se trata de retirar direitos da classe trabalhadora e reprimir suas lutas, os dois setores burgueses estão unidos.

A oposição burguesa liderada por Leopoldo Lopes, Henrique Capriles e Juan Guaidó nunca representou uma alternativa para a classe trabalhadora. Essa oposição burguesa representa os interesses da burguesia tradicional ligada ao imperialismo americano. Ela faz oposição ao regime chavista, que representa os interesses de uma nova burguesia nascida da cúpula das forças armadas chamada de boliburguesia, sendo o líder no parlamento, Diosdado Cabello, uma de suas principais expressões.

A classe trabalhadora venezuelana precisa derrubar o regime de Maduro, e lutar para garantir liberdades democráticas, salário, emprego, educação, saúde, moradia dentro de uma perspectiva socialista. Para tal, precisa construir uma alternativa da classe trabalhadora, combatendo ambos os setores burgueses, a ditadura de Maduro e a oposição burguesa igualmente pró-imperialista.

A posição de Lula foi criticada por um amplo arco político: o governo dos EUA, bolsonaristas, organizações de Direitos Humanos e até mesmo pelo presidente do Chile, Gabriel Boric, um dos expoentes da esquerda reformista na América do Sul. Uma coisa é que o imperialismo dos EUA, a burguesia e a direita brasileira, não tem moral nenhum para criticar qualquer ditadura no mundo, porque, inclusive, apoiam várias, para não falar no defensor da ditadura brasileira e seus torturadores, Jair Bolsonaro. Outra coisa é que isso não pode impedir os trabalhadores verem a realidade tal como ela é. Na Venezuela há uma ditadura capitalista.

É até curioso que os bolsonaristas levantem esse tipo de crítica já que o objetivo perseguido pelo ex-presidente Bolsonaro era transformar o Brasil numa ditadura, igualzinha à da Venezuela. Também chama a atenção as críticas de porta-vozes do imperialismo americano e europeu que falam em democracia, mas queriam impor um governo títere liderado por Juan Guaidó na Venezuela, e sustentam ditaduras em todos os continentes, sempre que estas atendam a agenda econômica e geopolítica imperialista.

Lula e seu governo fecha os olhos ao cerceamento das liberdades democráticas e à superexploração da classe trabalhadora. Por outro lado, os bolsonaristas criticam a posição de Lula, mas ocultam o fato de que o regime de Maduro é o modelo que eles queriam implantar no Brasil. A classe trabalhadora brasileira não está representada em nenhuma dessas posições.

Lula, não é “narrativa”. Maduro é um ditador e a Venezuela é uma ditadura capitalista

Ao receber Nicolás Maduro com tapete vermelho em Brasília, o presidente Lula afirmou que a Venezuela seria vítima de uma falsa narrativa e que não teria ditadura naquele país. Esta posição esconde e deturpa a realidade da Venezuela hoje. Esta atitude de Lula é inaceitável, não representa a opinião da classe trabalhadora brasileira e não significa outra coisa que não se colocar ao lado de um governo capitalista e ditatorial como o de Maduro, da mesma forma como defende outro ditador capitalista e pró-imperialista, o nicaraguense Daniel Ortega.

Para definir o caráter de um regime político é necessário observar quais são as instituições mais importantes através das quais o poder é exercido. Um regime cuja principal instituição são as forças armadas, a polícia e o serviço secreto é uma ditadura burguesa. Esse é o caso do regime venezuelano.

Outro fator importante é a questão das liberdades democráticas. Na Venezuela, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e de organização são cerceadas. Jornalistas dissidentes são perseguidos, presos ou exilados. O mesmo acontece com dissidentes políticos, sejam burgueses da direita ou trabalhadores socialistas. As manifestações contra o regime são duramente reprimidas. Em 2018, mais de cem manifestantes foram assassinados por grupos paramilitares bolivarianos. Estes são elementos característicos, ainda que não exclusivos, de uma ditadura burguesa.

Além disso, a Venezuela é um país capitalista que passou por uma depressão econômica. Como em qualquer país capitalista, seja uma ditadura ou uma democracia burguesa, o peso da crise econômica foi jogado sobre as costas da classe trabalhadora na forma de salários baixíssimos (atualmente o salário mínimo equivale a R$25 por mês), desemprego e corte dos serviços públicos. As lutas sindicais foram reprimidas e há trabalhadores presos por participar delas. Por isso, milhões de venezuelanos fugiram do país.

Não há nada de anti-imperialista, ou progressivo ou de esquerda, no governo de Maduro. Pelo contrário, faz negócios com todos os países capitalistas do mundo alimentando sua burguesia pela renda do petróleo e, principalmente, em detrimento da vida dos trabalhadores. Quando se trata de entregar a principal riqueza do país – o petróleo – às empresas imperialistas e aos EUA, como foi o recente caso da Chevron, ambos setores burgueses – o tradicional e o bolivariano – estão juntos. Quando se trata de retirar direitos da classe trabalhadora e reprimir suas lutas, os dois setores burgueses estão unidos.

A oposição burguesa liderada por Leopoldo Lopes, Henrique Capriles e Juan Guaidó nunca representou uma alternativa para a classe trabalhadora. Essa oposição burguesa representa os interesses da burguesia tradicional ligada ao imperialismo americano. Ela faz oposição ao regime chavista, que representa os interesses de uma nova burguesia nascida da cúpula das forças armadas chamada de boliburguesia, sendo o líder no parlamento, Diosdado Cabello, uma de suas principais expressões.

A classe trabalhadora venezuelana precisa derrubar o regime de Maduro, e lutar para garantir liberdades democráticas, salário, emprego, educação, saúde, moradia dentro de uma perspectiva socialista. Para tal, precisa construir uma alternativa da classe trabalhadora, combatendo ambos os setores burgueses, a ditadura de Maduro e a oposição burguesa igualmente pró-imperialista.

A posição de Lula foi criticada por um amplo arco político: o governo dos EUA, bolsonaristas, organizações de Direitos Humanos e até mesmo pelo presidente do Chile, Gabriel Boric, um dos expoentes da esquerda reformista na América do Sul. Uma coisa é que o imperialismo dos EUA, a burguesia e a direita brasileira, não tem moral nenhum para criticar qualquer ditadura no mundo, porque, inclusive, apoiam várias, para não falar no defensor da ditadura brasileira e seus torturadores, Jair Bolsonaro. Outra coisa é que isso não pode impedir os trabalhadores verem a realidade tal como ela é. Na Venezuela há uma ditadura capitalista.

É até curioso que os bolsonaristas levantem esse tipo de crítica já que o objetivo perseguido pelo ex-presidente Bolsonaro era transformar o Brasil numa ditadura, igualzinha à da Venezuela. Também chama a atenção as críticas de porta-vozes do imperialismo americano e europeu que falam em democracia, mas queriam impor um governo títere liderado por Juan Guaidó na Venezuela, e sustentam ditaduras em todos os continentes, sempre que estas atendam a agenda econômica e geopolítica imperialista.

Lula e seu governo fecha os olhos ao cerceamento das liberdades democráticas e à superexploração da classe trabalhadora. Por outro lado, os bolsonaristas criticam a posição de Lula, mas ocultam o fato de que o regime de Maduro é o modelo que eles queriam implantar no Brasil. A classe trabalhadora brasileira não está representada em nenhuma dessas posições.

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