seg maio 27, 2024
segunda-feira, maio 27, 2024

40 mortos em “abrigo” em Ciudad Juárez vítimas de crimes de Estados

Os fatos ocorridos na noite de segunda-feira, 27 de março, em um abrigo do Instituto Nacional de Migração (INM), no qual morreram 40 migrantes, ressaltam a crise migratória e as políticas repressivas dos governos do México e dos Estados Unidos. Sobretudo quando a sua primeira reação foi culpar os migrantes que atearam fogo a alguns colchões e lixo numa tentativa de impedir as pretensões de deportação do INM.

Por: Voz dos Trabalhadores (EUA) e Corrente Socialista dos Trabalhadores (México)

O que é migração?

A migração é o ato de mudar de residência fora da cidade onde se nasceu. Embora haja migração interna (dentro de um país, frequentemente do campo para a cidade), normalmente as notícias se referem à migração externa ou internacional, ou seja, de fora do país de origem.

Embora haja migração voluntária, a migração forçada é a mais comum e, infelizmente, a que mais ocupa a cobertura da imprensa, já que as mobilizações massivas de grupos humanos migrantes e as manifestações de precariedade e desespero com que migram, muitas vezes terminam em tragédias como como a do 27.

O México tornou-se um ponto de passagem para milhares de migrantes que buscam entrar nos Estados Unidos, razão pela qual historicamente teve que estabelecer políticas migratórias muito específicas. Todos os governos mexicanos, em maior ou menor grau, receberam e cederam à pressão estadunidense que os obriga a cumprir o papel de conter os desejos migratórios de trabalhadores de países semicoloniais como o nosso, mas com mas com condições socioeconômicas e/ou políticas mais precárias.

Muitos pensam que quem decide migrar para os EUA está simplesmente buscando viver o chamado “sonho americano”, descrevem-no como um traidor de seu povo ou que busca ganhar bem sem trabalhar muito, sem parar para pensar o que o motiva a agir assim.

Por que migrar?

Deixando de lado o fato de que as pessoas não apenas migram para os EUA, mas também para outros países como México, Brasil ou Chile, por exemplo, vamos nos concentrar em explicar o fenômeno migratório que tem como destino a principal potência do planeta até agora.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa foi devastada, com sua reconstrução dependendo da ajuda dos Estados Unidos, o chamado “sonho americano” permeou como uma ideologia imposta por diferentes meios. Se assim foi com a velha Europa, foi ainda mais com a América Latina, que sofreu com a Doutrina Monroe, que desde o século 19 considerava a região como seu quintal.

Os filmes, a propaganda comercial, as políticas impostas aos países da região trazem a marca da imposição cultural gringa, adoçada com histórias e imagens de como é bom viver em território ianque.

Se compararmos isso com as constantes crises que nossos países vivem, condenados a serem fornecedores de matérias-primas e mão de obra barata para satisfazer o desejo de riqueza das grandes corporações, e analisarmos de perto, encontraremos empregos precários, má ou nenhuma educação, doenças crônicas e serviços médicos precários, alta inflação, baixos salários e escassez de necessidades básicas, além da constante falta de água, luz, gás, telefonia, etc.

Por fim, o desemprego crônico que obriga a “empreender”, palavra da moda para designar, sob a máscara da inciativa empresarial, alguém que monta um negócio para tentar sobreviver (uma mesinha com café e cigarros, ou andar pelos corredores do metrô vendendo salgadinhos e bugigangas), com o resultado de que 90% falham em estabilizar um “negócio”.

Tudo isso leva ao surgimento de bairros precários, sem serviços, para pessoas pobres que não têm onde morar, onde proliferam drogas e violência. Muitos se acostumam ou se resignam. Outros saem em busca de melhorar sua situação, às vezes fugindo de uma ameaça real ou potencial com membros de gangues de bairro, ou com o governo.

Ouviram histórias cuidadosamente escolhidas ou fabricadas sobre como fulano se saiu bem nos Estados Unidos, e vários deles se uniram para apoiar uns aos outros e migrar. A maioria o faz por via terrestre, justamente pela falta de recursos que os fez sair de seu país. Deixam o seu país, aquele onde nasceram, onde deixam família, experiências e memórias, apostando numa promessa que ninguém lhes fez, a não ser os sinistros coiotes que aproveitam a necessidade de organizar caravanas da morte, ou a venda de uma menina no comércio internacional do sexo, ou de um jovem no tráfico de escravos (sim, a escravidão ainda existe, disfarçada de dívidas impagáveis!). Muitos arriscam suas vidas para não perecer em seu país. Parece contraditório, mas deixam uma realidade que viveram por um possível golpe de sorte, com todas as ameaças potenciais. A ironia do imperialismo é que foi a intervenção das empresas norte-americanas nos países da América Latina que desencadeou a destruição ambiental e o subdesenvolvimento econômico que estimula a migração para o norte.

A política de imigração do governo AMLO: servil aos desejos do amo do norte

As caravanas que historicamente cruzaram o México, de sul a norte, utilizam o país como zona de passagem, já que o destino são os Estados Unidos, o “sonho americano”.

Os EUA, em sua hipocrisia, endurecem ou afrouxam as medidas de imigração dependendo da necessidade ou não de mão de obra barata. Portanto, quando relaxam, permitem a entrada, mas não dão legalidade. E é na ilegalidade que há oportunidade de oferecer salários precários em trabalhos precários. Sob a sombra da ameaça de deportação, os atos mais infames de abuso de trabalho são cometidos. Em dezembro de 2022, foi divulgado um relatório da Reuters afirmando que várias fábricas de automóveis nos Estados Unidos empregam crianças menores de 14 anos. Esse pesadelo só poderia ter acontecido (e provavelmente continuará) graças à precariedade jurídica que os imigrantes enfrentam na chamada “terra dos seus sonhos”.

A precariedade aumenta ainda mais como consequência das constantes polêmicas xenófobas publicadas pela mídia conservadora, deixando os imigrantes em uma situação em que não só são submetidos a abusos trabalhistas e ameaças da polícia e da imigração, como também são ameaçados pela violência dos racistas.

Por isso, o governo dos Estados Unidos, tanto sob Biden quanto sob Trump e outros presidentes anteriores, pressiona AMLO (Andrés Manoel López Obrador) para conter o fluxo migratório e o mesmo se apressa para atender aos desejos do amo do Norte, desenvolvendo uma política de contenção, cujo resultado é a violação sistemática dos direitos humanos dos migrantes. Além de usar de enganos para que os migrantes que estão na margem sul do Rio Grande desistam temporariamente de atravessá-lo e se submetam a um censo, dezenas de “abrigos” foram criados para migrantes que não têm outro objetivo senão deportá-los, devolvê-los ao seu país sem nenhuma oportunidade de melhorar sua situação.

O que realmente aconteceu em Ciudad Juarez?

A mídia explicou que a maioria dos mortos era da América Central (18 da Guatemala, 7 de El Salvador, 7 da Venezuela, 6 de Honduras e um da Colômbia) e muitos culpam indiretamente os migrantes pela tragédia. Queremos destacar dois aspectos:

Por que os migrantes protestaram a ponto de queimar colchões e lixo?

A migração ameaçava deportá-los. Além do silêncio e do desrespeito aos pedidos de não deportação, a inexistência de outras opções e os maus tratos dos funcionários, que os tratam como criminosos, fizeram com que tomassem medidas desesperadas para chamar a atenção.

Por que havia uma porta que os fechava e que os funcionários não abriram, impedindo sua evacuação e salvação?

57% dos migrantes morreram (39 de 68) por asfixia e inalação de gases tóxicos. Se tivermos em conta os feridos (17) e os somarmos aos falecidos, o ato de não abrir a porta e permitir a evacuação dos migrantes afetou 82% dos migrantes no abrigo.

Essas são as consequências de ter migrantes presos, como se fossem criminosos. Enquanto o capital, o dinheiro para investir, não tem fronteiras e todos os governos buscam formas de abrir suas portas, migrantes em situação precária são tratados como criminosos e muros intransponíveis são erguidos para eles.

Quando AMLO ataca os que iniciaram o incêndio e não para pensar que o massacre poderia ter sido evitado apenas abrindo as portas, torna-se cúmplice de uma política que vê os migrantes precários e forçados como subumanos e criminosos. Quando AMLO, incapaz de negar as evidências do fatídico ato de prender migrantes, ataca os funcionários do abrigo e não diz nada sobre a política de trancafiar migrantes, ele reitera a mesma posição de tratar os migrantes como lixo.

A opressão é igualmente difícil ao norte da fronteira

Imigrantes detidos dentro dos EUA também sofrem condições desumanas em campos de detenção. A situação é tão grave que os imigrantes presos no Golden State Annex e em Mesa Verde, na Califórnia, iniciaram uma greve de fome, apoiados por companheiros do A Voz dos Trabalhadores e organizações comunitárias. A política xenófoba contra migrantes representa uma ameaça internacional e, portanto, a resposta para superá-la também precisa ser internacional. O capitalismo colonial roubou as terras indígenas e impôs fronteiras para melhor garantir seus lucros: somente enfrentando as injustiças do capitalismo, do imperialismo e da colonização será possível acabar com a violência nas fronteiras.

Qual é a saída?

Nós, da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) e A Voz dos Trabalhadores, seções mexicana e americana da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-FI), fazemos eco da denúncia de várias organizações: responsabilizamos o governo AMLO por essas mortes e exigimos o fechamento dos abrigos-prisões para acabar com a política de contenção da imigração formulada pelos Estados Unidos e cumprida pelo servil governo mexicano.

Acreditamos que o problema deve ser visto globalmente e que as razões pelas quais os migrantes fogem de seus países são consequência das ações do sistema capitalista, especificamente das corporações transnacionais e de seu governo norte-americano. Por isso, acreditamos que enquanto o governo dos Estados Unidos e suas corporações manejarem à vontade a economia mundial, saqueando as riquezas de nossos povos e condenando nossos trabalhadores à servidão e à semiescravidão, sempre haverá setores em nossos países que, desesperados por sua situação e a de suas famílias, embarcam em uma jornada cheia de ameaças e incertezas, onde a única certeza é a miséria que deixam para trás.

Os trabalhadores mexicanos têm parentes e conhecidos que migraram para os Estados Unidos. A situação não nos é desconhecida. Portanto, não devemos fingir que a situação não tem nada a ver conosco.

Além da necessária solidariedade material e moral com aqueles que têm contato direto conosco, devemos organizar ações de protesto contra as tragédias dos migrantes e as políticas que as geram. Devemos exigir que os sindicatos obriguem as empresas, principalmente as que vêm do Norte, a abrir vagas de emprego para o migrante e promover a regularização da sua situação jurídica e a incorporar o migrante no sindicato com plenos direitos.

Devemos organizar a solidariedade dos trabalhadores de ambos os lados da fronteira. Só um governo dos trabalhadores e oprimidos, verdadeiros criadores da riqueza da sociedade, pode construir um sistema sem classes sociais nem privilégios, numa economia democraticamente planificada desde baixo, baseada nas necessidades quotidianas de todos os povos.

39 mortos em “abrigo” em Ciudad Juárez vítimas de crimes de Estados

Os fatos ocorridos na noite de segunda-feira, 27 de março, em um abrigo do Instituto Nacional de Migração (INM), no qual morreram 39 migrantes, ressaltam a crise migratória e as políticas repressivas dos governos do México e dos Estados Unidos. Sobretudo quando a sua primeira reação foi culpar os migrantes que atearam fogo a alguns colchões e lixo numa tentativa de impedir as pretensões de deportação do INM.

Por: Voz dos Trabalhadores (EUA) e Corrente Socialista dos Trabalhadores (México)

O que é migração?

A migração é o ato de mudar de residência fora da cidade onde se nasceu. Embora haja migração interna (dentro de um país, frequentemente do campo para a cidade), normalmente as notícias se referem à migração externa ou internacional, ou seja, de fora do país de origem.

Embora haja migração voluntária, a migração forçada é a mais comum e, infelizmente, a que mais ocupa a cobertura da imprensa, já que as mobilizações massivas de grupos humanos migrantes e as manifestações de precariedade e desespero com que migram, muitas vezes terminam em tragédias como como a do 27.

O México tornou-se um ponto de passagem para milhares de migrantes que buscam entrar nos Estados Unidos, razão pela qual historicamente teve que estabelecer políticas migratórias muito específicas. Todos os governos mexicanos, em maior ou menor grau, receberam e cederam à pressão estadunidense que os obriga a cumprir o papel de conter os desejos migratórios de trabalhadores de países semicoloniais como o nosso, mas com mas com condições socioeconômicas e/ou políticas mais precárias.

Muitos pensam que quem decide migrar para os EUA está simplesmente buscando viver o chamado “sonho americano”, descrevem-no como um traidor de seu povo ou que busca ganhar bem sem trabalhar muito, sem parar para pensar o que o motiva a agir assim.

Por que migrar?

Deixando de lado o fato de que as pessoas não apenas migram para os EUA, mas também para outros países como México, Brasil ou Chile, por exemplo, vamos nos concentrar em explicar o fenômeno migratório que tem como destino a principal potência do planeta até agora.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa foi devastada, com sua reconstrução dependendo da ajuda dos Estados Unidos, o chamado “sonho americano” permeou como uma ideologia imposta por diferentes meios. Se assim foi com a velha Europa, foi ainda mais com a América Latina, que sofreu com a Doutrina Monroe, que desde o século 19 considerava a região como seu quintal.

Os filmes, a propaganda comercial, as políticas impostas aos países da região trazem a marca da imposição cultural gringa, adoçada com histórias e imagens de como é bom viver em território ianque.

Se compararmos isso com as constantes crises que nossos países vivem, condenados a serem fornecedores de matérias-primas e mão de obra barata para satisfazer o desejo de riqueza das grandes corporações, e analisarmos de perto, encontraremos empregos precários, má ou nenhuma educação, doenças crônicas e serviços médicos precários, alta inflação, baixos salários e escassez de necessidades básicas, além da constante falta de água, luz, gás, telefonia, etc.

Por fim, o desemprego crônico que obriga a “empreender”, palavra da moda para designar, sob a máscara da inciativa empresarial, alguém que monta um negócio para tentar sobreviver (uma mesinha com café e cigarros, ou andar pelos corredores do metrô vendendo salgadinhos e bugigangas), com o resultado de que 90% falham em estabilizar um “negócio”.

Tudo isso leva ao surgimento de bairros precários, sem serviços, para pessoas pobres que não têm onde morar, onde proliferam drogas e violência. Muitos se acostumam ou se resignam. Outros saem em busca de melhorar sua situação, às vezes fugindo de uma ameaça real ou potencial com membros de gangues de bairro, ou com o governo.

Ouviram histórias cuidadosamente escolhidas ou fabricadas sobre como fulano se saiu bem nos Estados Unidos, e vários deles se uniram para apoiar uns aos outros e migrar. A maioria o faz por via terrestre, justamente pela falta de recursos que os fez sair de seu país. Deixam o seu país, aquele onde nasceram, onde deixam família, experiências e memórias, apostando numa promessa que ninguém lhes fez, a não ser os sinistros coiotes que aproveitam a necessidade de organizar caravanas da morte, ou a venda de uma menina no comércio internacional do sexo, ou de um jovem no tráfico de escravos (sim, a escravidão ainda existe, disfarçada de dívidas impagáveis!). Muitos arriscam suas vidas para não perecer em seu país. Parece contraditório, mas deixam uma realidade que viveram por um possível golpe de sorte, com todas as ameaças potenciais. A ironia do imperialismo é que foi a intervenção das empresas norte-americanas nos países da América Latina que desencadeou a destruição ambiental e o subdesenvolvimento econômico que estimula a migração para o norte.

A política de imigração do governo AMLO: servil aos desejos do amo do norte

As caravanas que historicamente cruzaram o México, de sul a norte, utilizam o país como zona de passagem, já que o destino são os Estados Unidos, o “sonho americano”.

Os EUA, em sua hipocrisia, endurecem ou afrouxam as medidas de imigração dependendo da necessidade ou não de mão de obra barata. Portanto, quando relaxam, permitem a entrada, mas não dão legalidade. E é na ilegalidade que há oportunidade de oferecer salários precários em trabalhos precários. Sob a sombra da ameaça de deportação, os atos mais infames de abuso de trabalho são cometidos. Em dezembro de 2022, foi divulgado um relatório da Reuters afirmando que várias fábricas de automóveis nos Estados Unidos empregam crianças menores de 14 anos. Esse pesadelo só poderia ter acontecido (e provavelmente continuará) graças à precariedade jurídica que os imigrantes enfrentam na chamada “terra dos seus sonhos”.

A precariedade aumenta ainda mais como consequência das constantes polêmicas xenófobas publicadas pela mídia conservadora, deixando os imigrantes em uma situação em que não só são submetidos a abusos trabalhistas e ameaças da polícia e da imigração, como também são ameaçados pela violência dos racistas.

Por isso, o governo dos Estados Unidos, tanto sob Biden quanto sob Trump e outros presidentes anteriores, pressiona AMLO (Andrés Manoel López Obrador) para conter o fluxo migratório e o mesmo se apressa para atender aos desejos do amo do Norte, desenvolvendo uma política de contenção, cujo resultado é a violação sistemática dos direitos humanos dos migrantes. Além de usar de enganos para que os migrantes que estão na margem sul do Rio Grande desistam temporariamente de atravessá-lo e se submetam a um censo, dezenas de “abrigos” foram criados para migrantes que não têm outro objetivo senão deportá-los, devolvê-los ao seu país sem nenhuma oportunidade de melhorar sua situação.

O que realmente aconteceu em Ciudad Juarez?

A mídia explicou que a maioria dos mortos era da América Central (18 da Guatemala, 7 de El Salvador, 7 da Venezuela, 6 de Honduras e um da Colômbia) e muitos culpam indiretamente os migrantes pela tragédia. Queremos destacar dois aspectos:

Por que os migrantes protestaram a ponto de queimar colchões e lixo?

A migração ameaçava deportá-los. Além do silêncio e do desrespeito aos pedidos de não deportação, a inexistência de outras opções e os maus tratos dos funcionários, que os tratam como criminosos, fizeram com que tomassem medidas desesperadas para chamar a atenção.

Por que havia uma porta que os fechava e que os funcionários não abriram, impedindo sua evacuação e salvação?

57% dos migrantes morreram (39 de 68) por asfixia e inalação de gases tóxicos. Se tivermos em conta os feridos (17) e os somarmos aos falecidos, o ato de não abrir a porta e permitir a evacuação dos migrantes afetou 82% dos migrantes no abrigo.

Essas são as consequências de ter migrantes presos, como se fossem criminosos. Enquanto o capital, o dinheiro para investir, não tem fronteiras e todos os governos buscam formas de abrir suas portas, migrantes em situação precária são tratados como criminosos e muros intransponíveis são erguidos para eles.

Quando AMLO ataca os que iniciaram o incêndio e não para pensar que o massacre poderia ter sido evitado apenas abrindo as portas, torna-se cúmplice de uma política que vê os migrantes precários e forçados como subumanos e criminosos. Quando AMLO, incapaz de negar as evidências do fatídico ato de prender migrantes, ataca os funcionários do abrigo e não diz nada sobre a política de trancafiar migrantes, ele reitera a mesma posição de tratar os migrantes como lixo.

A opressão é igualmente difícil ao norte da fronteira

Imigrantes detidos dentro dos EUA também sofrem condições desumanas em campos de detenção. A situação é tão grave que os imigrantes presos no Golden State Annex e em Mesa Verde, na Califórnia, iniciaram uma greve de fome, apoiados por companheiros do A Voz dos Trabalhadores e organizações comunitárias. A política xenófoba contra migrantes representa uma ameaça internacional e, portanto, a resposta para superá-la também precisa ser internacional. O capitalismo colonial roubou as terras indígenas e impôs fronteiras para melhor garantir seus lucros: somente enfrentando as injustiças do capitalismo, do imperialismo e da colonização será possível acabar com a violência nas fronteiras.

Qual é a saída?

Nós, da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) e A Voz dos Trabalhadores, seções mexicana e americana da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-FI), fazemos eco da denúncia de várias organizações: responsabilizamos o governo AMLO por essas mortes e exigimos o fechamento dos abrigos-prisões para acabar com a política de contenção da imigração formulada pelos Estados Unidos e cumprida pelo servil governo mexicano.

Acreditamos que o problema deve ser visto globalmente e que as razões pelas quais os migrantes fogem de seus países são consequência das ações do sistema capitalista, especificamente das corporações transnacionais e de seu governo norte-americano. Por isso, acreditamos que enquanto o governo dos Estados Unidos e suas corporações manejarem à vontade a economia mundial, saqueando as riquezas de nossos povos e condenando nossos trabalhadores à servidão e à semiescravidão, sempre haverá setores em nossos países que, desesperados por sua situação e a de suas famílias, embarcam em uma jornada cheia de ameaças e incertezas, onde a única certeza é a miséria que deixam para trás.

Os trabalhadores mexicanos têm parentes e conhecidos que migraram para os Estados Unidos. A situação não nos é desconhecida. Portanto, não devemos fingir que a situação não tem nada a ver conosco.

Além da necessária solidariedade material e moral com aqueles que têm contato direto conosco, devemos organizar ações de protesto contra as tragédias dos migrantes e as políticas que as geram. Devemos exigir que os sindicatos obriguem as empresas, principalmente as que vêm do Norte, a abrir vagas de emprego para o migrante e promover a regularização da sua situação jurídica e a incorporar o migrante no sindicato com plenos direitos.

Devemos organizar a solidariedade dos trabalhadores de ambos os lados da fronteira. Só um governo dos trabalhadores e oprimidos, verdadeiros criadores da riqueza da sociedade, pode construir um sistema sem classes sociais nem privilégios, numa economia democraticamente planificada desde baixo, baseada nas necessidades quotidianas de todos os povos.

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