qui jun 13, 2024
quinta-feira, junho 13, 2024

Antirracismo: uma tarefa pendente para o “governo mais progressista da história”

Durante o mês de março, não só é comemorado o dia da mulher trabalhadora, mas também tem duas datas marcadas pela luta antirracista. Uma delas é o dia 21 de março, Dia Internacional Contra a Discriminação Racial e, do outro, o dia 30 de março, Dia das trabalhadoras/es domésticas/os. Em torno dessas questões queremos dedicar estas linhas.

Por: May Madhoun M. Roure – Corriente Roja

O massacre de 24 de julho de 2022 na fronteira Nador-Melilla, do qual foi cúmplice o “governo mais progressista da história”, em coordenação com as autoridades marroquinas, chocou o movimento antirracista e centenas de ativistas do Estado Espanhol.

O governo é corresponsável pelo assassinato de mais de cem pessoas, pelo retorno imediato de refugiados/as e menores e, em última instância, pelo tratamento desumano e degradante de migrantes e requerentes de asilo. Como se isso não bastasse, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) juntamente com o PP (Partido Popular) derrubou a comissão de investigação sobre a tragédia na fronteira de Melilla em 18 de novembro de 2022.

Sim, é assustador. Pensar que o “governo mais progressista da história” é aquele que perpetua esse grau de racismo institucional. Infelizmente, isso não deveria nos surpreender.

Nada de novo sob o sol

O PSOE cortou a fita das políticas de racismo institucional e xenofobia no Estado espanhol. Aplicou a Lei da Imigração (1985), abriu os primeiros CIES (já eram 6 CIES abertos em 1988), reconstruiu a cerca entre Ceuta e Marrocos (1996), instalou arame farpado nas cercas (2004) e um longo etc…

Alguns ativistas poderiam pensar que a coalizão com a formación morada (Podemos) poderia ter tornado Sánchez, Marlaska e seus ministros/as mais antirracistas diante do alarmante aumento da extrema direita.

Infelizmente, a situação dos/as trabalhadores/as e jovens migrantes vai de mal a pior. Enquanto o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) sobe e os salários dos trabalhadores caem, ao Ministério do Interior não parece faltar orçamento. O governo investiu quase sete milhões de euros na implementação de sistemas tecnológicos de ‘fronteiras inteligentes’, policiais e guardas vão receber quase 40% a mais em 2024 do que em 2018 e, para completar, o número 2 do Ministério felicitou aos governos de Sánchez pela recuperação dos “13.000 militares perdidos com o PP”. Em suma, os acontecimentos de Melilla não só fizeram o Governo refletir, mas já estão recarregando suas armas para continuar a ofensiva contra os migrantes.

Não se trata de “falta de vontade política”, mas de um ataque envolvente que procura fazer explodir os nossos direitos como trabalhadores migrantes, reflexo cristalizado da política anti-imigração que tanto criticam à ultradireita.

Fica patente na abertura de um novo módulo de mulheres no CIE (Centro de Detenção de Estrangeiros) de Barcelona, ​​no número crescente de sem-abrigo devido à sua situação administrativa e na ausência do PSOE no Congresso quando foi debatido o ILP (Iniciativa Legislativa Popular) da campanha de Regularização Já, que conseguiu recolher mais de 700 mil assinaturas e defende, como o próprio nome indica, que os imigrantes não têm mais, nem menos, mas os mesmos direitos.

Diante de seus ataques, nossa luta

Em fevereiro passado, Marlaska foi reprovado pelo Congresso dos Deputados por sua “gestão” no massacre de 24J. Por proposta do PP, a moção seguiu com os votos do PP, Vox e ERC, entre outros grupos. Mas tanto o PSOE quanto o Unidas Podemos, “que apoiam nossa luta”, votaram contra a condenação do ministro do Interior, priorizando os votos e suas cadeiras sobre as vítimas de políticas racistas e assassinas.

Diante dessa nítida posição, nós de Corriente Roja conclamamos a classe trabalhadora em seu conjunto, tanto nativa quanto estrangeira, a não depositar nenhuma confiança em um governo que se diz progressista enquanto pratica a discriminação e o racismo.

Como defende a assembleia antirracista de Madrid, exigimos a renúncia do Ministro do Interior, a Regularização JÁ de todas as pessoas em situação administrativa irregular e a revogação da Lei de Imigração, apoiando-nos nas lutas migrantes, operárias, como a greve do LIDL e juvenis a partir das ruas.

As eleições estão chegando nos próximos meses e, com elas, pomposas campanhas eleitorais, belos discursos e promessas. A classe trabalhadora deve ter bem claro que nossos direitos não nos serão dados, que não há direito que se conquiste se não for redobrando a organização e a luta na rua, como têm demonstrado as incansáveis ​​trabalhadoras/es domésticas/os, que em setembro do ano passado conseguiram ver reconhecido o direito ao subsídio por desemprego.

Redobrar a luta pela regularização, revogação da Lei de Imigração, universalização do acesso à Saúde Pública e habitação é tarefa incontornável e urgente da classe trabalhadora como um todo, com os e as companheiras migrantes na vanguarda.

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