sex jun 21, 2024
sexta-feira, junho 21, 2024

Argentina: unir as lutas para enfrentar o ajuste do FMI, do Governo e das patronais

A corrida cambial teve como consequência um novo salto inflacionário. Os salários e as aposentadorias continuam perdendo.

Por: PSTU Argentina

A economia está estancada, e possivelmente caminha para uma recessão

Sergio Massa corre ao FMI para pedir mais dinheiro, comprometendo cada vez mais nossa soberania e nossos recursos, por longos anos.

Cristina Fernández, em seu discurso, criticou o acordo com o Fundo Monetário Internacional, mas propõe pagá-lo e apoia Massa, enquanto resguarda o capitalismo como “modo de produção” intocável. Ou seja, faz teatro eleitoral, mas não quer mudar nada.

Javier Milei defende a dolarização da economia, um mecanismo que significaria não só uma desvalorização brutal, mas um novo grilhão pesadíssimo atando nossa soberania. Ele que fala de “liberdade”, propõe escravizar-nos aos Estados Unidos.

Juntos por el Cambio (JxC), que via como fácil sua vitória eleitoral, está preocupado agora, enquanto prepara seu arsenal de medidas contra a classe trabalhadora e o povo, caso governem.

A CGT (Central Geral de Trabalhadores), próxima ao Governo, ao invés de apoiar as lutas operárias e populares recebe os enviados do Departamento de Estado norte-americano, e se oferece a Horacio Rodríguez Larreta (do JxC) para fazer passar a Reforma Trabalhista antioperária que se está sendo preparada para depois das eleições, em troca de ser parte do negócio e receber sua fatia.

Todos os partidos patronais endossam o brutal ajuste de Massa, e preparam um pior para 2024.

Defendem os enormes lucros empresariais, de multinacionais e patrões nacionais. Como Paolo Rocca, da Techint, que foi beneficiado pelo Governo para produzir as tubulações do Gasoduto Néstor Kirchner, contratando operários precarizados aos quais despedirá quando a obra estiver concluída.

Milhões de trabalhadores, tanto precarizados como sob convênio, estão na pobreza. E os responsáveis estão à vista.

Não podemos esperar as eleições

Trabalhadores do Pneumático, enfermeiras/os, docentes de diferentes províncias, trabalhadores/as do metrô e de diferentes fábricas como Bedtime e Felfort, por exemplo, estão lutando. De forma dispersa, porque as direções estão atadas ao Governo e isolam os conflitos.

Alguns dirigentes e o kirchnerismo reclamam uma soma fixa, como se não fizessem parte do Governo. E nada fazem para arrancá-la.

Não podemos esperar. É necessário preparar a partir de abaixo, embora custe, uma luta unificada pelo salário, contra as demissões e contra toda tentativa de Reforma Trabalhista.

Temos que enfrentar o ajuste, a entrega e a miséria dos planos do FMI e das patronais, aplicados pelo Governo e pela oposição, com a cumplicidade da CGT, a CTA (Central de Trabalhadores/as da Argentina) e a maioria dos sindicatos.

É uma tarefa fundamental apoiar e unir todas as lutas dos trabalhadores, com as lutas populares contra o delito e a insegurança, contra os tarifaços, e em defesa do meio ambiente nas províncias. Organizá-las por zona, por sindicato, passando por cima dos dirigentes e pelos “corpos orgânicos” e “estatutos”, que usam apenas para nos dividir.

É necessário juntar os ativistas e lutadores, reivindicar aos delegados sindicais, e ir construindo a partir da base a lista de reivindicações e o plano de luta necessário.

Devemos preparar uma luta contundente, como a classe operária francesa está levando adiante, até derrotar o ajuste e a entrega.

Não será fácil. Receberemos represálias. Mas não podemos continuar nesta situação de deterioração permanente e atropelos patronais. Não podemos permitir que continuem brincando com nossas vidas e as de nossas famílias.

Por uma saída de fundo

Mas não basta lutar pelo salário e emprego. Não se trata de nos defendermos sempre, de sempre estar correndo da pobreza.

Precisamos de um debate em toda a classe operária. Das eleições não sairá nenhuma solução. No dia seguinte, nossos problemas continuarão. Mas é um bom momento para promover o debate por um programa econômico diferente, operário e popular.

Foram apresentados projetos de lei, como os da CGT, para reduzir a jornada de trabalho semanal para 36 ou 40 horas. Mas teria que ser sem redução salarial, assim como um salário mínimo igual à cesta básica familiar ajustado automaticamente de acordo com a inflação: é uma necessidade.

Entretanto, estas leis apresentadas pelos que fazem parte de um Governo que nos obriga a fazer horas extras para chegar ao salário, é uma zombaria, é uma jogada eleitoral, estão brincando conosco. E além disso, atrelam a redução ao aumento da produtividade.

Temos que impulsionar um plano de desenvolvimento industrial integral para o país, que coloque todos os recursos a serviço da população. Que comece pelo não pagamento da Dívida, confiscar os alimentos e produtos que aumentam sem controle, expropriar as grandes empresas multinacionais e nacionais, estatizar, sob controle dos trabalhadores e das comunidades, a energia, o transporte, e todas as alavancas fundamentais da economia, controlar completamente o comércio exterior para que haja alimentos baratos e de qualidade para todos os habitantes da Argentina. E estatizar os bancos, também sob controle dos trabalhadores, para centralizar integralmente a atividade financeira e impedir a especulação cambial.

Estas, entre outras medidas, só serão alcançadas com uma luta profunda.

Estamos no mês em que se celebra a Revolução de Maio. Precisamos, como em 1810, de uma nova revolução que rompa nossos grilhões coloniais, alcance uma nova Independência e inicie o caminho para um novo sistema econômico, dos trabalhadores, uma Argentina Socialista, sem FMI nem capitalistas.

Argentina: unir as lutas para enfrentar o ajuste do FMI, do Governo e das patronais

A corrida cambial teve como consequência um novo salto inflacionário. Os salários e as aposentadorias continuam perdendo.

A economia está estancada, e possivelmente caminha para uma recessão

Sergio Massa corre ao FMI para pedir mais dinheiro, comprometendo cada vez mais nossa soberania e nossos recursos, por longos anos.

Cristina Fernández, em seu discurso, criticou o acordo com o Fundo Monetário Internacional, mas propõe pagá-lo e apoia Massa, enquanto resguarda o capitalismo como “modo de produção” intocável. Ou seja, faz teatro eleitoral, mas não quer mudar nada.

Javier Milei defende a dolarização da economia, um mecanismo que significaria não só uma desvalorização brutal, mas um novo grilhão pesadíssimo atando nossa soberania. Ele que fala de “liberdade”, propõe escravizar-nos aos Estados Unidos.

Juntos por el Cambio (JxC), que via como fácil sua vitória eleitoral, está preocupado agora, enquanto prepara seu arsenal de medidas contra a classe trabalhadora e o povo, caso governem.

A CGT (Central Geral de Trabalhadores), próxima ao Governo, ao invés de apoiar as lutas operárias e populares recebe os enviados do Departamento de Estado norte-americano, e se oferece a Horacio Rodríguez Larreta (do JxC) para fazer passar a Reforma Trabalhista antioperária que se está sendo preparada para depois das eleições, em troca de ser parte do negócio e receber sua fatia.

Todos os partidos patronais endossam o brutal ajuste de Massa, e preparam um pior para 2024.

Defendem os enormes lucros empresariais, de multinacionais e patrões nacionais. Como Paolo Rocca, da Techint, que foi beneficiado pelo Governo para produzir as tubulações do Gasoduto Néstor Kirchner, contratando operários precarizados aos quais despedirá quando a obra estiver concluída.

Milhões de trabalhadores, tanto precarizados como sob convênio, estão na pobreza. E os responsáveis estão à vista.

Não podemos esperar as eleições

Trabalhadores do Pneumático, enfermeiras/os, docentes de diferentes províncias, trabalhadores/as do metrô e de diferentes fábricas como Bedtime e Felfort, por exemplo, estão lutando. De forma dispersa, porque as direções estão atadas ao Governo e isolam os conflitos.

Alguns dirigentes e o kirchnerismo reclamam uma soma fixa, como se não fizessem parte do Governo. E nada fazem para arrancá-la.

Não podemos esperar. É necessário preparar a partir de abaixo, embora custe, uma luta unificada pelo salário, contra as demissões e contra toda tentativa de Reforma Trabalhista.

Temos que enfrentar o ajuste, a entrega e a miséria dos planos do FMI e das patronais, aplicados pelo Governo e pela oposição, com a cumplicidade da CGT, a CTA (Central de Trabalhadores/as da Argentina) e a maioria dos sindicatos.

É uma tarefa fundamental apoiar e unir todas as lutas dos trabalhadores, com as lutas populares contra o delito e a insegurança, contra os tarifaços, e em defesa do meio ambiente nas províncias. Organizá-las por zona, por sindicato, passando por cima dos dirigentes e pelos “corpos orgânicos” e “estatutos”, que usam apenas para nos dividir.

É necessário juntar os ativistas e lutadores, reivindicar aos delegados sindicais, e ir construindo a partir da base a lista de reivindicações e o plano de luta necessário.

Devemos preparar uma luta contundente, como a classe operária francesa está levando adiante, até derrotar o ajuste e a entrega.

Não será fácil. Receberemos represálias. Mas não podemos continuar nesta situação de deterioração permanente e atropelos patronais. Não podemos permitir que continuem brincando com nossas vidas e as de nossas famílias.

Por uma saída de fundo

Mas não basta lutar pelo salário e emprego. Não se trata de nos defendermos sempre, de sempre estar correndo da pobreza.

Precisamos de um debate em toda a classe operária. Das eleições não sairá nenhuma solução. No dia seguinte, nossos problemas continuarão. Mas é um bom momento para promover o debate por um programa econômico diferente, operário e popular.

Foram apresentados projetos de lei, como os da CGT, para reduzir a jornada de trabalho semanal para 36 ou 40 horas. Mas teria que ser sem redução salarial, assim como um salário mínimo igual à cesta básica familiar ajustado automaticamente de acordo com a inflação: é uma necessidade.

Entretanto, estas leis apresentadas pelos que fazem parte de um Governo que nos obriga a fazer horas extras para chegar ao salário, é uma zombaria, é uma jogada eleitoral, estão brincando conosco. E além disso, atrelam a redução ao aumento da produtividade.

Temos que impulsionar um plano de desenvolvimento industrial integral para o país, que coloque todos os recursos a serviço da população. Que comece pelo não pagamento da Dívida, confiscar os alimentos e produtos que aumentam sem controle, expropriar as grandes empresas multinacionais e nacionais, estatizar, sob controle dos trabalhadores e das comunidades, a energia, o transporte, e todas as alavancas fundamentais da economia, controlar completamente o comércio exterior para que haja alimentos baratos e de qualidade para todos os habitantes da Argentina. E estatizar os bancos, também sob controle dos trabalhadores, para centralizar integralmente a atividade financeira e impedir a especulação cambial.

Estas, entre outras medidas, só serão alcançadas com uma luta profunda.

Estamos no mês em que se celebra a Revolução de Maio. Precisamos, como em 1810, de uma nova revolução que rompa nossos grilhões coloniais, alcance uma nova Independência e inicie o caminho para um novo sistema econômico, dos trabalhadores, uma Argentina Socialista, sem FMI nem capitalistas.

Tradução: Lílian Enck

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