seg jul 22, 2024
segunda-feira, julho 22, 2024

8M: Pão, Trabalho e Moradia! Chega de promessas do governo “feminista” de Boric!

Declaração das mulheres do MIT: Mulheres trabalhadoras: vamos lutar no 8 de março com a força de nossa classe

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, mulheres e dissidências devem se levantar contra a exploração e a opressão. Enquanto os feminicídios, o desemprego, o aumento da alimentação, dos combustíveis e das contas básicas atingem diariamente as mulheres trabalhadoras e nossas famílias; os governos, a ONU, a OIT e outras instituições do imperialismo nos convidam a “celebrar” para que esqueçamos nossa própria história como classe trabalhadora mundial. A outra classe, aquela que nos explora, ou seja, a burguesia, é composta por homens e mulheres capitalistas. O capitalismo nos oprime usando a seu favor o machismo, a violência de Estado, o assédio no trabalho… É por isso que nossas lutas não se resolvem separadamente das reivindicações históricas da classe trabalhadora. Não podemos acabar com a miséria lutando cada um por si, nem vamos acabar com o machismo lutando contra um homem. Porque machismo e a violência machista não são problema de um grupo de homens. São o mecanismo de exploração capitalista para atacar a metade mais vulnerável da classe trabalhadora: mulheres e dissidências.

Contudo, as mulheres assumem a liderança na luta contra a fome, o desemprego e a discriminação racial. No Irã, as mulheres que se levantam contra a ditadura mobilizam também à juventude; porque o regime islâmico assassina mulheres rebeldes e opositores políticos. As camponesas indígenas continuam lutando em suas comunidades e enfrentam diretamente a repressão do governo criminoso de Dina Boluarte no Peru. Na Ucrânia, mais de 57.000 mulheres representam 10% do exército que luta contra a invasão russa; a eles se juntam milhares de jovens e trabalhadores, mulheres e homens, que se alistaram como voluntários na resistência popular armada. Em países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, as mulheres trabalhadoras estão se organizando para serem incluídas nas negociações coletivas, conquistar direitos de maternidade e acabar com o assédio moral no local de trabalho.

Se as mulheres trabalhadoras vivem e sofrem todas as consequências da barbárie capitalista, no atual imperialismo mundial, por que não poderiam ser acompanhadas em sua luta por seus irmãos de classe? As mulheres não são metade da classe trabalhadora e os homens a outra metade? Vamos deixar nossas companheiras e companheiros trans enfrentarem separadamente a transfobia trabalhista que lhes tira o direito de trabalhar para sobreviver?

Parece que fomos para casa, mas as mulheres continuam em pé

Sem dúvida, o duro revés sofrido com a Rejeição desmoralizou milhares de lutadores. Muitos trabalhadores e ativistas se sentem confusos ou zangados. Reivindicações importantes nossas ficaram no zero: aborto gratuito e seguro, negociação sindical por ramo, criminalização da violência contra a mulher e o coletivo LGBTIQ+, reconhecimento do trabalho doméstico… O que ganhamos agora com passeatas como o Dia da Mulher Trabalhadora? O que mais podemos fazer?

É preciso dizer que não é o sonho de justiça social que foi interrompido. O principal derrotado é o governo Boric e sua aliança PC/FA. Eles, depois de cozinharem e lavarem o Acordo de Paz junto com os partidos dos 30 anos, colocaram todas as suas fichas num processo constitucional cheio de obstáculos, de tão interessados ​​estavam em salvar a institucionalidade dos mesmos 30 anos. Essa cozinha foi transferida para os salões do antigo Congresso, onde estava em sessão a Convenção Constitucional. Mais tarde, o programa de governo foi vinculado ao resultado do plebiscito. O próprio Boric desmascarou sua armadilha, pois apesar de suas promessas de campanha, mostrou sua total fidelidade à burguesia crioula e internacional, por exemplo. negando uma nova retirada das AFPs e mantendo intactas as concessões às mineradoras nas mãos de transnacionais. Essas submissões a favor dos empresários, a entrada em seu governo dos partidos da antiga Concertação, somada à milionária campanha de terror que a direita e os apeados da DC junto com populistas como o partido de la Gente (do Povo,ndt.), prepararam um terreno fértil para a Rejeição. Essa maquinaria para a decepção, com Boric, o Partido Comunista e a Frente Ampla no comando, é responsável pelo resultado.

Nossas demandas ficaram sem resposta e só por isso precisamos continuar lutando. Articulando territórios, sindicatos e centros estudantis. Somando a força de nossos companheiros, não os separando. Nós, mulheres, nos levantamos repetidamente em nossas vidas. Quando uma mulher trabalhadora avança, nenhum trabalhador retrocede.

A greve feminista serve aos trabalhadores?

Há vários anos, o movimento feminista em todas as suas variantes (comunitário, antiespecista ou vegano, separatista, etc.) se concedeu a representação das mulheres do mundo. Esses “feminismos” proclamavam a unidade de todas as mulheres contra o patriarcado, uma forma de organização social e econômica cuja existência é insignificante no capitalismo atual. A famosa “greve feminista” não paralisa nenhuma fábrica, banco ou porto. Na verdade, a greve de trabalhos domésticos e de cuidados apenas levanta slogans como “Manolo, lava a louça sozinho”. Nem a Coordenadora do 8M nem o NiUnaMenos convocaram toda a classe trabalhadora contra o sistema mundial que se beneficia do trabalho doméstico gratuito. Quantos milhões de dólares as empresas e os estados economizam com essa jornada gratuita que pesa sobre as trabalhadoras?

A greve feminista é uma ideia falsa. Por um aborto gratuito e seguro, uma rede nacional de acolhimento e proteção contra a violência machista, direito universal a uma creche e berçário, devemos exigir recursos. E a única maneira de fazer isso é atingir as grandes empresas no único lugar que dói: seus lucros.

Qual é o papel atual das direções feministas no Chile?

Para muitas mulheres, especialmente as jovens, o feminismo é a primeira ferramenta quando se trata de lutar juntas contra o abuso e a violência que vivenciamos diariamente. Compartilhamos experiências, nos sentimos confortadas. É um ponto de resistência e organização. Mas para anular o machismo, a resistência ou a organização apenas de mulheres ou dissidências não basta, é preciso arrancar o poder político da classe que nos explora e reproduz a cultura machista e opressora em geral.

Aqui o verdadeiro papel das direções feministas é revelado: elas focam os problemas globais das mulheres nas atitudes individuais dos homens. O governo feminista se orgulha de sua paridade, mas nossas vidas continuam piorando. As líderes feministas, por mais antineoliberais ou classistas que se digam, acabam se mascarando com uma perspectiva de gênero e inclusão no capitalismo. Separam as mulheres trabalhadoras de sua própria classe, de suas lutas e de seus espaços de organização.

Quando em 2020 o movimento de mulheres (dos bairros, estudantes, trabalhadoras, profissionais e microempresárias) se congregou no 8M, como nunca havia acontecido no país, as direções feministas, longe de colocar toda essa força à disposição para derrubar Piñera que estava reprimindo as mulheres e meninas Mapuche ou acabar com as AFPs que condenam nossas idosas à miséria, deixaram espaço livre para as separatistas. Em vez de enfrentar o Estado capitalista opressor, elas apenas exigiram que os machitos não participassem, para marchar tranquilas e seguras. Podemos marchar tranquilas um dia, mas precisamos de uma vida inteira sem abuso ou violência. Devemos enfrentar nossos companheiros de classe, mostrando que o machismo deles enfraquece nossas vidas e lutas, também temos que convencê-los a ficar conosco para derrubar as verdadeiras causas do machismo e da violência de gênero.

A dança das direções feministas com o governo Boric

Em seu jornal La Primera, o CF8M faz as mesmas reivindicações dos anos anteriores, mas a quem passa a conta por não cumprir promessas de campanha? O próprio governo Boric não deveria responder, já que se declara feminista? Em sua dança com o governo, o C8M omite a verdade: Boric é continuador das mesmas políticas neoliberais que atacam às trabalhadoras de todos os governos burgueses anteriores. O seu projeto de Pensão Garantida Universal (PGU) a partir dos 65 anos vai de fato aumentar a idade de aposentadoria das mulheres, de 60 para 65 anos. A mesma coisa que Piñera propôs. Após um ano de governo feminista, houve um aumento de 28% no preço da cesta básica (equivalente a US$ 64 mil); O desemprego aumentou para 8,6% entre as mulheres (mais de 1% do que entre os homens), o que afeta 8 em cada 10 famílias monoparentais. Os chefes de família também são responsáveis ​​por cuidar dos idosos e/ou pessoas absolutamente dependentes em suas vidas diárias.

As feministas da Frente Ampla e do PC, como Beatriz Sánchez, Constanza Schönhaut e Bárbara Sepúlveda, juntamente com outras mulheres de “tradição de esquerda”, como Carolina Tohá ou a própria Camila Vallejo, celebram o feminismo do governo. Todos dançam, assim como Boric, ao ritmo dos grandes negócios. Do discurso a favor de Wallmapu passaram à prorrogação sucessiva, e por 11 vezes, do Estado de Exceção “limitado”, superando inclusive Piñera.

Por outro lado, Boric prometeu acabar com a discriminação e a violência contra as diversidades sexuais. O direito de estudar em um ambiente seguro, livre de estigmatização e abuso não é garantido para meninos ou meninas transgêneros. A transfobia empresarial; ou seja, discriminação e hostilidade no local de trabalho em relação a pessoas transexuais é uma barreira de acesso ao trabalho, tornando a vida mais precária e expondo-a ao que há de pior na sociedade capitalista: a exploração sexual. Até agora, o governo Boric não tomou qualquer ação pela proteção do direito a um trabalho sem discriminação de gênero e sem segregação salarial, apesar de suas belas palavras.

O governo burguês e feminista de Boric aprofundou os ataques empresariais aos direitos das trabalhadoras.

Porque não acreditamos nas falsas promessas de nenhum governo; Exigimos pão, trabalho e moradia

50 anos depois do golpe, as reivindicações históricas da classe trabalhadora, camponesa e indígena ainda estão sem resolução. A coordenadora do 8M denuncia os “50 anos de violência sexual e política”, mas sem fazer uma cobrança direta ao governo feminista de Boric, pois continua seu namoro com ele. Mulheres e dissidências sexuais e de gênero no MIT, chamamos a não confiar no governo conciliador de Boric; lutar juntos contra o aumento, o desemprego e a falta de moradia. O feminismo não é a nossa bandeira. A emancipação da classe trabalhadora mundial, sim.

Contra a precarização de nossa vida

• Aumento do salário mínimo para $ 600.000 AGORA!

• Aumento da bolsa BAES para o valor de um salário mínimo

• Congelamento de preços de alimentação, transporte, combustível, contas básicas e remédios

• Perdão total das dívidas CAE, já!

• Fim do subcontrato e das AFPs

• Congelamento da UF nas dívidas habitacionais para manter a moradia

Contra a opressão às dissidências

• Exigimos uma Lei de Cotas de Inclusão Trabalhista para travestis trans, com respeito legal à sua identidade dissidente.

• Fim da discriminação, assédio moral e sexual machista no local de trabalho

Nossa vida não se resolve no capitalismo. Com a nacionalização da grande mineração de cobre e lítio, sob o controle dos trabalhadores e das comunidades, poderíamos financiar uma vida justa para nós mesmos e não os privilégios de empresários ou diretorias de empresas estatais como a Codelco. Somente uma economia planejada pode impedir a destruição dos ecossistemas. Só um Estado nas mãos da classe trabalhadora pode colocar essa economia para melhorar nossas vidas. Tudo isso é impossível se não tomarmos o poder dos empresários.

Unidade das mulheres, dissidências e homens da classe trabalhadora!

Solidariedade com a luta dos povos peruano e ucraniano!

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